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A Maravilha de Madeira

Os apaixonados por Aviação Militar, assim como eu, farão a conexão do título da postagem acima com o avião em questão rapidinho. Yep, você está certo, ele mesmo: o Mosquito.

Já falamos aqui  no AeM da pompa e/ou opulência do nosso amigão “cospe fogo”, o Spitfire, tido como um grande lutador do período que abrangeu a segunda guerra mundial. Não contestamos isso, nem a História contesta, certo?  Os aviadores de caça, vindos de diferentes países, salvaram – de modo brilhante – a Grã-Bretanha de uma invasão nazista. E, bem, o Spit é um dos principais nomes ligados ao momento, de fato, heroico. O nosso post hoje, entretanto, é sobre um bimotor espetacularmente construído de madeira.

Uh huh, madeira.

O Mosquito foi um projeto sensacional do engenheiro britânico Geoffrey de Havilland (Será que é parente meu? Tem um “de” no nome dele também. Reparem… rs…). Aqui vai uma sugestão: quando tiver oportunidade, não deixe de conhecer a vida desse pioneiro da aviação, pois vale a pena. Eis um link bacana para a sua pesquisa: http://www.rafmuseum.org.uk/research/archive-exhibitions/de-havilland-the-man-and-the-company/captain-sir-geoffrey-de-havilland.aspx.

Sigamos.

Tida como sua maior contribuição à aviação militar, o Mosquito, foi sem sombra de dúvidas, um dos aviões mais manejáveis da guerra. Suas maiores características, voar alto e fugazmente, só eram possíveis dada a sua construção, digamos, incomum. Veja, o objetivo naquele momento (de guerra), era guardar a maior quantidade de metal possível. Para tanto, as peças do Mosquito foram feitas pelos “Geppettos” da época. Sim, carpinteiros e marceneiros produziam as peças desse magnífico avião obtidas da madeira em suas oficinas, depois era “somente” fixar as peças e “colá-las”. Ah, antes que eu esqueça, você já ouviu falar em bétula e abeto?

Hein?

Entre os principais componentes das futuras peças do Mosquito, destacavam-se essas duas. Se der um google aí, você verá que ambos são gêneros de árvores e, bem, isso já nos diz muita coisa, não é mesmo?

Alguns historiadores chegam a afirmar que o design do avião de madeira era mais notável que o Spitfire, uma vez que o projeto de Havilland tinha o alcance, a altura e a velocidade nas mãos, ou nas asas (hehe) e podia, assim, fazer qualquer coisa nos ares. Aqui você encontra mais informações sobre a aeronave: http://www.raf.mod.uk/history/TheMosquito.cfm. Os alemães não tinham nada parecido com isso naquele período de luta. Agora, faça o quadro mental e volte no passado comigo:

Estamos em Berlim. É guerra. Hermann Göring, chefe da Luftwaffe, está prestes a fazer um pronunciamento. Mas, de repente, a estação de rádio é atacada por um “mosquito de madeira”. Diga-se de passagem, esse foi um dos ataques mais célebres do Mosquito durante aquele período que se tem conhecimento, tanto que, o próprio Göring foi obrigado a dizer:

The British, who can afford aluminium better than we can, knock together a beautiful wooden aircraft that every piano factory over there is building, and they give it a speed which they have now increased yet again. What do you make of that? There is nothing the British do not have. They have the geniuses, and we have the nincompoops.”

[Conseguiu ouvir essa declaração como se ela estivesse saindo de um sistema sonoro cheio de eco daquele tempo, tal como a gente assiste nos filmes de guerra? Sim? Ótimo, você viveu o momento por alguns segundos.] :)

Ao pronunciar: “ They have the geniuses, and we have the nincompoops (Eles – os ingleses – tem os gênios e nós os tolos)”, Göring só atestava com ainda mais veemência a genialidade por trás do projeto Mosquito. A Inglaterra, claro, vibrava.

O aviãozinho de madeira era, também, um avião de reconhecimento, de ataque (protagonizou alguns dos ataques mais desafiadores da guerra) e um lutador noturno, além do que já comentamos: uma aeronave de alcance, altura e velocidade. Eu poderia fazer uma postagem dividida em IV partes só de elogios ao Mosquito, mas estas últimas palavras devem bastar:

Era multifacetado. Era de madeira.

 

 

 

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Sobre o Autor

Potiguar, Professora. Ama Física, Avião e Música (necessariamente nessa ordem e em maiúsculo). Estudante de Manutenção Aeronáutica.
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