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Acidente com o Sukhoi Superjet 100 em Moscou

Um Sukhoi Superjet 100 (SSJ) da Aeroflot, com matrícula RA-89098 decolou de Moscou com 78 pessoas à bordo para fazer o voo SU-1492 até Murmansk.
Logo após a decolagem, ao atingir 10.000 pés (aproximadamente 3000 metros), o código transponder da aeronave foi modificado para indicar perda de comunicação por rádio e depois alterado novamente para emergência geral.

Após aproximadamente 25 minutos de voo, o SSJ retornou para o pouso no aeroporto Sherementyevo. Vídeos de câmera de segurança mostram o momento do primeiro toque da aeronave em alta velocidade, o que a faz dar um “bounce” (subir novamente) e um forte retorno à pista, quando os trens de pouso entram em colapso e a cauda da aeronave bate no chão iniciando um incêndio (provavelmente pela fratura do tanque de combustível, causada pela quebra do trem de pouso).

Ao contrário do que alguns portais estão divulgado, não houve fogo a bordo antes do pouso. O que causou o fogo foi a severidade do impacto com a pista.

Infelizmente há informações de 41 vítimas fatais.

Flaps baixados, mas não em posição de pouso.

A característica deste acidente vai gerar uma série de aprendizados para a aviação, por vários motivos. O Sukhoi SJ100 é um aeronave Full Fly By Wire, e há reportes desencontrados de que teria ocorrido uma perda elétrica total, o que não parece ser verdade, já que uma das fotos após o acidente mostra o compartimento da RAT totalmente fechado.

No entanto, na aviação moderna, é quase impensável se perder toda a comunicação por voz, dado que cada rádio é alimentado por um barramento elétrico diferente. Se houve mesmo essa perda geral de barramentos, há que se analisar como o Fly-By-Wire reagiu às perdas de proteções (leis) e se isso pode ter interferido no controle de voo durante o pouso.

Compartimento da RAT fechado


Mas o grande aprendizado, e uma possível futura mudança que afetará terrivelmente todos os passageiros ao redor do mundo, será em relação às bagagens de mão. Há diversos vídeos, gravados dentro do avião, durante a evacuação em emergência que mostram passageiros abrindo os bagageiros e retirando pertences antes de sair do avião. Com o avião em chamas!!!

Isto é de uma seriedade tão grande, e que vem se repetindo nas últimas evacuações de aeronaves, que eu não estranharia se surgir um novo regulamento banindo todas as bagagens de mão dos voos comerciais.

Infelizmente, uma grande maioria paga pelo desleixo total pela vida humana de uma minoria. É difícil de acreditar que uma pessoa esteja dentro de uma aeronave em chamas e esteja preocupada com seu notebook ou muda de roupa.

Existe a possibilidade de que pessoas tenham perecido neste acidente porque não conseguiram desembarcar a tempo, já que outras estavam tirando as bagagens para sair do avião pela escorregadeira. Caso isso seja comprovado, pode sim ocorrer mudanças nos regulamentos de bagagens de mão.

Que fato terrível de se constatar. Uma lástima.

Eu sempre prego que o avião é seguro, mas não e infalível. E que a segurança está estritamente ligada em seguir os procedimentos para preservar a vida humana. E seguir os procedimento de sobrevivência não é tarefa só do pessoal da aviação.

É de todos vocês, passageiros, que viajam de avião.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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