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7x8x7 O Dreamliner em Números $$$

Dreamliners aguardando seu futuro - Foto AP

Dreamliners aguardando seu futuro – Foto AP

Quando a máxima de aeroclube é a mais pura realidade:

O que faz avião voar é dinheiro

Já vimos toneladas de vídeos e textos comentando o desenvolvimento do 787, mas você sabe realmente quanto custou para fazer um conjunto de ideias sair da cabeça dos engenheiros até o momento que a “ideia” é puxada para fora do hangar principal em Everett? Por isso decidi dedicar um tempinho para discutirmos um pouco o quanto realmente custou a o desenvolvimento do avião que veio para inaugurar a nova era dos jatos comerciais de médio-longo alcance.

A Boeing não revela os custos reais dos projetos e desenvolvimentos necessários para o projeto Dreamliner, e o quanto custou desenvolver uma aeronave que é completamente nova em todos os sentidos.
Desde o lançamento do programa em 2004, a Boeing investiu US$15 bilhões no desenvolvimento e construção dos protótipos, e mais de US$16 bilhões na fabricação dos 40 primeiros aviões, ou seja, um custo de US$400 milhões cada uma dessas primeiras unidades.

Todo esse custo imenso envolve um fator ainda mais complicado, o retorno que a Boeing vai ter. Segundo estimativas de várias consultorias e algumas contas que eu mesmo fiz em relação as receitas da empresa e a quantidade de unidades encomendadas que já passam de 800 aeronaves, apenas a partir de 2019, se tudo correr bem, cada novo avião entregue irá representar lucro, uma vez que o investimento para o projeto foi recuperado. Obviamente os ganhos serão reinvestidos em novos projetos e pesquisas, que com o tempo culminam em novas aeronaves.

Não vou entrar no mérito dos custos operacionais do Dreamliner, ele ainda é um recém chegado ao mundo da aviação comercial, e só podermos saber o quanto ele realmente custa para uma companhia aérea quando analisarmos dados de um período de alguns anos e ciclos operacionais.

O Lito tem feito uma ótima cobertura sobre a questão técnica da bateria, que fez a frota inteira de 787 serem “groundeados” pelo FAA. Essa questão já está gerando um passivo enorme para as operadoras do avião, só a ANA (All Nippon Airlines) está estimando em mais de US$15 milhões os prejuízos totais, para todos os seus 17 jatos Dreamliners, um custo de US$882 mil/avião.

Além dos prejuízos dos operadores existe o desespero da Boeing em resolver o problema logo, e de forma eficiente, ou seja, sem trocar a bateria ou qualquer outro sistema adjacente à mesma. Caso isso aconteça o programa sofrerá um enorme retrocesso aos 45’ do segundo tempo. Isto poderia fazer o ano de recuperação dos investimentos passar de 2019 para algo perto de 2025, ou até mais longínquo.

Estamos torcendo pela Boeing, e pelo Dreamliner por ser o “game changer” do mercado de aviação de longo alcance, e que está inaugurando uma nova era na aviação.

Dreamliners estacionados em Everett na fábrica da Boeing. Foto gentilmente cedida por Mary Kirby, editora do Airline Passenger Experience Magazine and Blog (http://blog.apex.aero/emagazines/)

Dreamliners estacionados em Everett na fábrica da Boeing. Foto gentilmente cedida por Mary Kirby, editora do Airline Passenger Experience Magazine and Blog (http://blog.apex.aero/emagazines/)

Autor: Victor Cândido

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Espaço dedicado aos textos dos leitores do AeM que colaboram com artigos de aviação.
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