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CRM – Crew Resource Management [Parte 2]

Desenvolvimentos recentes

Pesquisas no campo de fatores humanos aplicados ao CRM estão em andamento, e novas iniciativas continuam surgindo. A integração do CRM nos treinamentos e nas operações através de SOPs claramente definidos, representam um passo em direção à definição de procedimentos CRM ao invés da simples busca de treinamentos de conscientização. Muitos operadores tem reconhecido a importância do treinamento LOFT como forma efetiva de ensino do CRM porque possibilita ao piloto a prática das habilidades em CRM como também o recebimento de reforços valiosos.

Nos últimos anos tem ocorrido um movimento em direção ao aumento do foco na tomada de decisão durante os treinamentos CRM. Esta abordagem entende que a efetiva tomada de decisão é o indicador mais importante do sucesso de uma tripulação.

No Reino Unido, a CAA estabeleceu uma série de rigorosos requisitos para a certificação de instrutores de CRM (CRMI, sigla em inglês) como também para os Instrutores Examinadores de CRM (CRMIE, sigla em inglês). 4 Este processo de certificação é projetado para ajudar a garantir um processo padronizado de instrução e avaliação dos cursos CRM. Os indivíduos que receberam este certificado comprovaram que possuem experiência prévia relacionada ao assunto, como também demonstraram que possuem os conhecimentos e as habilidades necessárias para ministrar e avaliar os cursos de CRM antes de serem autorizados a desempenhar essa função. No Reino Unido, o processo de certificação também envolve a revalidação de certificados, garantindo assim que os CRMIs e os CRMIEs previamente qualificados continuam atendendo aos padrões exigidos no treinamento CRM. No Canadá é obrigatório experiência, treinamento ou qualificação prévios.

CRM Melhores Práticas

O padrão da indústria para tripulações compostas em aeronaves é o desígnio do pilot flying (PF), que é o responsável pelo controle da aeronave e do pilot not flying (PNF), que é o responsável pela execução de outras tarefas como a comunicação via rádio, gerenciamento de checklist e da operação do FMS. Esta divisão de tarefas é projetada para otimizar a eficiência da tripulação, prevenir a sobrecarga de tarefas, e para evitar a confusão sobre as responsabilidades de cada um no voo.

Em caso de emergência, a delegação de tarefas é fundamental para maximizar a eficácia da tripulação e garantir a segurança de voo. Isto é melhor realizado atribuindo responsabilidades ao PF e ao PNF explicitamente. 5 Durante uma emergência, é geralmente aceito que o capitão tente reduzir as demandas de processamento de informações delegando tarefas rotineiras ao primeiro oficial. 6 Como exemplo, o SOP da Cougar Helicópteros define que:

Por alguma ação corretiva pode ser apropriado ao PIC (Piloto-em-comando) passar o controle ao F/O (Primeiro Oficial) para conseguir gerenciar a emergência de modo mais efetivo. Em muitos casos, a experiência do PIC poderá ser melhor utilizada na gestão geral de uma condição anormal ou de emergência do que na manipulação dos comandos de voo.

Isso disponibiliza ao capitão uma crucial capacidade mental para melhor processar os estímulos do meio ambiente, solucionar uma emergência, trabalhar na execução do checklist mais apropriado, e coordenar atividades dentro e fora do avião. Se um indivíduo tenta assumir muitas responsabilidades, tarefas críticas poderão ser desnecessariamente atrasadas ou omitidas.

O capitão de uma aeronave de tripulação múltipla precisa aprender a reconhecer seus pontos fortes e fracos em si e nos outros, e a delegar tarefas para fazer melhor uso dos recursos disponíveis. Por exemplo, um primeiro oficial que possui extensa experiência em um tipo de aeronave estará melhor qualificado a ajudar na resolução de problemas do que um primeiro oficial com relativa pouca experiência em um tipo de aeronave. Por outro lado, um primeiro oficial inexperiente provavelmente terá pouca dificuldade em executar tarefas rotineiras de voo baseadas nas ordens do comandante. Ao se deparar com uma tarefa não familiar, como coordenar a execução de um checklist ambíguo em uma emergência potencialmente crítica, primeiros oficiais inexperientes poderão se sentir sobrecarregados rapidamente. Isso poderá resultar em:

  • Atraso ou omissão na execução de passos importantes;
  • Falhas de comunicação;
  • Reversão para comportamentos aprendidos previamente em outras aeronaves.

Devido às limitações humanas no processamento de informação, os pilotos devem ter o cuidado de evitar a sobrecarga de trabalho. Para combater a sobrecarga, as tarefas devem ser cuidadosamente priorizadas, alocando efetivamente as tarefas no cockpit, e gerenciando as distrações. Uma das filosofias mais amplamente difundidas na aviação para priorizar tarefas é a famosa filosofia pilotar, navegar e comunicar. O capitão é responsável por assegurar que essa priorização seja mantida, o que é ainda mais crítico durante uma emergência. Na medida que o nível de estresse aumenta, a tripulação deve se manter focada às tarefas à mão, certificando-se que estão seguindo corretamente os SOPs e concluindo oportunamente os checklists. De extrema importância durante qualquer emergência é a pilotagem da aeronave e o gerenciamento das ações imediatas. Se a comunicação externa tornar-se mais prioritária do que voar e navegar, as margens de segurança poderão ser significativamente reduzidas.

Legendas

4 Civil Aviation Authority, Standards Document No. 29 Version 4 – The Crew Resource Management Instructor (CRMI) and Crew Resource Management Instructor Examiner (CRMIE) Accreditation Framework, 2009.

5 R. K. Dismukes, G. Young and R. Sumwalt, “Cockpit interruptions and distractions: Effective management requires a careful balancing act”, ASRS Directline, 10, 3, 1998;

6 T. Beneigh and T. P. Hubbard, “CRM Vectors 2007”, International Journal of Professional Aviation Training &Testing Research, 1(1), 2007, 29-37.

Leia a parte 3.

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Sobre o Autor

Sou aluno do curso de Piloto Comercial e tenho como objetivo me tornar piloto de uma grande companhia aérea.
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