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A rua principal da cidade

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Uma frase americana diz o seguinte: “The Airport runway is the most important main street in any town” que podemos traduzir livremente como: “A pista do aeroporto é a principal rua de qualquer cidade”. Hoje no Brasil não chegamos a 150 cidades com voos regulares, ainda que no passado esse número tenha sido mais que o dobro. É inquestionável o benefício do transporte aéreo em qualquer esfera, a redução das distâncias proporcionada pelo aviação, não tem rodovia que o faça. Mas porque não temos uma aviação regional larga no Brasil? INFRAESTRUTURA! Como a frase é americana, vale recordar que lá à aviação regional é fortíssima, onde um só operador, chamado SkyWest tem mais EMB120 na frota, do que todos operadores Brasileiros reunidos (que operam hoje e que já operaram), o detalhe trágico? O avião é fabricado no Brasil.

O grande gargalo para o desenvolvimento de nossa aviação é a infraestrutura, aeroportos em condições precárias, como por exemplo no Norte do país, onde várias empresas já tentaram operar, tiveram dificuldades imensas e hoje a maioria do interior do Norte é operado pela Azul apoiada nos valentes ATR42-500 ou pela MAP que começa a se expandir na Amazônia Oriental. O transporte aéreo agrega as cidades, pelo fácil escoamento de produtos, mala postal, público executivo. No meio de 2005, a cidade baiana de Vitória da Conquista, grande polo regional naquele estado, possuía apenas 5 voos semanais com Fokker 50 de 48 assentos operados pela OceanAir. Em 2007, tinha um voo de segunda à sexta da Passaredo na rota SSA-VDC-SSA com 30 assentos e 2 voos diários da OceanAir com o Fokker 50, um pela manhã outro pela noite! Qual é o movimento hoje de Vitória da Conquista? Simplesmente 1 VDC-GRU, 2 VDC-CNF, 5 VDC-SSA todos operados por ATR72 de 70 assentos por parte da Passaredo e Azul TRIP. Só a ponte SSA-VDC-SSA cresceu de 3 voos para 5, sendo que a capacidade foi praticamente dobrada. Isso é o efeito do transporte aéreo. E porque VDC não cresce mais? Falta estrutura ao Aeroporto para que aviões maiores operem por exemplo, sem falar a “pobreza” em termos de espaço físico para passageiros, lojas, taxistas e afins.

Governos de alguns estados tem sinalizado um apoio a operadores com a redução de ICMS, o que permite menor custo operacional e a manutenção de muitos voos. Mas a questão vai muito além, vai da estruturação de cidades na área hoteleira, saúde, comercial, serviços e inclusive estrutura básica como luz, água, trânsito, segurança pública. Sou Piauiense como é de conhecimento, e Parnaíba, belíssima cidade do meu estado, sofre com blecautes de energia durante a alta temporada e luta por um voo regular a quase 10 anos. Mas o que adianta um operador colocar o avião, se falta a estrutura da cidade? É por isso que a frase “A pista do aeroporto é a principal rua de qualquer cidade” tinha que ser melhor analisada e pensada por parte da gestão pública. Aviação gera emprego e desenvolvimento, fato pregado por Santos-Dumont no livro “O que eu vi, o que nós veremos” lá na década 10, 20 do século passado.

Cem anos depois ainda temos que encarar longas distâncias rodoviárias, a despeito da facilidade do transporte aéreo ter evoluído paulatinamente.

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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