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Coisas que são difíceis de entender…

Sinceramente, é muito mais fácil entender como um avião é construído e voa do que algumas pérolas da política.

Está lá no site oficial da copa do mundo de 2014:

Guarulhos e MP pedem compensação ambiental a empresas aéreas

Da redação
postado em 22/07/2010 16:15 h
atualizado em 22/07/2010 16:18 h
O Ministério Público Federal instaurou 42 inquéritos civis contra empresas aéreas solicitando que sejam apurados danos causados pela emissão de dióxido de carbônico (CO²) em operações de pousos e decolagens realizadas no aeroporto de Cumbica. Os inquéritos foram instaurados a pedido da prefeitura de Guarulhos.

A prefeitura propõe a criação de um fundo de compensação ambiental que permitiria aumentar a área coberta por florestas na cidade de 30% para 45% do território. A compensação seria utilizada para remover famílias e favelas de Áreas de Proteção Permanente (APP), e para a recuperação de nascentes, córregos e matas ciliares.
[…] Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Secretaria de Meio Ambiente de Guarulhos indicam que as aeronaves chegam a despejar anualmente 14,4 milhões de toneladas de CO² no céu de Guarulhos em operações de pouso e decolagem.

Segundo a prefeitura de Guarulhos, Cumbica recebeu cerca de 21 milhões de passageiros e transportou 425 milhões de toneladas de cargas em 2009.

Vejam bem, eu não sou contra um fundo destes, afinal há que se ter uma compensação para o meio ambiente em virtude da emissão de poluentes, esta é a tendência mundial para um mundo melhor.

Mas vamos ver um outro lado: A maioria dos voos internacionais que chegam a GRU, pousam de manhã (quanto tempo dura um pouso e um taxi até o gate?) e ficam o dia inteiro no aeroporto para saírem novamente a noite. Os aviões que não ficam o dia inteiro, ficam pelo menos 2 horas no solo entre o pouso e a próxima decolagem.

As empresas aéreas não são burras, e para economizar combustível e equipamento, não deixam o APU de suas aeronaves funcionando, mas precisam ligar suas aeronaves a uma fonte externa de energia elétrica (GPU) e uma fonte de ar condicionado (ACU).
Os aeroportos americanos possuem GPU e ACU disponíveis diretamente no finger (o portão de embarque). Quando o avião encosta no gate, desliga os motores e os agentes de rampa já ligam o ar condicionado e a GPU, proporcionando um ambiente mais limpo menos ruidoso.

Agora vamos voltar ao aeroporto da cidade que está pleiteando cobrar das empresas aéreas uma taxa por sujarem o meio ambiente: Cumbica nunca teve ACU’s disponíveis como infraestrutura básica (projeto errado), mas possuia cabos para suprir as aeronaves com energia elétrica.

Como assim possuia? Não possui mais?

Pois é, lembram do apagão de 2001? Naquela época era preciso economizar energia, e para tal a Infraero decidiu desligar provisoriamente os geradores do aeroporto que forneciam este serviço aos aviões . Esta medida provisória está em vigor até hoje, 9 anos depois do apagão. Os geradores nunca mais foram ligados.

E o que tem a ver esse desligamento com a emissão de poluentes?

Isto:

Para cada aeronave parada em Guarulhos que não tenha seu APU ligado e precise estar energizada, tem que ter uma GPU como essas conectadas.
Essas GPU’s possuem motores a diesel extremamente barulhentos lançam muitos poluentes na atmosfera, por horas e horas e horas (e não só durante o pouso ou decolagem).

Temos então geradores e cabos por todo aeroporto que não são ligados sabe Deus porque, que baixariam e muito o nível de ruído na rampa e a emissão de poluentes na atmosfera, e que imagino sejam de responsabilidade da Infraero, e no entanto o MP (Ministério Público) e a cidade de Guarulhos querem cobrar os pousos das empresas aéreas que trazem passageiros para a cidade (imagine só quem vai acabar pagando esta taxa?).

Cadê a infraestrutura?

Dá pra entender?

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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