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Como vejo o acidente com o Fokker 100 da Avianca hoje em Brasília

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Nesta sexta-feira, 28 de março de 2014, um Fokker 100 da Avianca (MK-28 como anunciado pela empresa), Prefixo PR-OAF, procedente de Petrolina com destino a Brasília, com 44 passageiros e 5 tripulantes a bordo, pousou com o trem do nariz recolhido após circular a cidade gastando combustível.

Obviamente algumas pessoas já associaram o acidente com problemas “naturais” do Fokker 100 – nada mais falso. Aliás, tem um pouquinho da história do F-100 aqui no Blog, pra quem acha que o avião não presta.

Vejo este acidente de maneira profissional como o piloto a tratou nesta gravação: Ocorreu uma falha em um sistema primário que comprometeu a capacidade de estender o trem de pouso. Conforme o projeto da aeronave, em que falhas deste tipo são previstas, a aeronave pousou sem nenhum problema – ninguém se machucou, não houve fogo, não quebrou nada e em algumas semanas o avião vai estar voando novamente.

Não há muito romantismo nem drama. Qualquer componente mecânico ou eletrônico está sujeito a falhas em qualquer avião. O que importa saber é que há contingências projetadas para as piores falhas, e essas contingências quando associadas ao profissionalismo e treinamento, resultam em vidas sem nenhum arranhão e com história para contar aos filhos. Infelizmente, se fosse um pneu furado em um ônibus, estaríamos amargando as vidas perdidas em ribanceiras por esse país afora.

O que aconteceu hoje em Brasília não foi sorte dos que estavam a bordo. Aconteceu exatamente o que teria de acontecer se uma falha de trem de pouso deste tipo ocorresse. Qualquer notícia mais do que isso fica a cargo da mídia e dos portais na Internet.

P.S. O piloto menciona no áudio que perdeu um dos sistemas hidráulicos. Mais uma vez o projeto de redundância funcionou como deveria, pois a aeronave não perdeu manobrabilidade. Por acaso, hoje foi aniversário de um tio que é mecânico de motores de carros e ônibus há muito tempo. Minha prima perguntou se eu não poderia levá-lo para ver um motor a jato de perto. Como no aeroporto é impossível, levei-o até o laboratório da Universidade. Além de motores a jato, há também motores convencionais lá, e ele me perguntou por que havia duas velas de ignição em cada cilindro. Eu respondi: porque isso é motor de avião, não é de carro. Tudo em avião é projetado com a percepção de que alguma coisa pode falhar, por isso é tão seguro.

Update 29/03/14 – Adicionado vídeo do pouso.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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