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25 de Junho de 1993

O Diretor (Mr. Bingwa) conversou comigo sobre a desistência dos pilotos e dos novos planos para operação do Electra. Pagou um mês adiantado e disse que seguiremos para o Brasil no dia 28, fazendo uma escala de uma semana em Johannesburgo (África do Sul). A minha nova missão é encontrar pilotos de Electra no Brasil dispostos a voar perigosamente no Zaire, alem de fazer uma lista de peças que serão necessárias para operar o avião isoladamente por vários meses.

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28 de Junho de 1993

Me despedi do Tarcisio e do Ronald e segui com o Bingwa pro aeroporto. Na saída, o cara da imigração pegou meu passaporte e perguntou onde estava o certificado de vacina contra a febre amarela. O Bingwa disse que eu estava saindo do País e não entrando, portanto não precisava do atestado de vacina. O cara da imigração se manteve irredutível e não me deixou passar pela imigração, até que o Bingwa tirou 100 dólares do bolso e deu ao agente federal. Na mesma hora ele carimbou o passaporte. Parece que tudo aqui funciona a base de corrupção. É obrigatório despachar as malas, e aparecem vários carregadores de todos os lugares. Antes de entrar no avião (um Boeing 727-100) você tem que confirmar se sua mala está no chão em frente ao porão (para ter a certeza que ninguém roubou do check in até o porão de carga). A ameaça de roubo é constante.

Entramos no avião da Shabair, e estava um forno por dentro (o apu não funcionava). O taxi do avião até a pista para decolar foi feito com as portas abertas (!!!! Pra diminuir o calor talvez? Será que pelo menos uma pack estava funcionando). Antes de chegar em Johannesburgo fizemos 3 escalas (Kananga – Mbuji Mayi – Lubumbashi ) . Em cada uma delas, o pouso foi uma porrada no chão. Desconfio que os pilotos são sempre aprendizes. Começo a me arrepender de ter vindo.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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