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Como funcionam as máscaras de oxigênio em um avião?

Como funcionam as mascaras de oxigênio em um avião? Existem compartimentos de oxigênio separados ou é um só e são interligados?

Curiosa esta pergunta não? Em caso de despressurização, de onde será que vem tanto oxigênio para tanto passageiro?

Bem, como há mais de uma resposta para esta pergunta, vou intencionalmente deixar de lado a maneira antiga e falar apenas de como funciona nos aviões modernos ok?

Antes de começar convém deixar claro que o oxigênio que os pilotos usam vem de um sistema totalmente diferente e isolado do sistema dos passageiros. O oxigênio da tripulação é armazenado em uma garrafa de oxigênio de aviador, com pressão controlada pela manutenção e mais puro do que oxigênio usado em hospitais.

Agora vamos ao sistema dos passageiros: Os aviões mais modernos utilizam um “cartucho” químico, chamado de Oxygen Generator (Gerador de Oxigênio) que fica localizado logo acima da caixa onde as máscaras ficam armazenadas (ver desenho abaixo).

E como elas sabem a hora de cair?

Bem, se houver uma descompressão na aeronave por qualquer motivo, um sensor de altitude de cabine (um tipo de cápsula aneroide) percebe que a pressão interna do compartimento dos passageiros diminuiu e um comando elétrico é enviado para todas as caixinhas que ficam acima da cabeça dos passageiros (e mais algumas que ficam nos banheiros e acima dos assentos das comissárias).
Este sinal elétrico vai acionar um atuador que mantém a porta fechada e ela destrava, fazendo as máscaras aparecerem magicamente na frente dos passageiros (que devem permanecer calmos <<< importante). Quando as máscaras caem, eles ficam presas por um fio (cabo de acionamento). Quando você puxa a máscara para por no rosto, esse cabo aciona um gatilho no gerador de oxigênio e uma mistura química ocorre dentro daquela "lata" azul do desenho - Cloreto de Sódio+Peróxido de Bario+Perclorato de Potássio. Quase instantaneamente essa mistura cria oxigênio, que pode durar até 15 minutos (em caso de descompressão, em questão de 3 ou 4 minutos o piloto já terá descido a aeronave para uma altitude em que se possa respirar - abaixo de 10 mil pés, portanto 15 minutos é muito mais do que suficiente). Um detalhe interessante: Essa mistura química para produzir o oxigênio gera um calor absurdo dentro da "lata", e a temperatura pode chegar a 260º C (pra quem lembra do acidente que aconteceu com o  ValuJet  592,a causa principal foi o transporte irregular de geradores de oxigênio, que se incendiaram dentro do porão de carga). Lembram das aulas de química sobre misturas né?

Então é assim que funciona o sistema de oxigênio em aviões modernos, simples, eficiente e leve.

Agora a parte interessante :)

_Todas estas máscaras são dobradas e encaixadas de uma maneira específica, para que não aconteça uma falha do tipo que a porta do compartimento abra e a máscara não caia para o passageiro. Apenas pessoal treinado deve “dobrar” essas máscaras e fechar a caixinha.

_Como o pessoal da manutenção vai ter certeza que todas as portinhas vão abrir e as máscaras vão cair quando houver uma emergência? Heim? Heim?

Bem, tem um switch no painel dos pilotos que acionam todas as portas para abrir, mas se ele for acionado e todas as 300 e poucas máscaras de um 777 caírem, vai demorar umas 5 horas pra dobrar tudo e “resetar” cada acionador da porta… hummm, convenhamos que não é uma atitude inteligente certo?

Pensando nisso os engenheiros criaram uma travinha que fica embutida na porta, a manutenção tem que colocar todas as travinhas em determinada posição e acionar o switch. As portas vão destravar e descer alguns centímetros e encaixar nesta outra travinha, evitando que as máscaras se desdobrem, mas vai ser bem perceptível que a porta abriu e as máscaras se deslocaram.

Muito bem bolado e facilita muito o trabalho dos mecânicos.

Cada detalhe é tão bem pensado na aviação que só a mídia consegue inverter toda a lógica da segurança.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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