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Acidente com um Dash 8-400 em Kathmandu no Nepal

Um Bombardier Dash 8-400 (originalmente De Havilland) da empresa US-Bangla com matrícula S2-AGU que fazia o voo BS-211, estava na aproximação final para Kathmandu, no Nepal com 67 passageiros e 4 tripulantes quando a torre liberou o pouso para pista 02. A tripulação do Dash iniciou então uma curva para esquerda em direção à pista 20 (cabeceira oposta), quando a Torre interveio (ver carta do aeroporto abaixo):

_”Não curvem a esquerda para a pista 20, curvem a direita. Livre o pouso na pista 02″.
A tripulação solicitou então o pouso na pista 20 e a torre autorizou. Quando questionados se estavam avistando a pista 20, a tripulação respondeu
_”Negativo”.
A torre então perguntou se eles avistavam a pista 02, e eles responderam:
_”Afirmativo”.

Então a torre autorizou o pouso na pista 02 e não mais na 20. A aeronave impactou o terreno às 08h35Z (hora Zulu).

As aproximações para o aeroporto de Kathmandu são do tipo “Non Precision”, pois não há auxílios como ILS (sistema de pouso por instrumentos, como mostrado neste vídeo), e a área é cercada por terreno elevado como mostra a imagem do Google Earth. Em pousos de “não precisão”, a carga de trabalho aumenta no cockpit.

Montanhas em volta do aeroporto

As características de aproximação para pouso gravadas pelo FlightRadar 24 e as comunicações com a Torre de Controle supõe um tipo de acidente chamado de CFIT (controlled flight into terrain – voo controlado em direção ao solo) e Loss of Situational Awareness (perda de consciência situacional), evidências que somente o relatório Final do acidente indicará, além das medidas a serem tomadas para que nunca mais ocorra.

Perfil do voo pelo FR24

Enquanto o ano de 2017 foi o mais seguro de todos os tempos na aviação, 2018 já registra alguns acidentes com vítimas, como o Saratov na Rússia e o ATR da Aseman no Iran. Estes países afetados não possuem um bom histórico de segurança aérea.

Em relação à cobertura do acidente, como eu sempre digo, muita coisa deve ser ignorada, como o famoso “eu vi o avião em chamas antes de cair” – o entrevistado para qualquer jornal SEMPRE vê isso, e NUNCA é verdade.

Mas o que está acontecendo na aviação? A bruxa tá solta?

Não, está tudo como sempre foi. O fato da aviação estar negativamente presente nos noticiários diários não corresponde com a realidade dos fatos. Os gráficos continuam melhorando a cada ano.

Fonte do gráfico: ICAO
Fonte comunicação: AvHerald

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
  • Agton Veloncio

    Triste. :(
    Muito obrigado por mais um conteúdo de qualidade. Abraço Lito.

  • Nicolas777

    Imprensa como sempre vomitando asneiras por todas as mídias possíveis. É assim com qualquer assunto, e com aviação parece que piora. Chega a ser vergonhoso!

  • Alberdogam

    É de chorar de rir estas reportagens. Há muito – muito, mesmo – tempo que eu desistir de ler o que passa no UOL, G1, e afins. Depois de dias é que a verdade resta esclarecida. Até lá, é um amontoado de bobagens e especulações.

  • Edouard

    Não entendi (paciência com o leigo aqui, por favor). Quando a torre interveio, o controlador já não perceberia pelo radar se a aeronave se aproximava pela cabeceira 2 ou 20? A aproximação é na transversal?
    Eu vi a carta e não consegui compreender o que aconteceu.
    Um abraço.

    • Wellington Silva de Farias

      Em Kathmandu há um problema em relação a isso, pois eles não possuem radar de aproximação! Sendo assim, eles têm que confiar nos reportes dos pilotos para “supor” a posição das aeronaves.

      • Edouard

        Eu não tinha visto direito a Carta, e depois percebi que a rota de aproximação leva até a cabeceira sul. Então to imaginando que dali ou se vira à esquerda (norte) para a pista 20 ou se vira à direita (sul) para a pista 2. De alguma forma a torre percebeu que o piloto virou para o lado contrário. Não foi por RADAR que a torre viu?

        • Wellington Silva de Farias

          Não, por radar não.

  • Lucas Rocha

    Nada ver isso que o G1 colocou um incidente que nem causou perigo nem um a ninguém, coisas que não precisa citar

    https://uploads.disquscdn.com/images/da84405779033a842a5d032f7cec52383568f0f9a4e643a81b3656586f53ee01.png

    • Bruno ٧

      O negócio da mídia é criar furdúncio, com o MÍNIMO de informação útil possível.

  • Freddie Diniz

    A torre intervEIO

    • António Figueiredo

      Eu interviria, se não tivesses intervindo primeiro KKK

    • Alecsandro Conectividade

      Sempre tem a porra de um chato perfeccionista ¬¬’

  • Alexandre Neves Lopes

    Estranho… está faltando bastante coisa ainda a ser descoberta sobre as circunstâncias do vôo, mas segundo o FlightRadar aparentemente eles se chocaram antes mesmo de avistarem o campo, na encosta oposta ao vale do aeroporto pelo sul nas cordilheiras, e antes ainda de iniciarem o procedimento que, pela carta, iniciaria-se no rumo 108º no fixo GAJUR. Como podem ter afirmado terem avistado qualquer uma das cabeceiras se nem chegaram a cruzar a cordilheira? https://uploads.disquscdn.com/images/40b6c236e7254307c984d3124599d007279c321da75d44b0b683a64059016027.jpg

    • Alexandre Neves Lopes

      Esqueçam este post. Depois que vi as fotos da reportagem que me dei conta que a acf se chocou na cabeceira 02, ou seja o FlightRadar não mostrou o histórico completo do vôo. Ele pode ter varado a pista ou tentado arremeter sem sucesso….

  • Alecsandro Conectividade

    Lito, vi que essa aeronave tem 17 anos (isso é até comum, já vi algumas na grade com 25 anos), mas ficou uma dúvida pertinente, existe alguma diretriz que obrigue as companhias fazerem modernização nas aeronaves, se sim, qual o ciclo, se não, como pode uma aeronave obsoleta operar e outra existe idade limite para uma aeronave, acredito que não, mas o mestre é quem diz, forte abraço professor!

  • Wilian Castro

    Lito, acompanho seu canal a algum tempo e acho o máximo. Parabéns por trazer tanta informação legal e simplificada pra nós que somos apaixonados pela aviação mas não temos como acessá-la nos detalhes tão facilmente.

    Você faz um trabalho sensacional, sou seu fã.

  • Bruno ٧

    (Não é relacionado com o post)
    Alguém sabe como consulto a “seção INS da AIP-MAP”?
    Tipo:
    Estou estudando cartas de AD, a SID pra ser mais exato; em uma das observações da SID SBKP UTGER 1B consta: “2 – Observar compulsoriamente a seção INS da AIP-MAP.”

    Tô a mais de uma hora procurando na AIP-MAP isso… e só achei a abreviatura de “INS”, que é Sistema de Navegação Inercial (traduzido do inglês).

    Agradeço quem se dispuser a me ajudar. :)

    • O AIP-MAP é um manual complementar da AIP-BRASIL.
      Ele é dividido em seções, sendo:

      LIS – Lista
      ABR – Abreviaturas
      INS – Instruções
      CAR – Cartas
      COORD – Coordenadas

      A seção INS atual é composta por 10 páginas que tratam de procedimentos relacionados ao voo por instrumento em uso no Brasil.

  • João Batista Da Silva Filho

    Olá Lito. Sobre o fatídico Af 447?

  • ar-sousa

    Pessoal, meio que saindo do assunto, mas vendo alguns vídeos de voos de helicópteros percebi que no para brisas(nem sei se posso chamar assim kk) tem uma fita balançando em todas as aeronaves!!Já imagino o que é, mas vai que eu fale algo errado!Pra que serve aquilo?

    • Rodrigo Porto

      ALGUEM ?

    • É um barbante, sua função e informar ao piloto se o vôo está coordenado em termos de uso de aileron e leme.

      • ar-sousa

        Olá, Rodrigo! Eu achava que era só pro piloto ter noção de direção de vento :) boa tarde!

  • Fabio

    Que pena. Sem desastres nao vou assisitir a episodios ineditos de Mayday, Precisamos de alguns acidentes por ano. Pelo menos uns 12 para suprir a NatGeo de fontes para os episodios

    • Alano

      Que nojento.

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