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A idade das frotas no Brasil

A idade das aeronaves é sempre um tema polêmico, pois muitos pensam que um avião “1980” está caindo aos pedaços e seria uma lata velha voadora, tal como aquele golzinho quadrado empoeirado na rua. Só que não! Aviões têm manutenção e cuidados, onde a idade acaba sendo irrelevante em relação à segurança, mas não em relação à eficiência, pois o operador de aeronaves com mais idade gastará mais com combustível e manutenção, haja vista que a tecnologia vem buscando melhorar tais pontos.

Busquei então elaborar o ranking com a idade média dos aviões que voam em empresas 121 no Brasil (RBAC 121 é o código que rege a aviação comercial) , ou seja aquelas que possuem operações regulares de RPN, Cargo e Passageiro.

ranking_idade

A Azul tem a frota mais jovem do país, com média exata de 4 anos e que será menor quando ocorrer o phase-out dos ATR42-500 de sua frota, que deverá reduzir em 1 ano a média de idade. Logo em seguida vem a TAM com 7,1 anos de média, acompanhada de perto pela GOL com 7,2 e da Avianca Brasil com 8,9 anos. O caso da Avianca é outro que terá redução drástica quando se concluir o phase-out dos Fokker 100 fabricados em 1992/1993. A última dentro dos 10 anos de média é a Passaredo com 9,5, ainda que sua diminuta frota de 9 aeronaves possua 4 ATR72-600 novos recebidos em 2012 diretamente da fábrica.

Acima dos 10 anos encontramos praticamente empresas cargueiras, com excessão de 2 operadores regionais. A ABSA com seus 767-300 têm 12,7 anos de média, seguida da SETE que com 5 Cessna 208 Caravan e 2 EMB120 Brasília possui uma média de 20,8 anos. Após a SETE temos a MAP, de Manaus com um quarteto de ATR42/72 tem 21,5 anos e meio. Cabe a MAP operar um dos mais experientes ATR42 do mundo, o PR-MPN que integra cidades e pessoas desde 1986. A SIDERAL e seus Boeing 737 Cargo têm 24,3 anos de média, seguida da TOTAL com 28,6. A TOTAL tem uma frota jovem de ATR42, mas seus Boeing 727 puxam a média para cima, afinal circulam pelos céus desde o começo dos anos 80. Por fim a frota mais antiga é da RIO Cargo, operadora massiva de 727-200F, com 31,2 anos de idade.

Mas é perigoso voar esses aviões antigos?

De forma alguma! São mantidos através de rigorosos planos de manutenção especificados pelo fabricante e auditados pela ANAC. As empresas à frente do ranking tem investido também na renovação de frota, como a Azul que adiciona cada vez mais ATR72-600 à sua frota regional e mais Embraer 195 novinhos de fábrica. A TAM também recebe constantemente Airbus novinhos, devolvendo os mais antigos aos proprietários, caso similar ao da GOL. A Avianca que tinha uma frota há alguns anos exclusiva de Fokker 100 com média de 20 anos, agora traz cada vez mais Airbus novinhos, portanto nos céus do Brasil há mais aviões novinhos do que idosos voando.

* Números compilados a partir das frotas em Abril/2014.

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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