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B-17, uma história de sobrevivência na Segunda Guerra #fotos

Foto enviada para um familiar durante a guerra

Foto enviada para um familiar durante a guerra

Em 1 de Fevereiro de 1943, uma colisão aérea entre um bombardeiro B-17 e um caça sobre o cais de Túnis tornou-se o assunto preferido para uma das fotos mais famosas da Segunda Guerra Mundial.

O caça alemão que atacava a formação do 97º Esquadrão de Bombardeiros perdeu o controle, provavelmente porque seu piloto tenha sido ferido, e chocou-se com a cauda da fortaleza voadora apelidada de “All American”, pilotada pelo Tenente Kendrick R. Bragg, do 414º Esquadrão Bombardeiro.

Quando ocorreu a colisão, o caça se destroçou mas deixou pedaços fincados no corpo da B-17. O estabilizador horizontal esquerdo e o profundor foram completamente destruídos, quase cisalhado na junção com a fuselagem. Os dois motores direitos apagaram e um dos motores da asa esquerda começou a vazar óleo.

O estabilizador vertical e o leme de direção também foram danificados, a fuselagem foi quase toda separada por um gigantesco corte, ficando conectada apenas por pequenas partes da estrutura do lado direito. Os rádios, sistema elétrico e sistema de oxigênio também ficaram danificados.

Para complicar um pouco mais, um rasgo no teto de 5 metros de comprimento por 1,20 metros de largura, e a separação ia até a estação de tiro superior.

Mesmo com o cauda balançando com o vento e se contorcendo nas curvas e todos os cabos de controle danificados, exceto um cabo do profundor que ainda funcionava, a aeronave continuava milagrosamente voando.

O atirador da cauda estava preso porque não havia piso conectando a traseira do avião com o resto da fuselagem. O atirador central e o da cauda usaram pedaços do caça alemão e as cordas de seus próprios paraquedas em uma tentativa de manter a cauda e os dois lados abertos da fuselagem unidos, e enquanto tentavam manter a fuselagem inteira, o piloto continuou sua missão e soltou as bombas sobre os alvos.

Quando as portas para lançar as bombas foram abertas, a turbulência que se formou foi tão grande que um dos atiradores do meio foi jogado para a parte da cauda que estava avariada. Durante vários minutos, o restante da tripulação passou cordas dos paraquedas para trazer de volta o atirador para seu posto no centro. Quando tentaram fazer o mesmo para livrar o atirador da cauda, o estabilizador passou a balançar tão forte que começou a quebrar, pois o peso do atirador estava fazendo a cauda se manter estável, mesmo danificada. O atirador ficou então em seu posto.

A curva para voltar a Londres tinha que ser feita vagarosamente para evitar que a cauda se separasse, e ela foi tão longa que se espalhou por quase 130 quilômetros. O bombardeiro estava tão danificado que perdia altitude e velocidade e em pouco tempo estava só nos céus, já que o esquadrão ficaria vulnerável voando lento e baixo tentando acompanhar.

Caças aliados P-51 interceptaram o “All American” quando ele cruzava o Canal da Mancha e tirou esta foto:

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Os pilotos do P-51 estavam incrédulos e entraram em contato por rádio com a base descrevendo que a empenagem (cauda) estava balançando como o rabo de um peixe e que o avião não chegaria até o campo de pouso, que seria melhor enviar botes salva vidas para quando a tripulação abandonasse a aeronave sobre o oceano.

Os caças mantiveram-se ao lado da fortaleza e o Tenente Bragg fazia sinal com as mãos pedindo para os caças seguirem para a base. Bragg tentou informar também que os 5 paraquedas haviam sido usados, então 5 homens da tripulação não poderiam saltar. Ele tomou a decisão que se não podiam saltar em segurança, então ficariam com o avião e tentariam pousar.

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Duas horas e meia após ser atingido, a aeronave fez a ultima curva para se alinhar com a pista da base quando ainda estava a 80 quilômetros de distância. A descida foi feita em emergência e o pouso aconteceu de maneira normal, por incrível que pareça.

Quando a ambulância chegou, a tripulação a recusou porque nenhum mebro da tripulação havia se ferido gravemente.

Ninguém acreditava que a aeronave havia voado naquelas condições.

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A Fortaleza estava parada calmamente na pista quando toda a tripulação saiu pela porta da fuselagem e uma escada foi colocada na traseira para o atirador descer, e assim que ele saiu a parte traseira separou-se e tombou sobre a pista.

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Incrível não?

Na verdade não tão incrível, apenas a demonstração de como a estrutura de uma aeronave é bem projetada para suportar os esforços durante o voo. Parabéns a todos os engenheiros aeronáuticos que transformaram a aviação em um dos meios de transporte mais seguros que existem, e obviamente aos mecânicos que mantêm isso funcionando.

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Sobre o Autor

Um técnico com bom senso :) 28 anos de aviação comercial, de Lockheed Electra a Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
  • http://twitter.com/CesarLemos Cesar Lemos

    Tá aí uma história que só dá pra acreditar vendo :-). Será que uma boa equipe de manutencäo conseguiria colocar essa crianca pra voar novamente? Esse näo merecia virar panela.

    • Paulo Villar

      Ou mandá-lo do mesmo modo que pousou para um Museu, com a história contada ao lado do Avião.

      • http://twitter.com/CesarLemos Cesar Lemos

        Melhor ainda!

  • http://www.facebook.com/luctimm Lucas Timm

    Imagino o comandante contando esse causo no meio de outros pilotos: “E eu já pousei um avião sem profusor e só com o estabilizador direito”. Há poucas coisas mais épicas que isso :)

    • Márcio

      Haha, boa Lucas! :)
      Numa roda de pilotos, a tripulação desse B-17 realmente iria encerrar o assunto “aviação” ao contar essa história!

  • Márcio

    Caramba! Controlar um B-17 sem um estabilizador horizontal, sem dois motores, com a cauda em frangalhos e ainda completar a missão não deve ter sido tarefa fácil. Conheço gente antiga da aviação que diria: “eram pilotos de verdade pilotando aviões de verdade.”

    Não com as mesmas avarias, mas com muita dificuldade também, teve o caso do P-47 da FAB que perdeu grande parte da asa direita numa missão durante a 2ª Guerra Mundial e conseguiu retonrar à base, pousando com segurança.
    http://i1158.photobucket.com/albums/p611/canguru82/Diversas/555310_217062531747304_879804130_n.jpg

    • http://twitter.com/CesarLemos Cesar Lemos

      Perdeu 2/3 da asa e pousou sem auxíluo de automação?Tem mais detalhes da história? Pra mim, tá melhor que esse: http://meiobit.com/81376/indo-alm-do-worst-case-scenario

      • Márcio

        César

        À noite vou pegar o livro de onde digitalizei essa imagem e ver se há mais detalhes lá para postar, ok? Foi realmente uma proeza o piloto trazer esse brinquedinho para casa sem a maior parte da asa!
        Abraço!

      • http://www.facebook.com/luctimm Lucas Timm

        Essa história do F-15 sem asa também é épica.

  • http://www.facebook.com/rfbertelli Rodrigo Figueiredo Bertelli

    Se não me engano tem um filme contando essa história. Mas colocaram um pouco mais de drama. No filme o operador da torre ventral fica preso e até quase no hora do pouso fica lá. O trem de pouso não desceu, pousaram de barriga, mas o atirador conseguiu sair de lá.

    • http://www.facebook.com/rfbertelli Rodrigo Figueiredo Bertelli

      Se não me engano o nome do filme é Mephis Belle.

    • http://www.facebook.com/rfbertelli Rodrigo Figueiredo Bertelli

      Se não me engano o nome do filme é Mephis Belle.

  • Rids

    Cultura (in)útil: de acordo com algumas publicações, as escoltas desse B-17F da USAAF não eram feitas pelos P-51 nesta data e sim pelos P-47. De fato, os P-51B (motores Packard) estrearam na USAAF exclusivamente como escolta somente no final de 1943. Porém nada impediria de algum piloto de P51A (motores RR) da RAF ter tirado a foto acima, considerando o caráter extraordinário que se revelou a missão, apesar dessa função ser exclusiva dos Tbolts.

  • http://www.facebook.com/fabricio.batera Fabricio Peres Batera

    E além do bom projeto da máquina, ainda vem o bom preparo de quem comanda o avião. Para poucos.

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