Nestes dias de muita chuva tenho twitado as tempestades que ocorrem sobre Guarulhos através de uma convenção usada diariamente na aviação chamada METAR (Meteorological Aviation Report).
Claro que quem não é da área ou não tem fissura por aviação não consegue interpretar o código do METAR, mas como tem havido perguntas pelo twitter, vamos dar uma olhada em como interpretar os códigos.
Hoje por exemplo, na hora da tempestade estava assim:
GRU 1927 011900Z 22006KT 9999 TS VCSH BKN035 FEW045CB BKN100 27/19 Q1016
GRU = Código IATA do aeroporto de Guarulhos, onde foi feita a medição meteorológica.
1927 = Hora Zulu atual (GMT, em São Paulo no horário de verão é GMT -2)
011900Z = Dia do mês (01) seguida da hora zulu em que foi feita a medição (1900Z)
22006KT = Direção e velocidade do vento, em graus e nós. A direção é sempre de onde vem o vento, no caso 220 o vento vem de sudoeste com uma velocidade de 6 nós (11,11 km/h)
9999 = Visibilidade predominante em metros, no caso 10Km de visibilidade (a máxima).
TS = Thunderstorms, ou tempestade na área do aeroporto. Bicho feio.
VCSH = Vicinity Showers – Chuva leve na vizinhança do aeroporto
BKN035 = 7/8 de cobertura de nuvens a 3500 pés
FEW045CB = 2/8 de nuvens a 4500 do tipo CB (cumulus nimbus) .. isso é ruim.
BKN100 = 7/8 de nuvens a 10.000 pés
27/19 = Temperatura / Ponto de Orvalho
Q1016 = Pressão barométrica
Para saber todas as possíveis variações do código demora um pouco, mas você pode colar enquanto não adquire a prática..rs
Abaixo um arquivo legal que tem no site militar da Redemet, de onde retirei para fazer este post. Basta passar o mouse sobre o bloco específico de códigos e aparece a explicação embaixo.
Lá no site tem várias informações muito interessantes sobre meteorologia.
WIDTH="500" HEIGHT="380" id="interpretacao_metar">
TYPE="application/x-shockwave-flash" PLUGINSPAGE="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" >
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Você não faz idéia da chatice e dificuldade que é para criar programas que interpretem METAR, uma amiga da faculdade quase pirou fazendo isso pra monografia dela.
Só o detalhe que VCSH não é chuva leve, como diz no flash da Redemet, é uma pancada. Chuva leve aqui no Brasil se usa -RA, não tenho lembrança de já ter visto o DZ, que seria tipo garoa mesmo.
@Lvcivs, acho que se usa errado no Brasil então. Porque SH seria “showers” = chuva leve e -RA seria “Rain” de pouca intensidade porem mais forte que SH.
Confirma?
DZ seria mais drizzle, aqueles floquinhos antes de nevar.
@Lito, SH ou pancada, seria o que a Tabela 4678 chama de descritor do fenômeno e nao o tipo de precipitação. Realmente é estranho esse Metar. E a chuva ou RA, que é um tipo de preciptação pode ser classificada como -RA, chuva leve, RA, chuva moderada ou +RA que é a chuva forte. Pra finalizar, o DZ também é um tipo de preciptação, em português, chuvisco.
Tabela 4678 pelo COMAER – Pág 21
http://www.aisweb.aer.mil.br/aisweb_files/publicacoes/fca/fca_105-002_011204.pdf
@Cunha, é isso mesmo. Eu confundi o SH, que é Showers (pancada e não chuva leve – http://www.komonews.com/weather/faq/4308002.html). Acho um problema usar o termo “pancada”, porque associamos a chuva forte o que nem sempre é o caso. A tabela do comaer é a tradução literal da tabela de metar (http://www.tpub.com/content/aerographer/14269/css/14269_132.htm), portanto correta. Outra confusão que fiz no comentário foi o DZ, que é chuvisco e não floquinhos, que é Freezing Drizzle ( http://en.wikipedia.org/wiki/Freezing_Drizzle) .
Valeu pelos esclarecimentos!
muuuuuito bom post!
sempre quis muito saber ler METAR!
vlw!
@Diogo Jucá, como funciona esse ponto de orvalho e qual a utilidade dele para um pouso ou decolagem?
@Diogo Jucá, o ponto de orvalho é importante para pilotos de avIões pequenos com motor carburado, pois indica qual a temperatura que pode começar a formar gelo dentro do carburador e consequentemente falha do motor. Não tenho certeza se é usado p/ algum cálculo em aviões a jato.