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Por que não colocam uma proteção nos motores a jato pra não entrar pássaro?

A resposta bem curta: Porque NÃO é viável!

A resposta longa: vou comentar alguns motivos do porquê não é viável colocar uma proteção na frente do motor.

Pra começar, uma foto (que sempre vale mais que mil palavras) que mostra um motor a jato padrão na aviação comercial de longo curso próximo à potência de decolagem:

Bem, sem explicar muita coisa, apenas vendo esta foto, já sei que muita gente já entendeu que colocar uma proteção ali na frente seria algo no mínimo “complicado” né?

Percebam os enormes vórtices que se formam com a sucção! Quando o motor está neste regime de potência, ele precisa de todo o ar que estiver na frente e mais um pouco, senão acontece um fenômeno tão perigoso quanto um pássaro sendo ingerido: Surge (stall) de Compressor. Não vou entrar em detalhes sobre surge, mas seria como uma “tossida” do motor por falta de ar, e quando um motor deste tamanho “tosse” em potência de decolagem, só há uma coisa a fazer: trocar o motor.

Então, temos o primeiro motivo que impede a instalação de qualquer proteção: vai atrapalhar a principal comida do motor a jato: AR!

Vamos ao segundo: Resistência. Digamos que os engenheiros conseguissem resolver o problema do ar entrando no motor através de uma proteção com formato de aerofólio que conseguisse diminuir muito a influência dos vórtices na entrada, essa proteção teria que ser resistente a um impacto de 7 toneladas (que é o que um pássaro pesa quando bate). Haja resistência heim? E teria que ser resistente a ponto de nem deformar, porque se deformasse causaria turbilhonamento do ar e aí voltaríamos ao problema número 1.

Terceiro problema: Digamos que os engenheiros fossem phodões o suficiente para criar a proteção perfeita, fina para não causar turbilhonamento e resistente a ponto de aguentar as 7 toneladas, ainda assim teríamos um outro problema: pra onde iria os pedaços da ave? Ela seria triturada antes de atingir o fan ou ficaria pendurada na proteção, causando turbilhonamento?

Quarto problema: Gêlo! Uma proteção aerodinâmica na frente seria uma excelente plataforma para formar gêlo, o que levaria os engenheiros phodões a ter que criar um sistema de anti-gêlo que não poderia ser por ar sangrado do motor, já que a proteção seria fina para não causar turbilhonamento (lembra?), então teria que ser algo elétrico, o que encareceria o projeto e pior, acrescentaria peso e maior consumo de combustível (um crime na aviação).

Há ainda outros pontos a levantar (separação inercial, flexibilidade das palhetas do fan, etc) , mas acho que estes já são suficientes pra todos entenderem porque não se inventa uma proteção contra pássaros nos motores a jato né? O caminho mais lógico é o que os engenheiros fazem hoje, aumentam a resistência dos motores cada vez mais para suportar impactos cada vez maiores.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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