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A frustração com o transporte aéreo no Brasil #copa2014

Fiquei uns dias sem escrever aqui no Blog por causa de viagens e trabalho demais, e pra compensar vai um post gigante…rs

E já que falamos de viagem, vou fazer uma crítica sobre o sistema em geral de aviação no Brasil, e não só da empresa aérea ou da Infraero ou da infra-estrutura. Pela narrativa vai ser possível perceber que todas as partes do transporte aéreo se ligam e será necessário muito trabalho de todos os setores para que a aviação nacional suba um degrau na evolução.

Na semana passada fui até o Rio de Janeiro para encontrar uns amigos, fui numa sexta-feira e precisava voltar para GRU no sábado para trabalhar as 11:00hs. Como esse encontro estava combinado já há muito tempo, eu havia comprado um bilhete da Gol para o retorno, de GIG para GRU, com saída de GIG as 09:00 e chegada as 09:55, com tempo de sobra para eu marcar o ponto as 11:00hs

Só que eu acabei marcando o ponto as 11:15 da manhã, 1 hora e 20 minutos depois do horário previsto de pouso do voo em GRU.

O que aconteceu de errado então? E por que viajar deixa passageiros estressados?

Tudo começou ao comprar uma simples passagem doméstica: Rio para São Paulo. Não parece complicado não é?
Acontece que por “N” motivos, as vezes as empresas aéreas vendem um trecho doméstico que é parte de um voo internacional.

E não há qualquer problema nisso, vamos deixar claro, mas custa avisar ao comprador que se trata de um voo internacional? Vamos lá GOL, vocês podem fazer melhor que isso, é uma questão de respeito informar ao passageiro o que ele está comprando de verdade. Soubesse eu que se tratava de um voo Internacional ANTES de comprar e duas coisas teriam acontecido:

1- Eu compraria outro voo
2- Eu não teria chegado atrasado ao trabalho.

Mas vamos retroceder um pouco na história.

Oito horas antes do voo sair, consciente que sou dos procedimentos e filas longas de check in, decidi fazer o checkin online, pois eu só tinha bagagem de mão mesmo. Acessei o site da GOL pelo celular e fiz o check in, apareceu meu assento (que na versão Mobile não pode ser escolhido, pelo menos não apareceu a opção) e um código de barras 2D.

Uau! Excelente, eu pensei. Vou receber um email com o código 2D, depois é só passar em algum scanner no aeroporto e imprimir o cartão de embarque (o ideal na verdade seria nem usar papel e sim o próprio celular e código como cartão de embarque, mas parece que ainda estamos longe disso aqui no Brasil).

Não recebi nenhum email de confirmação do check in…. nenhum código foi enviado e não havia como salvar o código pela interface do site da GOL em versão mobile. Só anotei na cabeça o assento e resolvi que ao chegar ao Galeão na manhã seguinte iria imprimir o cartão de embarque no quiosque.

E na manhã seguinte, cheguei as 7:30hs para um voo que saíria as 9:00hs, afinal sou uma pessoa responsável certo? A fila de check in no terminal 1 já estava bem grande e ainda bem que havia feito o meu pelo celular, então fui até a máquina de checkin para imprimir o cartão de embarque.

Na tela havia 3 opções: “Fazer o checkin”, “Fiz o Check in pela Internet” e “Fiz o check in pelo celular”.
Escolhi a opção do celular, óbvio. Coloquei o código da reserva, aguardei o resultado e deu erro: “Não foi possível confirmar que você fez o check in pelo celular”. Tentei de novo, deu o mesmo erro com a mensagem para ira até o balcão e falar com um atendente da GOL.

Fui então pra fila do balcão, quando cheguei até a atendente e expliquei o que estava acontecendo, ela falou que eu tinha que falar com a atendente que fica perto do quiosque. Respirei fundo e fui procurar a tal atendente. Expliquei de novo, e ela foi tentar imprimir, usando a mesma opção que eu havia tentado antes e obviamente recebeu o mesmo erro. Tentou fazer o check in novamente e deu outro erro: “todos os passageiros deste voo estão checados”. Tentou a opção “fiz check in pela Internet” e funcionou….

*respira fundo*

Cartão na mão, bora embarcar né? Lembrem-se, até este momento eu não tinha a mínima idéia que o voo que eu havia comprado era um trecho Internacional, logo, me dirigi ao embarque doméstico. O funcionário da Infraero que fez a leitura do código de barras do cartão de embarque (pra arrecadar o valor da taxa de embarque) não viu o número do portão nem nada, apenas passou o scanner infravermelho.

Passei pela segurança e ao procurar o número do portão que estava no cartão, não batia com as placas (estranhas) do Galeão. Procurei algum funcionário da GOL pra perguntar onde era aquele portão, mas não vi nenhum funcionário. Depois de procurar o setor de informações da Infraero, a moça me avisou que aquele portão era na ala internacional e eu não teria acesso por aquela área.

*respira fundo*

Tive que sair pela segurança e me dirigir até a ala internacional do Terminal 1, que se eu não soubesse onde era, não iria encontrar, porque não tem NENHUMA placa informativa no saguão. Alô Infraero, precisa melhorar as placas informativas do terminal 1 do Galeão.

Ao chegar na área de embarque, o funcionário da Infraero escaneou novamente o cartão de embarque sem olhar [novamente] o número do portão (que era o 11). Passei pela segurança e fui até o portão 11, onde tinha um avião da Copa Airlines, e faltava 45 minutos pro meu voo sair. Fui então olhar o monitor e lá dizia que meu voo ia sair do portão 9. Nenhuma informação de nenhum funcionário, nenhum anúncio, nada!

*respira fundo*

Fui até o portão 9 e haviam poucas pessoas e NENHUM funcionário da GOL. Não havia também avião parado na posição 9.

*respira fundo*

Faltando uns 20 minutos pro voo sair, chegaram dois funcionários [da GOL] e disseram que iam começar o embarque em breve (mas eu não via avião nenhum no gate).

Quando abriram o portão para embarque, os funcionários que conferiam o documento com o cartão de embarque informavam que deveríamos andar até o portão 7 pra embarcar.

Neste momento as coisas estavam assim: O cartão de embarque impresso indicava o portão 11, a Iris Lettieri com sua voz aveludada nos alto falantes e os terminais de computador indicavam portão 9 e a aeronave estava na verdade no portão 7.

*respira fundo*

Entrei na aeronave, 737-800, e sentei….

*respira fundo*

Agora eu só torcia pro voo sair logo, e atrasou só 10 minutos (sem informação do motivo por parte dos tripulantes).

O pouso em Guarulhos foi as 10:05, era só desembarcar e entrar no aeroporto pra trabalhar!

Acontece que não tinha gate pra estacionar após o pouso e só estacionamos no portão as 10:30. Saí rapidamente, pra desembarcar e ir trabalhar, mas….era desembarque internacional! (lembram?).

Mesmo tendo vindo somente do Rio, tive que pegar a mesma fila dos passageiros que vinham de todos os lugares do mundo…

*respira fundo*

Sei que a história ficou longa, mas dá pra acreditar que está tudo tão errado desse jeito? Empresa aérea sem transparência, funcionários de aeroporto sem preparo, falta de funcionários, espaço para gado a bordo, aeroporto sem plano B para o bom senso, tudo isso em um simples voo Rio/São Paulo. E poxa GOL, eu escolho você ao invés da TAM por vários motivos (e vou continuar escolhendo), mas precisa melhorar muito o serviço ao cliente e o sistema de passagens. E esse espaço para as pernas entre as poltronas É VERGONHOSO.

É necessário criticar, afinal esta é a áea que eu trabalho! É a área que eu quero ver desenvolvida. E só a crítica pode abrir os olhos, seja das empresas aéreas, seja dos responsáveis pelo setor aeroportuário.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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