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CRM – Crew Resource Management [Parte 1]

Objetivo do CRM

O objetivo do CRM na aviação é reduzir o erro Crew resource managementhumano, fornecendo à tripulação uma variedade de estratégias que ajudarão a melhorar sua eficácia. Uma definição amplamente aceita de CRM é o uso eficaz de todos os recursos humanos, de hardware e de informações disponíveis aos pilotos para garantir a segurança e eficiência das operações de voo. Ao contrário dos treinamentos tradicionais de treinamento voltados ao conhecimento técnico e às habilidades necessárias à pilotagem de uma aeronave, o CRM foca nas habilidades cognitivas e interpessoais críticas. Pesquisas demonstram que pilotos com treinamento recente em CRM são mais capazes de lidar com novas situações do que aqueles sem treinamento recente em CRM. ¹ Treinamentos periódicos em CRM são importantes para manter a proficiência, pois a falta de reforços tendem a facilitar o esquecimento das habilidades e atitudes adquiridas durante o treinamento inicial.

A evolução do CRM

A origem do CRM se deu no ano de 1979, onde uma oficina patrocinada pela NASA sobre “Gestão de Recursos na Cabine de Comando” identificou o erro humano como a principal causa de vários acidentes de grande destaque. Desde essa oficina várias gerações de CRM surgiram. Os Primeiros treinamentos (primeira geração), que eram por natureza muito modulares, foram adaptados a partir de cursos de formação em gestão que eram fortemente baseados em psicologia.

Em 1986, a segunda geração do CRM começou a se concentrar mais em dinâmicas de grupo, assim, o nome foi alterado de “Cockpit” para “Crew” Resource Management. Semelhante aos cursos de CRM de primeira geração, os de segunda geração também eram apresentadas de forma muito modular, cobrindo tópicos como tomada de decisões, formação de equipe, estratégias informativas, conciência situacional e gestão do stress. Esta geração do CRM viu uma mudança de atitude em relação ao treinamento em CRM, e o reconhecimento que o CRM deveria ser incorporado em todos os aspectos de treinamentos e operações.

Quase ao mesmo tempo que a segunda geração de treinamentos CRM iniciaram, a terceira geração surgiu, esta defendia uma abordagem sistêmica ao treinamento, ampliando o público-alvo para outros tripulantes, despachantes, mecânicos e frequentemente incluindo discussões sobre questões organizacionais, tais como cultura corporativa. Esta geração também resultou no aumento dos esforços para:

  1. integrar o CRM nos treinamentos e nas operações áereas, identificando habilidades e comportamentos específicos que aprimorariam a coordenação entre a tripulação;
  2. oferecer cursos de CRM exclusivos que testariam os tripulantes e outras pessoas envolvidas em treinamentos;
  3. oferecer treinamentos de reforço e
  4. avaliar as habilidades e comportamentos em CRM.

A quarta geração do CRM surgiu no início dos anos 1990, quando a FAA (Federal Aviation Administration) iniciou o AQP (Advanced Qualification Program) voluntária. O AQP deu aos operadores maior flexibilidade ao longo da formação para atender as necessidades da organização, no entanto, prevê que os operadores deva fornecer cursos de CRM e LOFT (line oriented flight training) como também a integração do CRM na formação técnica. Como resultado, houve um movimento no sentido da integração do CRM nos manuais de rotina e checklists, bem como na avaliação das competências CRM em simuladores.

Como resultado da crescente preocupação de que o foco original do CRM havia sido perdido, uma quinta geração do CRM surgiu.² A Organização Internacioanl da Aviação Civil (ICAO, sigla em inglês) afirmou que o objetivo fundamental da formação CRM é “melhorar a segurança do voo através da efetiva utilização de estratégias de gestão de erro do indivíduo, bem como das áreas sistêmicas de influência” e propoz a incorporação do TEM (threat and error management) ao CRM. A quinta geração do CRM representou o retorno ao objetivo original do CRM, que é a redução do erro humano, que pode ser definido como uma “ação ou omissão que leva ao desvio das intenções da tripulação ou dos requisitos situacionais, tais como políticas, regulamentos e padrão de procedimentos operacionais (SOP)”. Gestão de erros, no contexto do treinamento CRM, são as ações tomadas tanto para reduzir a probabilidade de ocorrência de erros (prevenção de erros) quanto para lidar com os erros cometidos, quer seja através da detecção e correção antes que eles tenham impacto operacional (interceptação de erros) ou para conter e reduzir a gravidade das consequências (mitigação do erro). A quinta geração também inclui instruções sobre as limitações do desempenho humano, focando no fornecimento de estratégias que previnem, isolam ou atenua os erros que podem ser encontrados durante o vôo. Tópicos de gerações anteriores dos treinamentos em CRM são frequentemente incluídos nos programas da quinta geração, no entanto, os módulos foram alinhados com o tema geral de gestão de erro.

A última geração do CRM começou onde a quinta geração do treinamento parou. Após uma série de estudos nas Line Operations Safety Audits (LOSA, Auditorias de Segurança nas Operações de Linha) da Universidade do Texas realizados pela grupo de pesquisa Human Factors Crew Resource Project constatou que os pilotos eram muitas vezes obrigados a gerir ameaças, erros e estados indesejados da aeronave. O TEM defende a análise cuidadosa dos riscos potenciais e a tomada das medidas necessárias para evitar, isolar ou mitigar as ameaças e erros antes que elas levem a aeronave a um estado indesejado. Em outras palavras, o TEM destaca a antecipação, o reconhecimento e a recuperação como os princípios fundamentais por trás do gerenciamento das ameaças e erros. ³ O TEM também reconhece a importância do gerenciamento dos estados indesejados da aeronave, uma vez que este representa a última oportunidade que os pilotos possuem de evitar um resultado adverso.

Legendas

1 Federal Aviation Administration. Crew Resource Management Training, Advisory Circular: AC 120-51E, 2004.

2 R. L. Helmreich and A. C. Merritt, Error and error management, University of Texas Aerospace Crew Research Project Technical Report No. 98-03, Austin, 1998.

3 A. Merritt and J. Klinect, Defensive Flying for Pilots: An Introduction to Threat and Error Management, The University of Texas Human Factors Research Project: The LOSA Collaborative, Austin, Texas, 2006.

Leia a parte 2.

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Sobre o Autor

Sou aluno do curso de Piloto Comercial e tenho como objetivo me tornar piloto de uma grande companhia aérea.
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