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Boeing 787 decolando a 90º? Claro que não.

A Boeing apresentou um vídeo com uma performance espetacular do Boeing 787-9 (assim como já havia feito em 2012 com o 787-8). O intuito dessas apresentações e manobras é “cutucar” seu concorrente direto mostrando duas coisas: flexibilidade do envelope de voo e razão de curva (rate of change na verdade).

É um display muito bonito, mas é apenas para shows aéreos, em operação regular jamais serão feitas manobras deste tipo, PORÉM, se forem necessárias para desviar de algum UFO é bom saber do que o avião é capaz.

Dito isto, a imprensa ficou maluca com o vídeo da Boeing e começou a escrever sobre coisas que não são verdade. O Huffington Post falou em decolagem “quase vertical” e em como a tecnologia avançou a ponto de lançar “toneladas de metal através do ar […]“. Primeiro que a decolagem foi muito, mas muito longe de ser vertical e segundo que mais de 70% do 787 é material plástico e não metal.

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E a imprensa nacional mais uma vez amplificou a voz da mídia internacional e todos os grandes portais passaram a escrever sobre decolagem vertical e a Info falou até em 90° como uma característica do “novo avião”.

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Por 5,6 trilhões de dólares além de decolar na vertical, chega até Marte :)

A 90º de inclinação um aerofólio produz zero sustentação. Então ou é um foguete ou um caça super power mega blast com thrust vectoring. E um olhar mais atento à perspectiva em que a Boeing filmou o ensaio de voo mostraria que o ângulo escolhido foi para causar mais dramaticidade, afinal é uma campanha de marketing. Talvez, e um grande TALVEZ é que tenha chegado a 45º de inclinação, eu apostaria nuns 40 – e esta é a atitude da aeronave, não é a trajetória de voo.

Em uma decolagem normal, o ângulo varia de 12° a 20° (o nariz mais elevado dos comerciais era do MD-11, até 25°) e para um observador já aparenta estar muito mais inclinado – imagine então o dobro disso, a 40°.

Sei que é muito legal imaginar as coisas em modo “cinema Imax”, mas as leis da física e da aerodinâmica ainda não permitem decolagens de aviões comerciais nem mesmo a 60°, quiça 90°.

Imagem Boeing Aero magazine - 2009

Imagem Boeing Aero magazine – 2009

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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