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De-Icing – Como descongelar um avião para decolar com segurança?

Em dezembro último, quando começaram a cancelar diversos voos nos Estados Unidos por causa das nevascas, eu publiquei uma foto impressionante neste post, que suscitou uma pergunta de um leitor: Como é feito o De-Ice? .
Primeiro um pouco de história. (Podem clicar nas miniaturas das fotos para dar zoom).

Conforme a época de nevasca de aproxima, quase ninguém conhece mais sobre o processo de de-icing do que uma pessoa com 50 anos de experiência no setor – o Diretor de Serviços de Rampa da United, Jack Lampe, chamado de “o Deus do Descongelamento”.
Jack completará 50 anos de United em Fevereiro e foi um dos principais desenvolvedores de processos críticos de de-ice para assegurar operações seguras durante o inverno. As melhorias criadas por ele fizeram com que o trabalho dos funcionários que fazem de-ice ficasse mais fácil e seguro.

“Jack guiou a United e a indústria aeronáutica como um todo pelas últimas 5 décadas em relação a de-icing” diz Steve Bastas, supervisor senior de abastecimento e operação de de-ice. “Ele sabe mais sobre o processo de de-ice do que qualquer outra pessoa e ajudou a United a se tornar uma líder da indústria neste processo.”

Trabalho lento e delicado.

Trabalho lento e delicado.

Jack introduziu e liderou a implementação de de-ice usando fluído anti-ice em 1987, quando a United se tornou a primeira empresa na América do Norte a fazer isso.

“O processo mudou dramaticamente através dos anos,” diz Jack. “Teve uma época que fazer de-ice consistia em dar vários nós numa corda e arrastar pra frente e pra trás nas asas para limpar a neve”.

“Também teve uma época em que demorava até 3 horas para aquecer o fluído de de-ice. Hoje, leva menos de 15 minutos para aquecer a 80 graus Celsius”.

A United possui, opera e mantém 218 caminhões de de-icing e 100 tanques de armazenamento, que são usados em 40 locais nos Estados Unidos onde é necessário fazer de-icing através do ano. Atualmente a United tem aproximadamente 1,600 operadores certificados de de-icing que descongelam 20,000 dos 50,000 voos que precisam do serviço durante o ano.

Apesar de se gastar mais de 12 milhões de dólares por ano em fluído descongelante, o uso de novas tecnologias chegou a economizar até 50% em fluídos e mão de obra nos últimos anos.

Mas o que é jogado na fuselagem do avião para retirar a neve?

Cliquem na figura abaixo para ver um resumo:

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Gráfico - Chicago Tribune

E para que o avião é degelado antes da decolagem?

Falando simploriamente, seria para evitar o peso extra nas asas e fuselagem, bem como a disrupção (palavra bonita heim?) do fluxo de ar, pois até mesmo uma finíssima camada de gelo nos bordos de ataque da asa poderiam levar a um estol (stall) por causa da turbulência gerada.

Mangueira lançadora da mistura

Mangueira lançadora da mistura

Todos os aviões que decolam de Chicago durante precipitações de neve precisam completar dois passos antes de decolar: Primeiro, um degelo (de-icing) com uma mistura de aproximadamente 200 litros de Propileno Glycol e água aquecida a 82 graus C para remover a neve, gelo e outros contaminantes; seguido do segundo passo que despeja 100 litros de um fluido anti-gelo para prevenir a formação de gelo na fuselagem e asas enquanto o avião estiver no chão.

Tudo é bem coreografado: o fluido verde de anti-gelo deve ser aplicado dentro de três minutos após o laranja de degelo. E então o relógio é disparado e a aeronave tem que decolar em no máximo 1 hora após a aplicação do anti-gelo.

Se a decolagem demorar mais que uma hora, a aeronave tem que ser “degelada” novamente.

Agora uma curiosidade: quem já tomou banho de propileno glycol disse que tem um sabor gostoso e adocicado, como se fosse syrup (aquele melado que a gente coloca em cima de panquecas).
O propileno glycol não é toxico, é bio-degradável e também não faz mal a saúde.

Mas que deixa o avião sujo… ah isso deixa.

Algumas das fotos são de Alex Garcia / January 7, 2010 / Chicago Tribune.
Fontes: United, WGNTV, Chicago Tribune

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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