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A comunicação com o controle de tráfego aéreo em vôos visuais #video

Neste Domingo, o post é do leitor Gabriel Albuquerque

Quando eu comecei a instrução de vôo, tive alguma dificuldade em saber * o que falar * ao controle de tráfego aéreo, * quando falar * e, também, de * compreender * o que me era dito. Com o tempo, o meu cérebro foi assimilando os termos e as expressões mais comuns – a chamada fraseologia aeronáutica – e tudo foi ficando mais fácil.

Por conta da minha dificuldade inicial, eu sempre tive vontade de fazer um voo em que, além da gravação em vídeo, também fosse registrado o áudio, com toda a fonia realizada entre a aeronave e o controle de tráfego aéreo. Imagino que se eu tivesse tido acesso a um material dessa natureza quando comecei, certamente teria me sentido mais seguro para encarar a fonia durante a instrução.

O voo em que finalmente concretizei minha ideia partiu do aeroporto Carlos Prates, em BH, com destino ao aeroporto de São João del-Rei. São 82nm (milhas náuticas, equivalentes a 152km) que o Bravo 700 (ultraleve avançado) cumpre em aproximadamente 1h01m.

O aeroporto Carlos Prates é um aeródromo não controlado onde é prestado o serviço AFIS, que em português significa Serviço de Informação de Voo de Aeródromo.
O AFIS tem como finalidade organizar a atividade aérea naquele aeródromo e na área de 27nm (50km) ao seu redor e é prestado por uma estação de telecomunicações denominada “radio”.

A “radio”, apesar de parecer aos olhos do leigo, é totalmente diferente de uma torre de controle. Em termos simples, à “radio” o piloto em comando apenas reporta suas intenções, ao passo que à torre de controle o piloto deve pedir autorização prévia para todos os seus movimentos. Então, por exemplo, basta informar à “radio” que irá ingressar na pista e decolar, não precisa aguardar autorização para tanto. Claro que se houver algum tráfego na final a “radio” irá chamar sua atenção para isso, mas não irá te dizer “negativo, mantenha posição”. A responsabilidade aqui será sempre do comandante e veremos claramente no vídeo como isso funciona.

Após a decolagem do Carlos Prates, entrei em contato com o “controle Belo Horizonte” (APP BH), que é o órgão responsável pelo tráfego aéreo VFR e IFR dentro da terminal Belo Horizonte (TMA BH). As terminais são criadas em locais de grande tráfego aéreo e tem como finalidade principal proteger as chegadas e saídas dos vôos IFR, organizando, para tanto, o tráfego VFR em REA (rotas especiais de aeronaves em voo visual), que contam com restrições de altitude.

Dentro da REA os voos VFR recebem apenas informação de tráfego em relação a todos os outros vôos, ou seja, o controle apenas avisa onde está o tráfego, cabendo ao piloto manter contato visual e evitar a colisão (no vídeo essa situação ocorreu aos 3m07seg). O controle somente irá vetorar a aeronave para evitar o tráfego em conflito se tal providência for expressamente solicitada pelo piloto.

Em um planejamento de voo de BH para São João del-Rei o caminho natural seria ingressar na REA HOTEL pelo portão Nova Lima, cruzar a posição Itabirito e deixar a REA e a TMA BH pelo portão Congonhas.

rota

No vídeo, contudo, certamente pelo baixo tráfego aéreo na REA HOTEL, o controle autorizou proa direto para a posição Itabirito. Após isso, não houve mais qualquer instrução, deixei a TMA BH e passei a coordenar na frequência livre (123.45) até SJdel-Rei.

Uma característica importante na fonia é a brevidade e a objetividade. Em suma, deve-se sempre buscar passar as informações essenciais, no menor tempo possível. Um ato que eu evitarei em meus próximos vôos vocês verão aos 1m33seg do vídeo. Eu vi que a aeronave que estava na final já tinha cruzado a cabeceira e, portanto, eu já poderia ingressar na pista e manter posição. Contudo, apenas informei à rádio que ingressaria na pista, o que gerou uma comunicação desnecessária para se esclarecer que eu estava, de fato, ciente do tráfego. Melhor seria se eu já tivesse informado tudo na primeira oportunidade.

Espero que gostem do vídeo e aguardo críticas e sugestões, inclusive para os próximos.


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Sobre o Autor

Piloto de aeronaves leves por paixão. Adora voar e bater um bom papo de hangar.
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