banner livro

As aventuras com o Electra na Africa – “Causos” Parte 1

Electra PP-VLB em Congonhas (C) Aviões & Músicas

Electra PP-VLB em Congonhas (C) Aviões & Músicas

PP-VLB em check de motores de manhã bem cedo – Hangar 2 – Congonhas

Devido a pedidos insistentes dos entusiastas (né @fraiman?), vou republicar alguns textos que retirei de um diário (já que não havia blog em 1993) que escrevi durante a minha viagem à Africa acompanhando os Lockheed Electras, que haviam sido vendidos pela Varig para empresas do Zaire e Congo [em 1993 a República Democrática do Congo se chamava Zaire e o Congo era somente Republica do Congo como é hoje]

E antes de começar a contar os causos, vamos apresentar o ator principal:

Para quem se lembra da ponte-aérea Rio/São Paulo antes da entrada dos aviões a jato, reconhecerá esse nariz gordinho do Electra II. Esse avião conseguiu criar uma paixão enorme em quem trabalhou e vôou nele, uma verdadeira escola para todos.

Em determinado momento, a Varig possuía 14 deles na frota, e com o tempo nós da manutenção sabíamos a personalidade de cada um.

É, vocês não sabem, mas os aviões possuem personalidade e também muitas diferenças entre si.

E basta falar o nome (como o Lima Bravo aí da foto) para sabermos quais as características, a história de problemas, as asas mais reforçadas, a beta light que piscava todo voo, o cockpit diferente… vários detalhes.

E tem também avião que parece que tem alma e gosta de se divertir com você. Ele dá sempre aquele mesmo probleminha, e não importa se você trocar o sistema inteiro, ele ficará bom por alguns dias e depois aparecerá o probleminha de novo. O VJM era um que gostava de voar torto.

Eles na verdade são Elas, sempre chamando atenção. Será por isso que os americanos (e outros) tratam seus barcos e aviões por “SHE” (ela)?

É, a Electra era uma nave linda.

Ela tinha alguns lugares muito difíceis de trabalhar (como a troca dos apoios da câmara de combustão, em que o mecânico saía totalmente preto de fuligem, como se tivesse trabalhado numa carvoaria) ou será que eram lugares para se treinar os mecânicos na sua arte com as ferramentas? (como esquecer a enorme dificuldade de frenar os parafusos do bico injetor #5 da câmara de combustão?).

Ela foi minha segunda escola depois da escola. Eu tenho mais fotos dela aqui do que qualquer outro avião.

E foi com Ela que eu cruzei duas vezes o oceano Atlântico em direção ao Zaire (hoje República Democrática do Congo).

E resolvi falar dela hoje depois de ler o meu diário dessa viagem de 3 meses naquele continente, porquê Ela foi o motivo da viagem e me protegeu enquanto eu estive lá.

E Ela me ensinou quais os verdadeiros limites de operação de uma máquina que voa.

No dia primeiro de março eu viajo para os Estados Unidos por quase um mês, durante este período os posts estarão programados para serem postados um por dia, perguntas serão respondidas quando eu voltar ou se der um tempinho eu acesso o blog por lá e mando bala, inclusive com novidades da viagem.

Continua na Parte 2

Tags: , , ,

Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
Topo