A lingua inglesa é fundamental na aviação, mas não mais que a lingua portuguesa

Anúncio a bordo
Tenho alguns amigos na faculdade que sempre me perguntam o que é mais importante para seguir carreira na aviação, se a Física ou a Matemática, e minha resposta invariavelmente é: Português e Inglês.

O Português porque é a nossa lingua mãe, e acreditem, o Português é o que desempata na hora de uma entrevista. E convenhamos, não saber entender ou interpretar um texto ou não saber se expressar de maneira escrita em sua própria língua é dolorido. Infelizmente a tendência é piorar, basta ler alguns comentários e mensagens no Facebook, Twitter e Blogs por aí.

O Inglês por queporque é a lingua universal da aviação, todos os manuais de manutenção de aeronaves comerciais são escritos na lingua inglesa. Mesmo que você trabalhe em uma aeronave da Embraer, o manual estará em inglês. Durante os voos nacionais, os anúncios dos comissários (“speeches”) são feitos em português e inglês. E este post foi criado justamente para falar destes anúncios em inglês.

Já sentiram “vergonha alheia” de ouvir alguns comissários falando em inglês como se fosse o Joel Santana? Pois uma agência de publicidade criou uma ação para uma escola de inglês tendo como foco justamente estes “anúncios” de comissários de bordo, e ficou bem engraçado por que há gravações reais no comercial, impossível não rir com os “peanuts”.

P.S. No título deste post, usei as palavras “Mas” e “Mais”, por que parece que hoje em dia só se sabe usar “mais” quando se quer dizer “mas”.

via @ivoduran

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Sobre o Autor

Um técnico com bom senso :) 28 anos de aviação comercial, de Lockheed Electra a Boeing 777. Um DJ eclético, não profissional. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
  • Fabianomma

    Lito realmente tenho penado para ler os manuais da AIRBUS, levo muito tempo para interpretar as tarefas,  existe algum livro site apostila para manutenção de aeronaves ?

    • Goytá

      Mude sua mentalidade. Em vez de ficar procurando tudo mastigadinho, em fontes não oficiais e com informações insuficientes e de confiabilidade duvidosa, aperfeiçoe suas habilidades e desenvolva sua “fluência” de ler os manuais. Isso envolve não só o conhecimento do idioma, como também capacidade de concentração na leitura e interpretação do que se lê. Não vem da noite para o dia, mas pode ser desenvolvido com a prática. E você não vai praticar se sempre ficar procurando o site que já mastigou tudo para você. Na hora H, ainda será o manual original que terá as respostas corretas para o que você precisa e é nele que você tem que concentrar seus esforços. Mãos à obra!

  • Márcio

    Legal!

  • Lucas

    Painuti  - “Jenio”

  • Rodrigo

    NHUASHDAUsnhduasd, O later on, cold juice and Peanuts , very good, foi muito bom hnasudhuasndhuasd, nem o Joel faria melhor

  • Jose Ricardo

    Cold Juice and penalty haouhaouhaouh

  • http://www.facebook.com/luctimm Lucas Timm

    Para tecnologia é a mesma coisa. E como tem gente teimando que o inglês é desnecessário…

  • GabrielAP

    De
    fato a língua portuguesa está em extinção. Ao menos a forma culta da língua. A
    internet, nesse ponto, presta um desserviço à cultura e à educação. Eu mesmo,
    no alto dos meus 29 anos, tenho vontade de comentar como um velho ranzinza
    publicações “obscenas” no facebook com erros grosseiros de português.

    Mas
    voltando ao assunto do post, uma vez em um voo doméstico escutei a seguinte
    pérola da comissária de bordo, ao iniciar seu speech em inglês: “Ladies
    and German”. E eu pensei: German? O voo não é para a Alemanha! :)

    • Démerson Polli

      Gabriel, não acredito que a Internet seja o problema… o problema é que os jovens tem preguiça de aprender as coisas… entre elas como escrever corretamente. E, concordo com o Lito, cada vez tem piorado, basta dar uma navegada pela web para ver comentários em blogs e Facebooks da vida que são simplesmente ininteligíveis!

      Bom para nós que sabemos escrever… pior para eles…

      Demerson

      • Goytá

        Mas a Internet propaga as coisas, sim, Démerson. As pessoas se imitam como macacos e há épocas em que determinados erros de português viram “moda”. O caso do “mas” e “mais” que o Lito mencionou é um deles, se espalhou como um rastilho de pólvora. Ou confundir a conjugação verbal do passado e do futuro na terceira pessoa do plural (“eles ‘fizerão’ isso ‘mais’ não ‘faram’ mais”). Ou omitir a terminação dos verbos (“vo pega o mesmo ‘vou’ que ele pego”), que dá muita confusão às vezes, porque você não sabe quem fez o quê. Ou parágrafos imensos que às vezes até não estão tão ruins em termos de ortografia e gramática, mas ficam ilegíveis porque quem escreveu acha que a pontuação é desnecessária. Fora coisas mais banais como “haviam dois aviões” ou “haverão dois voos” (engraçado que no presente eles não erram: ninguém fala “hão dois aviões” em vez de “há”). O pior é que tenho visto tudo isso até em matérias de imprensa – outro dia vi uma matéria cheia de infinitivos sem “r” em plena primeira página da “Folha de S. Paulo” impressa, na banca!

        O próprio processo mental de se escrever atualmente é diferente. Sem computador nem Internet quando eu estava na escola, fui treinado a usar áreas diferentes do cérebro para falar e escrever e usar processos mentais diferentes, em que consulto mais a memória para escrever, usando como referência o que já li. Como ler um livro ou mesmo uma revista inteira é cansativo e tedioso demais para a maioria hoje, na era da gratificação imediata e dos tweets, não há referências e a escrita vira uma mera transcrição fonética do que a pessoa falaria, usando as áreas cerebrais da fala. Outro dia vi um comentário sobre uma matéria da “Folha” on-line a respeito das eleições em São Paulo e mais de um leitor escreveu “jose cerra” (claro que usar a tecla SHIFT para pôr iniciais maiúsculas é um esforço árduo e penoso demais para eles) – isso com o nome “Serra” na manchete, mas nem reparam no “S” de todo tamanho, nem isso entra no processo mental na hora de escrever.

        • Démerson Polli

           Concordo que a Internet propaga as coisas… na verdade acredito até que funcione como um catalizador deste processo (e de muitos outros, bons ou maus). Mas, a causa não acredito ser a Internet mas sim a falta de vontade e a presa das pessoas de hoje.

          Quando fiz o ensino fundamental e médio eu também não tinha acesso ao computador (também por questão financeira, pois alguma tecnologia já existia mas era muito cara) e todo o meu processo de aprendizagem foi a lápis, papel e caneta. Não foram poucas as vezes que passei parte do meu dia na biblioteca municipal fazendo resumo de livros (à mão)! Hoje em dia, apesar de eu ser um professor universitário, são raras as vezes que entro em uma biblioteca… ou compro os livros, ou consulto o que preciso na Internet.

          Não podemos nadar contra a corrente e desejar que volte o tempo da caneta e papel. O computador está aí para ficar. O que é necessário é usar a tecnologia para melhorar as coisas não para degradar… e este tem sido um grave problema atual.

          As pessoas hoje tem tanta pressa, que nem se preocupam em escrever ou ler as coisas com calma. Daí vem o “jose cerra” e similares.

  • Démerson Polli

    Já tive a sorte de voar algumas vezes em voos cujas as locuções em inglês foram igualmente perfeitas como estas do vídeo. Não é por nada não, mas se não tem nenhum estrangeiro no voo poderiam suprimir esta parte… para poupar os pobres comissários do constrangimento.

    Mas… também já vi o oposto… inclusive um voo em que o comissário era inglês nativo e, não preciso nem dizer, falava inglês perfeitamente bem.

    • Goytá

      Que poupar os “pobres” comissários, que nada! É a obrigação deles, faz parte das competências necessárias para o trabalho deles, e eles que tratem de estudar para aprender.

      • Démerson Polli

         Caro Goytá…

        Concordo e discordo contigo em um ponto: se ninguém no voo é estrangeiro (como acontece algumas vezes) não existe a necessidade de fazer o speech em inglês. Entendo que os procedimentos em aviação são padronizados, mas poderiam verificar isto sem prejuízo algum aos passageiros – e evitaria estes constrangimentos (pois tem hora que tenho dó de alguns comissários, apesar de concordar que deveriam falar inglês no mínimo inteligível).

        No início do ano fiz um voo de BSB para VCP pela Azul, e estava a bordo o Pedro Janot (presidente da empresa). Ele veio conversar com cada um dos passageiros a bordo, e eu o questionei porque a Azul não tinha os speeches em inglês… a resposta foi justamente que a presença de estrangeiros a bordo é ínfima. Apesar de discordar um pouco de Janot, concordo que se ninguém a bordo precisa se comunicar em inglês… deixemos de falar este inglês que não serve para nada…

  • Goytá

    Realmente, já ouvi cada “speech” numa língua que supostamente é inglês a bordo de aviões que me deixou com vergonha alheia e que deve ser incompreensível para um falante nativo (mandei o link do vídeo do Joel Santana para amigos americanos e britânicos e todos falaram a mesma coisa: só entenderam uma palavrinha ou outra aqui e ali; com esses “speeches” para um passageiro estrangeiro, deve ser a mesma coisa). E não é só nos aviões: cansei de ouvir nos aeroportos anunciarem a chegada do voo tal, “proceeding from Brasília”, numa tradução literal de “procedente de…”, quase fazendo meus ouvidos sangrarem. E os balcões de “informations”, no plural? E os “now bowdinghee, gatee eightee”?

    Num blog de Informática que acompanho, vi uma notícia de que o Linus Torvalds, o criador do sistema operacional Linux, reclamou da falta de suporte da Nvidia para o Linux e mostrou o dedo médio para essa empresa na parte de perguntas de uma palestra universitária. E havia o link para o vídeo no YouTube. O detalhe que me chamou a atenção foi que a palestra foi na Finlândia e o Linus também é finlandês, embora hoje more nos EUA. Ou seja, só havia finlandeses no evento. Mesmo assim, foi TUDO em inglês, porque entenderam que isso seria importante para divulgar essa atividade acadêmica no mundo todo, como de fato teve repercussão mundial, que dificilmente haveria se falassem em finlandês, mesmo que pusessem legendas no vídeo. E o inglês, tanto dos estudantes que faziam as perguntas quanto do Linus, era absolutamente fluente e perfeito, com muito pouco sotaque.

    Se você é chapeiro de uma lanchonete, motorista de ônibus urbano ou faxineiro, não precisa de inglês. Mas para qualquer coisa que exija mais trabalho intelectual, inglês é a diferença entre ser um profissional banal e um que se sobressai na atividade. Até os motoristas de táxi do Rio já se conscientizaram disso e estão frequentando cursos de inglês feitos especialmente para eles, para poderem se comunicar melhor com os muitos turistas estrangeiros que vão ao Rio, e virão ainda mais com a Copa e as Olimpíadas.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001614928545 Rodrigo de Macedo

    Tem cada speeche. Não estou em posição de julgar pois não tenho um inglês ótimo, mas que é engraçado é. São speeches em inglês parceidos com grego mas que ouvimos em hebraico kkkkk.

  • Lucas João M

    “O Inglês por que é a lingua universal da aviação”.
    Engraçado ver um post criticando o modo que algumas pessoas escrevem e utilizando os “porquês” errados.

    • http://www.avioesemusicas.com Lito

      As vezes passa um ou outro, mas se foi só o erro do uso dos “porquês” que encontrou então fico feliz que estou escrevendo bem e está plenamente de acordo com o outro post “linkado” neste, inclusive com menção às regras dos “porquês”. A critica não é sobre quem não sabe quando ocorre crase ou não conhece as 4 maneiras de escrever os “porquês”, e sim aos “fasso”, “corrão”, e os que não sabem interpretar um texto, entre outros. Obrigado pela revisão!

  • aviador95

    Muito bom, concordo, pessoas escrevem tudo errado hoje em dia

  • Goytá

    Deu na “Folha” ontem: a ANAC acaba de cassar a qualificação em inglês de 37 pilotos brasileiros de linhas internacionais (mas outra fonte diz que são 94 pilotos) que apresentaram certificação de proficiência emitida por uma escola da Espanha. A ANAC achou suspeito o alto número de pilotos certificados por essa mesma escola de tão longe, e achou mais suspeito ainda o fato de que vários deles tinham sido reprovados ou pelo menos tido notas piores em provas anteriores feitas no Brasil. Mandou duas inspetoras a Madri para avaliarem a tal escola e descobriram que o teste deles era realmente muito fácil, pura “embromación”… O teste também era mais barato que o feito aqui (a maioria dos pilotos que fizeram esse teste era da TAM e suponho que a passagem não fosse problema). A ANAC suspendeu o reconhecimento da escola espanhola e deu prazo até dezembro para esses pilotos refazerem o teste em outra escola credenciada, sob pena de perderem a licença de atuar em rotas internacionais. Os pilotos já pediram uma liminar, mas foi negada. Além da TAM, há também alguns pilotos da Gol e de aviação executiva.

  • http://www.antonioborba.com/ Antonio Borba

    Achei excelente, descobri este post ao pesquisar sobre o tema, pois acabo de escrever a respeito. Linkei com seu blog, talvez queria conferir: http://www.antonioborba.com/o-ingles-das-comissarias-de-bordo/ - abraços!

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