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21 de Junho de 1993

Partimos de Congonhas as 10:15hs (13:15 GMT). A saída atrasou porquê antes de dar partida nos motores o ADF # 1 deu pane e também o DME. A troca do receiver de ADF não resolveu, então foi trocada a antena loop. A pane do DME foi morta com a troca da usina.[equipamento que energiza os aviões no solo]
Durante o taxi para a decolagem deu um aperto no coração e vontade de chorar (estava todo mundo na pista assistindo a decolagem) [os Electras estavam a 3 anos sem voar desde que os 737 assumiram a ponte aérea Rio-São Paulo].
Em vôo de cruzeiro a caminho de Recife deu pane no Compass #2 (RMI saindo de sincronia) e o ADF #1 pifou novamente. Tá sol e o tempo está bom na rota, nível de vôo 190 [19.000 pés – 6.080 metros]. Estimando pousar em Recife as 14:45 (17:45 GMT).
Pousamos em Recife as 15:30 (18:30 GMT). Abasteci a acft [aeronave] full tank e completei o nível de óleo da hélice #2 que está com vazamento grande.
Logo após a decolagem de Recife o Gerador #4 deu trip por baixa voltagem, mas normalizou após o reset. Durante a subida, saí do cockpit e fui sentar na parte de trás, ao olhar para a asa direita vi um vazamento enorme de combustível. Como o vazamento era pela parte de cima da asa, resolvi não informar nada ao comandante e ficar de olho após o consumo normal.
Seguimos em direção ao oceano Atlântico e em menos de uma hora de vôo só dava para ver o mar e o sol se pondo atrás das nuvens no horizonte. Espero que as fotos saiam boas.
O vazamento parou após 10 minutos de vôo como eu previa.
O capitão tá estimando pousar na Ilha do Sal as 00:00hs (01:00 GMT).
O GPS que foi instalado para a travessia está funcionando perfeitamente. Ouvi o capitão falando que o GPS calcula até o vento de proa. Serão 6 horas de vôo até Sal.
A aproximação para a Ilha do Sal foi sensacional, pois é uma escuridão completa, não é uma cidade iluminada.
Pousamos as 00:15, não se enxerga nada.
Parece que não tem luz na ilha.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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