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Airbus A350 pode ser equipado com sistema automático de descida em emergência.

A Airbus está considerando equipar os A350 XWB com um sistema automático que levaria a aeronave a descer automaticamente se fosse detectado uma baixa pressão de cabine (quando cai as máscaras de oxigênio, por exemplo).
O sistema entraria em operação somente se os pilotos não responderem a tempo a um alerta – potencialmente indicando que a tripulação poderia estar incapacitada pelos efeitos da falta de oxigênio.
Aibus A350
A falha em não reconhecer a falta de pressurização em um avião da Helios a quatro anos atrás levou todos dentro da aeronave à sofrer de hypoxia, deixando o avião voando sem controle em altitude de cruzeiro até acabar o combustível e cair (analisei o acidente neste post)
Airbus não confirmou se irá instalar o sistema, mas que está em estudos.
Apesar da falta de detalhes, o sistema funcionará assim: Se o sistema de detecção da aeronave informar uma pressão insegura de cabine, um aviso será enviado ao painel dos pilotos (PFD). Se a tripulação não cancelar o alarme ou iniciar a descida em emergência, o A350 iniciaria a manobra afastando-se para a direita da aerovia lateralmente por 5 km e descendo na máxima velocidade operacional até atingir a altitude de 10.000 pés, onde as máscaras de oxigênio não são mais necessárias.

Fonte: Matéria de David Kaminski-Morrow na Flight Global

Quando eu li sobre esse sistema, minha primeira reação foi: Sou contra, afinal é mais um componente adicionado no já ultra-automatizado Airbus que pode dar problema [Artigo interessante sobre excesso de automação e o acidente do AF447 – Em Inglês]. Na minha opinião, não se pode tirar a autoridade dos pilotos de reagir a um imprevisto, nem mesmo em nome da segurança. Hoje em dia as vávulas de pressurização das aeronaves comerciais já são redundantes e muito confiáveis, não há muitos casos de despressurização a não ser por falha estrutural ou explosões (como no caso do 747 da Qantas ), então não entendi o propósito do sistema. A não ser que haja alguma ligação com o Air France AF477 que mostrou mensagens de ACARS de “Cabin Vertical Speed”. No entanto esse sistema automático não funcionaria também no caso do AF447, uma vez que ele perdeu todas as informações de Airspeed, causando a perda dos Autopilots, que serão necessários para efetuar uma descida de emergência.
Aceito opiniões, mas não vejo sentido nesse sistema automático de descida.
Não sou contra a tecnologia embarcada, muuuuuito pelo contrário, eu adoro trabalhar com o Boeing 777 e seus vários computadores, me dou muito bem com eles. Mas não se pode tirar do piloto o que ele mais sabe fazer: decidir a maneira mais segura de voar.

Parafraseando o texto do link acima sobre automação:

A generation ago, many commercial pilots were ex-military, trained to dogfight and cope with every eventuality. That generation is now retiring, replaced by young men and women for whom the cockpit of a modern airliner resembles a computer game more than anything.

And tragically, sometimes, the computer crashes. And sadly, sometimes, so does the plane

Na geração passada, muitos pilotos comerciais eram ex-militares, treinados em combate para lidar com qualquer eventualidade. Aquela geração agora está aposentando, sendo substituída por jovens homens e mulheres para quem o cockpit de uma aeronave moderna parece mais com um video game do que qualquer outra coisa. E tragicamente, as vezes, computadores “caem”. E tristemente, as vezes, os aviões junto com eles.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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