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Dinar e seus MD-80, uma breve história

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É normal uma identificação eterna entre funcionário e empresa em certos casos, e assim sou eu com a DINAR LINEAS AEREAS! O saudosismo bateu e o artigo nasceu para o AeM.
Ainda que eu tenha sido terceirizado, tinha uma identificação tamanha com a empresa que dura até hoje, praticamente 10 anos após o seu desaparecimento. Sua história remonta ao começo dos anos 90, quando a família De Simone, estabelecida em Salta, Noroeste Argentino, criou a DINAR TURISMO e a partir do sucesso decidiu compor uma empresa aérea afim de realizar os voos da própria agência. Nascia a DINAR LINEAS AEREAS, que estreou em 1992 operando voos de Salta para Iquique no Chile. Logo a companhia necessitou expandir suas operações turísticas, usando para tal uma frota de diversas origens como BAE146 arrendados da LAN CHILE e Fokker 28 do LADE. No ano seguinte arrendou um MD83 da Aerocancun, estabelecendo assim uma relação duradoura com este tipo de aeronave. Sua frota para alta temporada sempre mesclou aviões, a ponto de operar 727-100, 737-200, 767-200, A300-600, A310-300 e MD80 de diversas versões.

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Quando decidiu trilhar o caminho do transporte aéreo regular, optou por um par de Boeing 737-200, já estávamos em 1994 quando esta operação foi realizada. Mas foi em 1997 que a companhia decidiu adotar uma frota de MD80 oriunda da SWISSAIR/CROSSAIR. O primeiro foi o LV-WTY (Ex.HB-INM) que chegou à frota em Maio de 1997. Como empresa do interior, a aeronave foi aplicada na rota Salta – Aeroparque / Aeroparque – Córdoba – Salta / Aeroparque – Tucumán – Salta.

Um segundo exemplar ex-Crossair não foi recebido e em 1998 a companhia adquiriu como patrimônio três DC9-41 ex-Finnair, que foram matriculados LV-YNA / YOA / YPA, e mais tarde um MD82 arrendado foi matriculado LV-ZSU e voou entre 2000 à 2001. Isso sem contar a frota de aviões como o HB-INW, HB-ISX, D-ALLT, OE-LMD. A companhia passou a ser reconhecida pelo seu excelente catering, fruto de uma parceria com o renomado Chef Gato Dumas, criação de um plano de fidelidade (Dinares), conforto e qualidade a bordo. Ganhou espaço e serviu as cidades de Buenos Aires, Jujuy, Salta, Tucumán, Iguazú, Mendoza, Córdoba, Rosario, Neuquén, Bariloche, Comodoro Rivadavia, Mar Del Plata entre outras e no verão subia para Brasil, Caribe, Venezuela. A companhia também viu no Boeing 757 sua ferramenta mais versátil para o verão, com arrendamentos junto a AIR 2000 e MONARCH.

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A Dinar entrou no novo século, fortalecida e encaminhada, em 2001 sua frota era composta por 2 MD80 (WTY, ZSU), 3 DC9-41 (YNA, YOA, YPA) e 2 DC9-34 (ZSS, ZXE). Abriu rotas regulares para o Brasil, sendo uma Salta – Tucumán – Guarulhos / Buenos Aires – Florianópolis – Porto Seguro, sempre apoiada em seus MADDOGs. No entanto, em Julho de 2002 a tragédia bateu a porta da empresa, não envolvendo um avião de sua propriedade, mas sim com um acidente de táxi, onde morreu o motorista do táxi e ficou gravemente ferido e internado por um período até falecer em Setembro daquele ano o Dr.Andres Desimone, advogado e dono da empresa. O Dr.Andres foi enterrado com uma maquete de um 737 entre as mãos em full colors da empresa.

Em seu lugar assumiu seu irmão Alberto, que não conseguiu segurar a empresa em meio a crise da Argentina quando a Dinar estudava inclusive adquirir Fokker 100 e acabou sendo vendida para a American Falcon que por sua vez repassou a empresa à outros empresários.

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Neste meio tempo a companhia perdeu o LV-WTY por não conseguir pagar um CHECK D realizado na Irlanda e ainda se viu forçada a devolver os DC9-34 arrendados. Com o trio de DC9-41 próprios tentou sobreviver em um mercado caótico que era o Argentino entre 2002/2003 até que se deparou com a ausência de dinheiro para fazer CHECK C e pagar seguros.

A companhia então definhou até ficar apenas o LV-YNA voando na rota troncal Jujuy – Salta – Tucumán – Aeroparque e foi num voo desses que o YNA parou no Aeroparque e só saiu de lá desmanchado. A companhia fez história na aviação Argentina após a abertura do mercado, fez história em meu coração pois jamais a esqueci, tanto que até hoje tenho contato com alguns colegas da época. Aprendi muito na Dinar, aprendi sobre qualidade e trato ao cliente, pontualidade e afins, lições que ficaram por toda vida.

A agência de turismo resiste até o presente, chamando-se DINARSA TOUR, ainda em Salta no mesmo endereço onde nasceu a Dinar Líneas Aéreas. Em termos de mercado após seu desaparecimento, apenas em 2006 foi “substituída” com o nascimento da Andes Líneas Aéreas, que muitos juram ser da família, onde Andes não tem nada a ver com a cordilheira e sim com ANdres DESimone… se é verdade ou não jamais se terá uma prova, mas o fato é que a Andes carrega muito da Dinar em seu DNA por conta de funcionários oriundos da eterna D7/RDN.

A conduta operacional no entanto é bem diferente, mas isto é outra história.


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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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