As aventuras com o Electra na Africa – “Causos” Parte 1

25 / 02 / 201015 Comentários
Electra PP-VLB em Congonhas (C) Aviões & Músicas

Electra PP-VLB em Congonhas (C) Aviões & Músicas

PP-VLB em check de motores de manhã bem cedo – Hangar 2 – Congonhas

Devido a pedidos insistentes dos entusiastas (né @fraiman?), vou republicar alguns textos que retirei de um diário (já que não havia blog em 1993) que escrevi durante a minha viagem à Africa acompanhando os Lockheed Electras, que haviam sido vendidos pela Varig para empresas do Zaire e Congo [em 1993 a República Democrática do Congo se chamava Zaire e o Congo era somente Republica do Congo como é hoje]

E antes de começar a contar os causos, vamos apresentar o ator principal:

Para quem se lembra da ponte-aérea Rio/São Paulo antes da entrada dos aviões a jato, reconhecerá esse nariz gordinho do Electra II. Esse avião conseguiu criar uma paixão enorme em quem trabalhou e vôou nele, uma verdadeira escola para todos.

Em determinado momento, a Varig possuía 14 deles na frota, e com o tempo nós da manutenção sabíamos a personalidade de cada um.

É, vocês não sabem, mas os aviões possuem personalidade e também muitas diferenças entre si.

E basta falar o nome (como o Lima Bravo aí da foto) para sabermos quais as características, a história de problemas, as asas mais reforçadas, a beta light que piscava todo voo, o cockpit diferente… vários detalhes.

E tem também avião que parece que tem alma e gosta de se divertir com você. Ele dá sempre aquele mesmo probleminha, e não importa se você trocar o sistema inteiro, ele ficará bom por alguns dias e depois aparecerá o probleminha de novo. O VJM era um que gostava de voar torto.

Eles na verdade são Elas, sempre chamando atenção. Será por isso que os americanos (e outros) tratam seus barcos e aviões por “SHE” (ela)?

É, a Electra era uma nave linda.

Ela tinha alguns lugares muito difíceis de trabalhar (como a troca dos apoios da câmara de combustão, em que o mecânico saía totalmente preto de fuligem, como se tivesse trabalhado numa carvoaria) ou será que eram lugares para se treinar os mecânicos na sua arte com as ferramentas? (como esquecer a enorme dificuldade de frenar os parafusos do bico injetor #5 da câmara de combustão?).

Ela foi minha segunda escola depois da escola. Eu tenho mais fotos dela aqui do que qualquer outro avião.

E foi com Ela que eu cruzei duas vezes o oceano Atlântico em direção ao Zaire (hoje República Democrática do Congo).

E resolvi falar dela hoje depois de ler o meu diário dessa viagem de 3 meses naquele continente, porquê Ela foi o motivo da viagem e me protegeu enquanto eu estive lá.

E Ela me ensinou quais os verdadeiros limites de operação de uma máquina que voa.

No dia primeiro de março eu viajo para os Estados Unidos por quase um mês, durante este período os posts estarão programados para serem postados um por dia, perguntas serão respondidas quando eu voltar ou se der um tempinho eu acesso o blog por lá e mando bala, inclusive com novidades da viagem.

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15 Responses to “As aventuras com o Electra na Africa – “Causos” Parte 1”

  1. adhladgdahg disse:

    Boa viagem!

  2. william disse:

    Muito boa essas histórias…
    Continue a contar

  3. DAM disse:

    Olá Lito tb.? É só saudades do ELECTRA.Desejo a vc. uma boa viagen na ida e na volta claro, e traga noviades de lá. Abração

  4. Máximo disse:

    Lito, vc mencionou ai o VJM dizendo que ele voava torto, na época do Electra eu ia muito pouco a São Paulo, mais toda vez que ia e podia ver um decolando dava essa impressão, que a aeronave saia assim meio torta da pista.
    Isso era uma característica do Electra ou será que era só coincidência msm?

    • Lito disse:

      @Máximo, o voar torto era muito pouca coisa, imperceptível para os passageiros. O que você viu torto ao decolar tinha muito a ver com o vento, principalmente no SDU.
      Apesar das 4 hélices do Electra virarem pro mesmo lado, os motores viravam pro lado oposto, anulando um pouco o “conjugado de reviramento de torque”.
      Como não sou piloto não posso afirmar isso, mas o Roberto Carvalho (www.betocarva.blogspot.com) poderia te responder melhor, afinal ele voou os Electras.

      • Ricardo M Alvarenga. disse:

        @Lito, Fico muito feliz em reve-lo pois foi um periodo muito legal,onde tive uma oportunidade de conhecer pessoas muito importantes na minha vida proficional e aprendi muito.gostaria de um dia poder reve-los para contarmos nossas experiencias.Estava na Arabia Saudita e tem bastante Ex-Varig voando por la.Um amigo mandou seu blog e no comeco da historia imaginei que poderia ser vc,mas a foto matou a pane,e vc mesmo cara.
        Continue a Histori esta intrigante e divertida tb tenho alguns Causos!
        Quem sabe um dia poderiamos reunir todo o pessoal,seria muito divertido para matar a saudade,um abraco.

        • Lito disse:

          @Ricardo M Alvarenga., seria muito bom reunir o pessoal sim, ainda tenho contato com alguns daquela época (Leonildo, Citta, Gilberto, Turbofan. Manda uma foto aí pra eu ver como vc tá Alvarenga..hehehe. lito @ avioesemusicas.com.
          Vc voltou pro Brasil?
          Abração.

  5. Elen DAvis disse:

    Adoro essas estórias suas, sempre me fazem viajar na imaginação!!! E o Electra é lindo né! ou melhor LINDA :)
    A parte das personalidades e caractéristicas de cada aeronave eu já havia percebido em alguns helicopteros lá no hangar….. e eu já bati o pé com o inspetor que quero ser Aux do Tango Wiskey……. excelente escolha! rsrsrs ** If you kown what I mean…. ohhh lord!
    Have a nice trip! enjoy over there!
    And be careful during the winter time! The cold time sometimes hurt our bones…:(
    Elen-VIX

  6. Marcel Mendes disse:

    Todos os aviões sempre precisam de uma compensadinha de Rudder em vôo. O (a) Electra, como ja foi dito girava as hélices para o mesmo lado, sempre precisava de uma compensação de Rudder para decolar, que constava inclusive no Checklist… 10 UP, 3 Right and Zero. Ou seja 10 unidades de Elevator, 3 de Rudder para o lado direito e Nada de Aileron (compensadores). E ainda dávamos uma pressãozinha no pedal direito pois assim ele(a) decolava certinho.

    • Lito disse:

      @Marcel Mendes, obrigado pelas informações. Eu lembro vagamente de um Marcel lá na ponte, deve ser você.

      • Marcel Mendes disse:

        Acho que o Marcel mais famoso e único da ponte deveria ser eu mesmo (ex EIA, ex F/E). Já fazem 4 anos que saí do Brasil.

        • Lito disse:

          @Marcel Mendes, ah! Agora lembrei, o Marcel do EIA!
          Tudo bem contigo? Dureza viver aí n’outra cultura (muçulmanos aí né)?
          Tem vários ex-variguianos voando na Korean, sempre vejo eles aqui em GRU. Vai que um dia Oman Air decide expandir serviço pro BR. A Emirates já vem, a Qatar vai começar.

          Grande abraço.

        • Ricardo M Alvarenga. disse:

          @Marcel Mendes, A long Time ago.
          Marcel fico muito contente em poder encontra-los,pois lembro que quando entrei na EIA vc estava indo para F/E.
          E nos trabalhavamos com o Modestti onde aprendi muito com todos,estava ai perto na Saudi Arabian( Sama Airlines).
          Fique surpreso em encontra-los e a historia do LITO muito boa,faz a gente ficar aguardando o proximo capitulo curiosamente.E me faz lembrar de muitas pessoas e sentir vontade de reve-los novamente,muitas saudades de quando fui atender uma das “GAROTAS” em Recife que estava indo embora.

  7. Pedro Fraiman disse:

    Fui reler hoje todos os episódios da saga!

    E confesso que na primeira vez que li não tinha percebido a dedicatória! Vejo que os apelos naquela viagem para SP e no Twitter funcionaram! E fico feliz que todo mundo tenha gostado das suas histórias. Estou à espera do e-book!

  8. Brito (Icaro) disse:

    Já me amarrei na poltrona do meu electra imaginário e agora comecei a ler (viajar) nesta saga.
    O que me deiza muito feliz como um saudosista nato é você ter tido o cuidado de anotar detalhadamente esta sua experiência, ter voado ou trabalhado com o electra é algo para se vangloriar e se orgulhar, você faz parte da história da aviação brasileira,e logicamente da eterna pioneira.
    Parabéns chega a ser ínfimo ante a grandiosidade da sua experiência, mas te parabenizo por ter feito por merecer.
    Abraço e continuo devorando os textos.

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Nota: Este post tem mais de 5 meses. Muita coisa já pode ter mudado, tem certeza que quer comentar aqui?.

 

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