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Dash 8, o Boeing Canadense

Há algum tempo escrevi sobre os Q400, o DASH 8 maior e mais moderno, mas optei agora por contar a passagem do tipo no Brasil nas versões -300 e -200.
A TABA operava na região Amazônica desde 1976 e vivia turbulentos momentos com sua frota de FH227 Hirondele, a direção da empresa simplesmente partiu para uma ousada empreitada de renovação de frota e trouxe os dois primeiros DASH8-300 de toda América do Sul, o avião foi chamado de BOEING DA TABA! A razão? Na época a De Haviland Canadá era subsidiária da Boeing e claro a empresa Amazonense puxou a sardinha para o seu lado ao receber o PT-OKA e PT-OKB.

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O avião começou a ser empregado em rotas como Belém – Itaituba – Alta Floresta – Cuiabá ou Manaus – Altamira – Monte Dourado – Parintins – Manaus – Tefé – Tabatinga. O sucesso do avião fez com que o PT-OKC fosse encomendado e recebido em 1991, seguido do OKD, OKE e OKF em 1992. A aeronave estava dando super certo na companhia, mas o preço da passagem versus os custos não fechava a conta, ainda que tivesse aberto a linha Manaus – Boa Vista – Georgetown / Belém – Macapá – Caiena, o avião causava dificuldades financeiras para a empresa e foi empregado em linhas do sul do país…isso mesmo uma empresa regional amazônica operando Pampulha – Rio ou até mesmo vôos para Ilhéus na Bahia.

O modelo encerrou sua história na empresa em 1996 quando os três últimos equipamentos foram devolvidos, mas ainda em 1996 a TAVAJ Linhas Aéreas buscou o DASH 8-200 que nada mais era do que o pequeno DASH 8-100 com motores do DASH 8-300, que permitia uma operação quente e alta, ou seja menores restrições. Embora a capacidade típica deste avião seja de 37 assentos, a TAVAJ operou com muito conforto com 29 assentos, não pelo passageiro, mas pela suplementação tarifária. O avião retornou em 2000 para o fabricante encerrando a sua participação na TAVAJ que operou sempre no Norte do País e algumas cidades do Centro-Oeste.

Mas o DASH 8 não teria sua página encerrada no país, pois no comecinho de 1998 a PENTA, empresa paraense sediada em Santarém, trouxe o PT-MPH e PT-MPI, rapidamente batizados de Hot e Ice, por particularidades do seu sistema de ar-condicionado. Mas novamente as particularidades daquela região do país levou a PENTA a operar por apenas 2 anos o avião em diversas rotas, mas sem conseguir lucratividade suficiente para sustentar a operação. A empresa Paraense chegou a cogitar o DASH-400 com o qual voaria o arco-norte de Manaus a Belém pelas capitais dos 3 países “ali de cima”, mas isso não ocorreu e a empresa dedicou-se a voar o EMB120 Brasília até que encerrasse suas operações.

Ainda restou um avião operado por 3 meses em 1997 pela PANTANAL, enquanto esta não recebia um ATR encomendado em um contrato em favor da PETROBRÁS: foi o N106AV, da Surinam Airways que operou pela empresa Brasileira naquela região.

Encerrou-se assim a historia dos DASH8 no território nacional, pelo menos até o dia que alguém trouxer novamente este tipo ou apostar no veloz Q400.

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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