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Como o piloto de um caça supersônico faz xixi durante o voo?

Pergunta da leitora Fabiana:

Olá, eu estava procurando curiosidades aeronauticas, quando encontrei o blog, achei super interessante.
Porém tem uma coisa que me deixa curiosa.
Uma vez li em um artigo que durante a segunda guerra mundial, pelo fato dos pilotos homens serem indispensáveis em operações diretamente ligadas ao front, existiam algumas mulheres que pilotavam aviões em outras operações menos táticas, como translados de aviões, cargas, entre outras.
Um fato estranho era que, pela pouca quantidade de pilotos mulheres não existia equipamento anatomicamente compativel, e dessa forma, as mulheres chegavam a fazer voos com mais de 6 horas sem poder fazer xixi!
Claro que em aeroaves maiores isso não é problema, lembrei disso quando vi reportagens recentes sobre mulheres na FAB, e quando são caças? Existe tubo adaptado para mulheres?

As respostas fácies primeiro: Até alguns anos atrás, a autonomia dos caças não causava essa preocupação com o “chamado da natureza”, portanto não havia uma movimentação da indústria para solucionar o problema.

Conforme a autonomia dos jatos foi crescendo, os pilotos passaram a ingerir pouco líquido antes das missões para evitar a vontade de ir ao banheiro, isto porém causava desidratação que prejudicava a performance em manobras de alta Força “G”. Além disso, alguns pilotos “seguravam” a vontade e isso começou a causar desconforto e problemas na bexiga, além de incontinencia.

A primeira tentativa de resolver o problema pela força aérea americana foi a criação de uma espécie de copo que era dado aos pilotos, porém eles tinham que soltar o cinto de segurança para “se aliviarem” e abrir o macacão de voo. Por causa desse procedimento, pelo menos dois acidentes aconteceram, sendo que em um deles o cinto de segurança ficou preso e travou o manche.

A segunda tentativa foi a colocação de um catéter, mas isto causava dor e desconforto e foi logo abandonado. Então, uma companhia inventou uma “saco”, chamado de “piddle pack”. Era um saco plástico com um zíper que continha esponjas absorventes com um produto químico em seu interior, que transformava a urina em gelatina, porém este “saco” causava problemas com os uniformes e com as mulheres.

E quando as mulheres começaram a se tornar cada vez mais presentes na pilotagem de caças, foi inventado uma espécie de funil para que elas pudessem mirar a urina dentro do “piddle pack”, mas isso era tão difícil que na prática não conseguiam usar.

Próximo passo, voltar ao básico, uma invenção muito velha para problemas de incontinencia: Fraldas. Os pilotos não tiveram problemas em usar as fraldas, afinal era isso ou fazer as necessidades no macacão de voo. As fraldas acabaram substituindo os “piddle pack”, pois muitos pilotos não os usavam.

Finalmente, em 2008, uma empresa chamada Omni Medical Systems criou um produto chamado AMXD (Advanced Mission Extender Device). Esse AMXD é muito parecido com uma cueca do tipo boxer (ver imagem), que possui um pequeno copo para os homens e um tipo de absorvente para as mulheres.

AMXD para homens

AMXD para homens

O sistema conta com uma pequena bomba que succiona a urina para dentro do saco coletor.

AMXD

AMXD conectado no macacão de voo

O preço do sistema inteiro era de US$ 2000 no ano de lançamento, mas acredito que seja mais barato agora.

Os pilotos americanos já usam o AMXD como padrão, assim como alguns países europeus. Não sei se os pilotos da FAB o usam ou algum outro sistema, se alguém souber deixe a informação nos comentários.

E se de vontade de fazer um número 2? Bem….

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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