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Britten-Norman Islander – um jipe voador

Os britânicos têm costume de escrever belas páginas na aviação, como por exemplo o pioneirismo com o COMET ou então com o velho conhecido nosso no Brasil: BAC 1-11 ou AVRO 748! Mas existe um pequeno avião britânico, que posso chamar de JIPE, um verdadeiro LAND ROVER: o BRITTEN-NORMAN ISLANDER.

Este avião começou a ser desenhado no começo dos anos 60 como um substituto do Dragon Rapide. O avião deveria ser resistente, com durabilidade, performance com excelente desempenho em qualquer campo, fácil de manter, operar, baixo custo de manutenção e operação. O desenho então fez nascer um avião asa alta, fuselagem “quadrada” com 3 portas ao longo da fuselagem para embarque de passageiros, sem corredor central entre as poltronas. 8 passageiros e 2 pilotos, estava pronto!

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Equipado com motores Lycoming IO360 (260Hp) ou IO540 (300Hp), sob suas asas além dos motores o próprio trem principal, um belíssimo flap e uma ponta de asa que tem um angulo que permitiu incrementar o seu peso de decolagem. Uma versão turboélice existiu como BN2T com motores Allison 250. Mais de 1300 aviões BN2 foram construídos, em sua maioria esmagadora com motores convencionais e quase uma centena de turboélices. Estes aviões projetados por John Britten e Desmond Norman começaram a voar em 12 de Junho de 1965 e logo foram recebidos por operadores que se apaixonaram pelo avião, seja no garimpo, seja na floresta, seja no Caribe, seja no gelo, o Islander tem uma performance operacional incrível, decolando e pousando em “quintais”, afinal qualquer pista de 400 ou 500 metros serve para o BN2 Islander. Uma versão trimotor nasceu e se chama TRISLANDER (BN2A MK III) com fuselagem alongada, trens de pouso reforçados e um motor na cauda, um legítimo “DC10 DE CORDA”.

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Tive o prazer de voar o Islander em algumas situações e é apaixonante, voando a 257Km/h em média com um peso máximo de decolagem de quase 3.000Kgs. Na ocasião voei em pistas curtas, pistas longas, pistas de concreto, terra e asfalto, com lotação completa ou com nenhum pax, o Islander se tornou o meu “GA” (General Aviation) favorito. Aliás confesso a vocês leitores que meu grande sonho seria ter um par destes aviões e desenvolver ligações aéreas sistemáticas em minha terra natal, inclusive já até desenhei tal projeto, falta o principal: CAPITAL $$$! A manutenção dele é simples, seus sistemas idem, enfim é um JIPE com asas!

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Voltando a realidade, o ISLANDER no Brasil marcou época pela VOTEC e pela FUNAI. Também foi muito utilizado no país para levantamento aéreo, cujos principais operadores foram a LASA, CRUZEIRO e GEOMAG. Atualmente o Islander não é aplicado em serviços regulares e a quantidade desses aviões no Brasil é diminuta, sendo seu maior operador individual a AXÉ AEROTAXI de Salvador (BA), que opera o PT-KQS, PT-KRO, PT-KTR. Em Belém é fácil ver o PT-KTP voando e por fim existe uma versão paraquedista no Rio de Janeiro, PT-WMY, e um executivo muito lindo que é o PT-WOU, visto em diversos lugares entre o Centro-Oeste e Nordeste.

Seu som é inconfundível, ainda que diversos aviões utilizem os Lycoming IO360/IO540. Falando em som, este é um inconveniente da aeronave, o nível de ruído a bordo e a lentidão, no entanto seu custo operacional ao redor de US$400,00 por hora de voo em média, o faz ser um grande player para táxi aéreo e empresas no Caribe e no alto da América do Sul (Especialmente Suriname).

Para galera que curte este tipo de aviação, fica a recomendação virtual de o voar no FSX através do modelo da VIRTAVIA-FLIGHT1.


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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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