banner livro

28 Years Ago Today

Ao som de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club BandIt was twenty years ago today, Sgt. Pepper taught the band to play“, adicione mais 8 anos e temos minha trajetória na aviação comemorada no dia de hoje \o/.

O dia 18 de Fevereiro de 1986 foi meu primeiro dia como funcionário da Varig (Viação Aérea Rio-Grandense), matrícula 58.458-7. Como uma adaptação de “She’s Leaving Home” para He’s Leaving Home, eu deixava a casa dos pais no litoral de São Paulo, aos recém completados 19 anos, para voar com as próprias asas. A Varig foi o “Sgt Pepper” que “taught the band to play”! Toda a base de meu aprendizado veio do departamento de treinamento daquela empresa. Não formaram especialistas, formaram técnicos com conhecimento diverso, desde aviônica até chapeamento.

O conhecimento na escola técnica lá na Base Aérea de Santos me deu peças de um quebra-cabeças, a Varig me ensinou a montá-lo. E mesmo quando pedi demissão descontente quase 10 anos mais tarde, já como inspetor de manutenção, jamais deixei de ser imensamente grato pela “bagagem” adquirida. Sair do setor de Inspeção da Varig e entrar na Transbrasil como Mecânico parecia um “downgrade” na carreira, era o que todos diziam. Outros diziam: as vezes “temos que dar um passo para trás para poder ir para frente“. Eu pensava: Mas trabalhar feliz é tão melhor!

Em nenhum momento considerei um passo atrás ter ido para a Tranbrasil, muito ao contrário. Graças ao amigo Ricardo Marouco, consegui por à prova todo o conhecimento armazenado na Varig, de tal maneira que me desenvolvi mais como Técnico de verdade em apenas 1 ano na TBA do que os últimos 5 anos de Varig. Marouco me indicou para o COMAN (o centro nervoso de Manutenção da Transbrasil) e desempenhei a função de “Trouble-Shooter” com grande alegria e “sangue nos zóio”, pois não é para qualquer um suportar o stress e a responsabilidade do setor. O quanto fui grato ao treinamento da Varig, sou grato ao Ricardo Marouco pela confiança e o incentivo de dizer: “vai lá e mostra que você é capaz“.

Exatamente um ano após ter entrado na Transbrasil, mesmo adorando a empresa, pedi demissão para entrar na United Airlines. O ano era 1996 e ouvi novamente que era “mais um passo atrás“, trabalhar em empresa estrangeira “não tem qualquer segurança“, “eles vão embora do país a qualquer momento” e você ficará desempregado. Sabe quando você confia nos instrumentos para fazer uma aproximação CAT3 sem enxergar a pista, mas sabe que ela está lá? Pois eu não enxergava o futuro, mas sabia que ele estava lá, e quer saber, quem não arrisca…

Entrei na United ganhando um pouco mais da metade do salário que eu ganhava na Transbrasil, mas eu não tinha ainda a Licença do FAA, e quando a obtive apenas 3 meses depois de ter sido admitido, tudo mudou. O resto é história.

Hoje, 28 anos depois, percebo que a aviação é muito mais a respeito de “gente” do que de aviões. E espero que When I’m Sixty Four daqui há vários anos, ainda esteja no meio de gente que se encanta com aviões :)

17

17 anos de diferença entre uma foto e outra

P.S. Quando este post for ao ar, estarei a 36 mil pés a caminho de Houston para mais uma missão, coisa que jamais imaginei que poderia acontecer quando era aquele moleque de 19 anos, só com a mochila nas costas e o nevoeiro à frente.

Tags: , ,

Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
Topo