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Boeing, 80 anos de Brasil #video e história

Boeing 787 decolando em Oshkosh 2011 ©Lito

Boeing 787 decolando em Oshkosh 2011 ©Lito

Vídeo institucional da Boeing sobre os 80 anos de Brasil no final do post.

Eu gostaria de trabalhar na Boeing.

Hummm, talvez eu até trabalhe! Vamos “ver” um pouco de história.

Em 1926, nascia a empresa aéra Varney Airlines.

Por volta de 1927, depois que o Charles Lindbergh voou sem escalas de New York a Paris, houve um frisson e um grande interesse pela aviação como um todo. Nesta época, William Boeing desenvolveu uma parceria com Fred Rentschler, presidente da então Pratt & Whitney, fabricante dos motores refrigerados a ar que equipavam o modelo Boeing (Shipyard) 40A e que o transformaram em um sucesso de vendas como correio aéreo e avião de passageiros.

Em 1929, com a parceria a pleno vapor, a Boeing Airplane and Transport Corp passou a se chamar United Aircraft and Transport Corp. (UATC). As ações desta nova holding passaram a valer milhões e com o dinheiro em caixa iniciou-se um ciclo de aquisições, entre elas: Stearman Aircraft Co., Chance Vought (lembram do Corsair?), Sikorsky, Northrop, Standard Steel Propeller; Stout Airlines; National Air Transport e a Varney Airlines.

Em 1931, a UATC encerrou as atividades da Northrop e fez a consolidação com a Stearman. O Jack Northrop não ficou nada feliz com isso e se juntou a um rival da Boeing chamado Donald Douglas. A Douglas Aircraft possuía 51% das ações nessa nova parceria com o Northrop.

Dentro da Mega Corporação Boeing, a parte de transporte aéreo, incluindo a Boeing Air Transport passou a ser chamada de United Airlines, prestando serviços costa-a-costa.

A gigantesca corporação construía aeronaves, seus componentes, entregava correio aéreo, mantinha aeroportos e cruzava o país transportando passageiros. Seus pilotos e mecânicos eram treinados em uma área especial chamada Boeing School of Aeronautics, em Oakland na Califórnia.

Boeing 247 da United Airlines

Boeing 247 da United Airlines

O Boeing 247, um dos primeiros aviões modernos de transporte de passageiros foi construído para a United Airlines, parte da multifacetada Boeing Aircraft and Transportation Corp.

Com seus motores potentes (advinha quais? Lógico que Pratt & Whitney, modelo S1H1-G Wasp de 550 HP cada) , o 247 deu à United a habilidade de oferecer 10 voos diários ida e volta entre New York e Chicago.

O serviço começou em 1933, e o sucesso do 247 em operação também foi o motivo de seu fracasso, pois os competidores não podiam comprar o 247 até que os 60 primeiros tivessem sido entregues para a United Airlines, empresa da própria Boeing.

O presidente da TWA queria comprar o 247 de qualquer maneira e solicitou um acordo com a Boeing para que pudesse receber o 247 após a entrega de 20 unidades para a United, e não 60.

A Boeing não cedeu e a TWA entrou com licitação no mercado para que alguém fabricasse um tri-motor ou bi-motor equivalente ao 247, e advinha quem ganhou a concorrência? A Douglas, com o DC-1, que era maior e mais rápido que o 247. A versão de produção passou a se chamar DC-2 e após alguns refinamentos virou o legendário Douglas DC-3, que trouxe uma concorrência feroz à Boeing. O Jack Northrop estava vingado.

Com a depressão de 1934, uma legislação anti-monopólio impediu que fabricantes de aeronaves pudessem possuir também empresa aérea transportando passageiros e correio, e isto resultou na quebra da corporação Boeing em 3 partes: United Airlines, responsável pelo transporte aéreo; Boeing Airplane Co., responsável pela fabricação de aeronaves e a United Technologies (da qual a Pratt & Whitney faz parte), responsável pela fabricação de componentes.

Ou seja, no fundo eu sou um funcionário Boeing! Curioso saber que a United e Pratt & Whitney já foram parte da Boeing, e isto explica a total padronização dos motores da frota da UA antes da fusão com a Continental (que usa motores GE). Também fica fácil de entender o alvoroço que houve no mercado americano quando a United anunciou em 1993 um acordo para receber o primeiro de 50 Airbus A320 encomendados (hoje a UA opera 175 Airbus A320, A319), pois soou como uma traição à empresa da qual se originou.

Depois desse momento de história, apreciem o belo vídeo dos 80 anos de Boeing no Brasil.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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