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Bombardier (De Havilland) Dash 8 Q-400

Bombardier Q-400

Bombardier Q-400

Não é segredo o meu amor pelo ATR72, afinal é o avião que trabalho, é um avião que aprendi a respeitar e amar, no entanto um avião concorrente dele me chama atenção e eu gostaria muito de ver ao vivo e quem sabe trabalhar: o DASH 8 Q-400!

Esse avião para 70 assentos, tem uma velocidade altíssima e um motor “ignorante”. Sua origem remonta aos DHC 8 dos anos 80, cuja família foi famosa pelos DASH8-100, DASH8-200 e DASH8-300 (sendo o -200 nada mais é do que o -100 com motor do -300). Algo curioso é o ANVS – ACTIVE NOISE AND VIBRATION SUPPRESSION, um sistema desenhado para reduzir o barulho na cabine a níveis próximos aos dos jatos.

Após este ANVS, os aviões passaram a ter a denominação “Q” de Quiet. O 8Q400 voa a 650km/h, teto de serviço de 7500m sendo equipado com 2 motores PW150 de nada mais nada menos do que 5000 Shp cada um, para se ter uma idéia, um PW118 de um Embraer 120 Brasília possui 1.800 Shp! O PW127M do ATR tem 2750Shp cada um, imaginem a potência desta A/C. Ele mede 32,8m de comprimento e tem uma envergadura de 28.4m, voltando a comparar, só de envergadura ele tem 1,4 metro a mais que um ATR72, consequentemente estamos falando de um avião mais pesado também, 29 ton de MTOW.

Cockpit Q-400

Cockpit Q-400

A versão -400 nasceu em 1999, inicialmente para 68 paxs, mas logo foi criado o Q400 que entrou em serviço ainda em 2000 para 70 a 78 paxs, um avião que voa aproximadamente de 60 a 90 knots a mais que seus competidores. 2007 foi um ano difícil, pois o avião sofreu com incidentes pela SAS e ANA, por problemas no travamento do trem de pouso, que recolhia durante decolagem ou pouso, o que “queimou” um pouco o avião a ponto da SAS efetuar o phase-out do mesmo da frota.

Vale lembrar que alguns DASH 8 de geração antiga operaram no Brasil pela TABA, que operou alguns DASH 8-300, chamados na época de BOEING, pois a mesma tinha participação acionária na empresa, eram o PT-OKA, OKB, OKC, OKD, OKE, OKF. A PENTA voou duas unidades no Norte do país, PT-MPH, PT-MPI, apelidados de HOT and ICE devido particularidades do seu sistema de ar-condicionado e a TAVAJ operou a versão 8-200! No entanto o avião não pegou no Brasil como pegou os Fokker 50 e ATR. E a versão DASH 8-400 quase foi operada pela PENTA, mas não se realizou o negócio.

Simpatizo com a aeronave, acho muito bela e a performance parece ser encantadora! Já trabalhei com aviões da Bombardier no tempo de agente de aeroporto quando cuidava dos CRJ200 da Southern Winds da Argentina, neste caso o CRJ200 é um avião em conforto superior ao Embraer ERJ145. Mas voltando ao turboélice, com os dados disponíveis na brochura do mesmo, penso ser um avião altamente adequado para o Brasil, pela relação velocidade vs consumo, podendo ser um avião compatível para muitas rotas com menor consumo e maior lucro do que um 737-700 ou A319 voando batendo lata.

Cabine de Pax Bombardier Q-400

Cabine de Pax Bombardier Q-400

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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