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A tecnologia dos aviões nos carros de passeio

Além de aviões e de músicas, sempre gostei de carros. Não sou daqueles fanáticos, que sabem tudo sobre os modelos ou daqueles que tunam, longe disso. Mas moro em São Paulo, passo muito mais tempo do que o aceitável dentro de um veículo, então tenho que me sentir bem nele.

Uso carros com cambio automático desde 2009, o primeiro foi um Focus Sedã. Depois mudei pro Focus Hatch, também automático, sempre com motorização 2.0, que para mim é um fator decisivo. Depois, quando fui trocar por outro Focus, achei os preços da Ford meio salgados em relação ao Hyundai i30 e acabei saindo da marca, mais por uma questão de custo benefício do que por não gostar. Fiquei 2 anos com o i30 e depois mudei para o Mitsubishi Lancer, já que o i30 cometeu o pecado de rebaixar a cilindrada de seus motores sem oferecer outra opção.

Gostei do Lancer com câmbio CVT e borboletas no volante, mas achei o veículo muito pobre em acabamento e tecnologia embarcada, embora o motor seja muito bom. E então, em uma de minhas viagens a serviço aos Estados Unidos, acabei alugando um Ford Focus e fiquei positivamente impressionado com a tecnologia de conexão por voz da central multimídia e a resposta do motor, curiosamente melhor do que o do Lancer, já que o modelo da Mitsubishi possui justamente o apelo esportivo.

Fiquei matutando e quando surgiu a chance de trocar de carro no final do ano passado, resolvi fazer um test drive no Focus brasileiro, e descobri ser igual ao americano – a Ford resolveu fazer um modelo mundial do carro. Acabei vendendo o Lancer e retornei ao Focus.

Pois bem, mas o papo é tecnologia. Outro dia, indo para o trabalho, acendeu um aviso no painel para “verificar a pressão dos pneus” e eu pensei: ué? Como o carro sabe a pressão dos pneus? Isso aqui não é um Boeing 787 que tem sensores remotos de pressão em cada roda.
Parei no posto de gasolina e batata, uma das rodas estava com pressão baixa. Calibrei todas, mas não consegui apagar a mensagem do painel seguindo os passos no menu, e só depois que encontrei a informação no manual de que o carro precisava estar PARADO para cancelar o aviso. Aí fiquei mais curioso para descobrir o porquê.

Sei que existem maneiras de monitorar a pressão de pneus, com um sensor no bico de abastecimento de ar e um transmissor de rádio frequência acoplado, mas não tem isso no meu Focus, e então saquei que os engenheiros usaram um método muito mais inteligente. Como o carro possui controle de tração e ABS, existe um módulo que monitora a velocidade de cada roda – isso foi tecnologia emprestada do sistema de Anti-Skid da aviação. Ora, uma vez que todas as rodas possuem a mesma pressão, teoricamente elas possuem o mesmo diâmetro certo? Se possuem o mesmo diâmetro, quando em linha reta terão a mesma velocidade, a menos que alguma delas esteja com a pressão menor, o que fará com que seu diâmetro diminua e sua velocidade aumente para que o carro se mantenha em linha reta. Ao atingir um determinado valor de diferença de velocidade entre as rodas, o módulo gera uma mensagem que aparece na tela do painel. E a mensagem só pode ser apagada após calibrar todas as rodas e com o carro parado, para que o módulo possa armazenar o “novo diâmetro” de todas as rodas.

Achei uma puta sacada dos engenheiros e já encontrei outras artimanhas embutidas no projeto do carro, fiquei feliz. E cá pra nós, a Ford já construiu aviões, então é só incorporar os conceitos.

A segurança passiva foi uma das áreas que mais melhoraram nos veículos de última geração, e acho legal montadoras como a Ford tornar essas novas tecnologias mais acessíveis para o mercado. A engenharia tá de parabéns por criar esses sistemas de alertas ao motorista e se antecipando a situações em que no passado ficava a cargo só do motorista. E quando dependemos só do ser humano, já viu né…

Sou um defensor de tecnologia para aumentar a segurança, e quanto mais a indústria de carros incorporar o desenvolvimento da indústria aeronáutica, mais chances teremos de ver o número de acidentes e mortes diminuírem no trânsito.

Agora já tô de olho é no novo Focus com frente estilo Fusion, olha que belezinha, sai esse ano :)

focus

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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