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A notícia que o R7 publicou baseada em Jornal Russo comentada pelo AeM #MH370

Eu disse que não comentaria mais o desaparecimento do Malaysia MH370 até surgir algum outro fato concreto, e  hoje ouvi pessoas comentando que o avião havia sido encontrado no deserto do Afeganistão. Nada de concreto, mas imediatamente pensei: quem seria capaz de divulgar algo assim? Afinal para mim isto é mais inverossímil que a teoria da abdução. E o pior, atingiu o objetivo, senão não teria comentários.
Mas vamos lá, eis a fonte do despautério:

Reprodução R7

Reprodução R7

Se me permitem, vou comentar a notícia da maneira que foi escrita. O original do R7 está em itálico e meus comentários em azul.

O jornal russo Moskovsky Komsomolets divulgou nesta quarta-feira (9) supostas informações sobre o avião da Malaysia Airlines desaparecido há mais de um mês.

Percebam que o R7 tenta se redimir do fato de ter publicado esse “non sense” dizendo que a notícia é do jornal russo. É como se dissesse: não fui eu “R7” quem publicou, eu não tenho nada a ver com isso, nem sei como isso veio parar no meu portal. Uma dica ao R7: uma pequena visita ao Wikipedia sobre o tal jornal SENSACIONALISTA russo teria evitado qualquer portal sério de divulgar tal notícia. Continuando:

Segundo uma fonte anônima — que supostamente pertence a um serviço de segurança nacional não identificado —, os passageiros do voo MH-370 estariam vivos em Candahar, no Afeganistão, próximos a uma das fronteiras do Paquistão. A ação seria decorrente de um atentado terrorista.

Olha só, a fonte é anônima (ok), supostamente trabalha em uma agência nacional que também não é identificada e diz no pretérito imperfeito que a ação seria decorrente de um atentado terrorista – sendo que até agora ninguém reivindicou o tal atentado, tamanho o sucesso da operação. Acho que é pretérito imperfeito Futuro do Pretérito quando se fala algo que poderia ter acontecido ou não, né?[corrigido pelo professor Augusto Darde].

De acordo com informações do jornal, os passageiros estariam divididos em sete grupos para melhor organização dos sequestradores. Legal, são só 34,14 passageiros em cada grupo para alimentar, dar banho, por para dormir, amordaçar. Fica bem mais organizado e sobra mais tempo pra bater uma bolinha depois do expediente.

Para ele, os especialistas que estavam no voo seriam utilizados nas negociações com o governo americano ou chinês. Ainda o papo dos especialistas que iam registrar uma patente? Get a life.

O avião estaria com uma das asas quebrada. O especialista em investigação de acidentes Evgeny Kuzmin, confirmou que um avião daquele modelo poderia pousar em uma estrada de terra convencional, livre de árvores ou montanhas. Ele explicou também que se o pouso for emergencial ou em local inapropriado, pode quebrar parte dele, principalmente a asa.

Aqui nem vou falar muito, basta uma foto para mostrar como é fácil quebrar a asa de um 777. Agora imaginem: se ela ficou inteira assim em um acidente grave como o de San Francisco, perdendo apenas dispositivos hipersustentadores, imagine um pouso em uma estrada no deserto. Ah ia quebrar sim.

Tá vendo alguma asa quebrada aí?

Tá vendo alguma asa quebrada aí?

Entretanto, as informações divulgadas pelo jornal não coincidem com as divulgadas pelo governo malaio.

Dã! Mas nem eu, que desconfio das informações malaias, coincidiria com o despautério do jornal russo regado a Vodka.

O jornal também entrevistou Sergey Melnichenko, membro da Fundação russa de Segurança de Voo, que informou que a Tailândia, a Índia e o Paquistão não têm o costume de rastrear aeronaves. Por isso, ele acredita que de fato o MH-370 pode não ter sido rastreado.

Não conheço este Sergey (e acho que ele é “low profile”, pois nem o Google achou este  nome como ligado a segurança de voo – mas tem até ator homônimo). De qualquer maneira, o avião “supostamente teria pousado” no Afeganistão, não na Índia ou Paquistão. E claro, Índia e Paquistão não costumam rastrear aviões, só tapetes voadores.

Na última segunda-feira (7), o governo da Austrália que comanda as buscas pelo avião desaparecido detectou dois sinais parecidos com os emitidos pelas caixas-pretas. A primeira transmissão teria durado duas horas e vinte minutos e a segunda, apenas 13 minutos.

O que isso tem a ver com a notícia? Ou nem mesmo o R7 tá acreditando no que está publicando e passa a falar da Austrália, que não foi avisada pela fonte e continua gastando os tubos procurando um avião no Oceano Índico quando ele está sequinho lá no deserto? E para fechar com chave de ouro o incrível último paragrafo:

A informação de que a aeronave não teria caído no mar não foi confirmada pelas autoridades.

Entenderam a negativa da negação? Acho que o mínimo de responsabilidade é necessário para se noticiar as coisas. Imagine ter perdido um filho no acidente e ler isso. 

Como diria Tyler Durden: Let’s evolve, let the chips fall where they may.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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