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Boeing 787, como se inicia a operação de um avião novo?

Quando a gente compra um carro novo, é normal dirigi-lo com cuidado no início, passar um paninho pra tirar a poeira, arrumar um tempo para ler o manual, sentir aquele cheirinho, ver se tudo está funcionando direito, não é?

Agora imagine um avião novo. Não novo no sentido de ser “mais um”, mas completamente novo em tecnologia, manuseio, materiais…complicado não?

A introdução de um modelo novo de avião em uma empresa aérea é extremamente complexo, principalmente quando esta empresa vai operar uma aeronave que nenhuma outra empresa do país possui, pois o órgão administrador (no caso a FAA) precisa fazer todo um processo de homologação. Para terem uma idéia, esta primeira aeronave passará mais de 30 dias em testes de diversas situações até que possa assumir um voo com passageiros. É um processo demorado e muito custoso.

Pilotos precisam treinar, comissários, mecânicos, abastecedores, pessoal de carregamento, pushback, controle de manutenção, limpeza, enfim, um verdadeiro balé sincronizado para que na hora certa, o passageiro se sente confortavelmente e siga de A para B com segurança.

Em um primeiro momento, a aeronave voa com dois livros de bordo, um real e um simulado, onde problemas são reportados para que o FAA avalie como a manutenção irá resolvê-los. A Boeing criou um sistema de manuais digitais para o 787 que requer um aprendizado contínuo, pois a maneira de pesquisar problemas foi modificada, e o acesso aos sistemas embarcados agora é feito por um wifi exclusivo (não adianta querer conectar na rede do avião, você não vai conseguir :), ou seja, esta aeronave cria um novo paradigma para os mecânicos do futuro, induzindo a tecnologia da informação em seu núcleo.

Fiz um pequeno vídeo mostrando rapidamente a aeronave, prestem atenção ao teste de luzes, onde é possível ver a operação dos “leds” que geram luz ambiente de acordo com a hora do dia e percebam também o quão maior a janela é em relação as aeronaves de hoje.

Em tempo: SIM, o cockpit tem cheirinho de carro novo :)

Algumas fotos do 787, uma pena que o dia estava cinza e o avião da mesma cor não ajudaram muito na definição. O motor é quase tão largo quanto o PW4090 que equipa o Boeing 777 (uma aeronave muito maior), possui apenas 1 polegada a menos no diâmetro, mas a potência é bem menor (aprox. 65 mil libras contra 90 mil do PW). Um detalhe que chama muito a atenção: as blades do Fan são de material compósito, apenas o bordo de ataque é de titânio (a parte prateada).

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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