As aventuras com o Electra na Africa – “Causos” Parte 7

05 / 03 / 201010 Comentários

[continuação da parte 6]
Já em solo brazuca, comecei os contatos com pilotos de Electra: Nenhum deles estava interessado em ir para o Zaire e ficou claro para mim que os dois da Varig que foram “convidados a se retirar” de lá passaram a informação adiante (muito apropriadamente diga-se de passagem).

Como resultado, depois de quase duas semanas, tínhamos dois pilotos canadenses, um paraguaio e o Zairense que conheci em JoeBur, nenhum brasileiro. O segundo Electra já estava pronto para o voo de experiência, que acabou também se transformando em voo de instrução para os estrangeiros.
Decolamos de Congonhas e seguimos para Campinas, onde uma série de “toques e arremetidas” foram praticadas pelos “alunos”. Como instrutor/checador, o comandante Buchrieser, um dos mais experientes pilotos de Electra
No meio do caminho, um pouco de emoção com manobras de recuperação de estol e embandeiramento pra ver se estava tudo certo com a segunda aeronave.

A sessão de “toques” começou com o Buchrieser no assento da esquerda, (eu estava no assento do “navegador”) com um briefing sobre recolher os flaps para Take Off position na hora da arremetida, entre outras coisas.

Tudo perfeito, dava gosto de ver o Buchrieser manuseando tão bem o Electrão mesmo depois de tanto tempo sem voar.

O mais legal de tudo era a “decolagem americana”, pois seguíamos no rasante sobre a pista com o trem recolhido e subíamos velozmente ao cruzar a cabeceira oposta.

Depois ele foi pro assento da direita e foi a vez do Paraguaio fazer o “toque ” dele.
Mesmo com os “inputs” do Buchrieser o cara alinhou errado e tocou bem à esquerda da pista. Fizemos mais um circuito e o Paraguai errou de novo.
Depois foram os dois canadenses e por ultimo o zairense, que “tocou” legal.
Voltamos pra Congonhas e o paraguaio foi reprovado (ainda bem).

A segunda travessia seria com tripulação Canadense (incluindo o FE) mais o Zairense.

Foto do Electra Sobrevoando a Africa

Electra carregado, mais uma vez cheio de “muambas” do Bingwa, decolamos para mais uma travessia, com o mesmo plano de voo: Congonhas-Recife-Sal-Abidjan-Kinshasa.
Não houve contratempos na saída desta vez, porém, em algum ponto já no estado da Bahia os pilotos Canadenses me chamaram no cockpit porque não conseguiam se comunicar usando nenhum rádio.
Abri o rack de equipamentos (que ficava em um “armário” atrás da cadeira do FE) e deu pra perceber que os dois transceivers de VHF estavam mortos. Isso não era uma coisa boa… estávamos voando IFR sem contato via rádio.

Tentamos então contato via HF com o centro Brasília, usando as frequências que constavam nas ERC (cartas de rota). Depois de algum tempo tentando, finalmente o contato foi obtido, mas como a transmissão era muito ruim, os pilotos não entendiam o que Brasilia falava e vice-versa.
Então eu fiquei responsável pela fonia, informando ao Centro que havíamos perdido comunicação VHF e teríamos que fazer todo o procedimento de chegada e pouso em Recife via rádio HF.

A coordenação foi bem feita e pousamos sem problemas em REC, mas devido aos problemas nos rádios, o que deveria ser apenas uma escala de abastecimento virou um pernoite. Fui até a manutenção da VARIG e entrei em contato com a base em São Paulo para que enviassem em AOG dois transceivers de VHF (AOG é uma sigla que significa Aircraft On Ground, e é utilizada para transporte de peças de avião de um ponto a outro o mais rápido possível).
Os voos de São Paulo para Recife só chegariam no dia seguinte por volta de meio dia.

O pessoal da Varig foi bastante legal e nos conseguiu o mesmo hotel que a tripulação costumava ficar, portanto era um problema a menos para se preocupar.

O Bingwa, que não gostava de imprevistos, já havia anunciado aos pilotos canadenses que devido ao atraso em Recife, eles teriam que fazer o restante da etapa inteira sem escalas de descanso.

No dia seguinte logo pela manhã voltamos pro aeroporto pra aguardar a chegada dos VHF, que vieram rápido conforme prometido. Instalei e testei os dois e funcionaram perfeitamente. Uma boa maneira de conquistar a confiança dos Canadenses.

Decolamos para a Ilha do Sal com chuva, as 15:30hs, só descansaríamos agora no Zaire.
Durante o voo sobre o atlântico eu ficava observando os navios minúsculos no oceano e pensando o que aconteceria se desse um problema semelhante ocorresse na ilha do Sal, como é que as peças chegariam lá?

[Continua na parte 8]

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10 Responses to “As aventuras com o Electra na Africa – “Causos” Parte 7”

  1. josé carlos disse:

    Meu caro, fico tão motivado com a leitura sobre estas peripecias com um Electra, que instalei um no meu FSX e voo todos os dias nele. Pois é otimo. Acostumado com jatos, estou gostando muito da docilidade desse “velho guerreiro”. Obrigado por suas historias. São muito interessantes para os que amam aviões como eu e tantos outros. Parabens e obrigado.

  2. Paulo Scott Hood disse:

    Estou a cada dia abrindo meus mails e lendo as suas aventuras com nosso saudoso Electra na Africa viajo junto. Quando vi que o valor de venda foi de US$ 300.000,00 cada, senti a falta de articulação para que um Clube ou coisa parecida tivesse salvo pelo menos um deles. Foram dizimados na Africa, triste fim para uma aeronave que tanta alegria e segurança nos deu em seus 26 anos de voo no Brasil.Parabens Lito .

  3. Mariel disse:

    Esses Electras da Varig estavam bem cansados não é Lito? Cheios de defeitos, principalmente nos rádios.

  4. Rodrigo disse:

    Ainda sou novo…. tenho a idade que você tinha quando partiu para essa aventura Lito, mas fico impressionado com tamanha desenvolturas dessas águias, hoje as coisas não são tão difíceis quanto antigamente… ai sim precisaria de muito prática e conhecimento…. e a sensação de conseguir sair do solo com monte de fio, e uma grande engenhoca, pode-se dizer assim, realmente devia ser algo muito prazeroso, creio que aviação antigamente tinha um valor que não podia nem se calcular, comparado com ela hoje… Abraço Lito… aguardo o restante ancioso….

  5. Breno disse:

    E ai, lito!
    tinha feito uma pergunta sobre entrar na area de manutenção de aeronaves ha uns meses atrás, e ja estou cursando..
    fico muito feliz em ver as suas aventuras, acredito que seja uma inspiração para todos nós!
    abraços

  6. Luiz Alexandre disse:

    Estou a um bom tempo acompanhando seu blog , mais nunca cheguei a postar comentario , mais essa aventura sua , me fez ter contade de postar , show de bola…

    Tenho 14 Anos de Idade so , mais ja so aficionado por aviação , Puxei meu pai , filho de peixinho , peixinho e xD

    Ele trabalhava na VARIG , mesmo posto que voçê , na manutencao , outro aficionado pelos saudosos Electra´s , so que no SDU , n em CGO.

  7. alcidesbisnetolagespedrosanunes disse:

    lito9 porque a varig nao vendeu os electras para outras empresas aereas por que as empresas aereas da africa nao conservam nem fazem direito a manutencao dos seus avioes e esses electras deviam estar bem velhos por que ate radio tava com problemas e por que a varig nao vendeu os electras para as empresas aereas regionais brasileiras e porque a varig nao conservou melhor os electras

  8. alcidesbisnetolagespedrosanunes disse:

    lito
    porque a varig nao vendeu os electras para outras empresas aereas por que as empresas aereas da africa nao conservam nem fazem direito a manutencao dos seus avioes e esses electras deviam estar bem velhos por que ate radio tava com problemas e por que a varig nao vendeu os electras para as empresas aereas regionais brasileiras e porque a varig nao conservou melhor os electras

  9. Brito (Icaro) disse:

    Lito, apenas um comnetário: Não consigo parar de ler!!!!!

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Nota: Este post tem mais de 4 meses. Muita coisa já pode ter mudado, tem certeza que quer comentar aqui?.

 

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