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Dito Macumba

O Dito era, quando o conheci, um senhor de 50 anos (eu tinha então 19 anos).
Estava sempre mascando alguma coisa que parecia fumo, e sempre cuspia para o lado antes de falar qualquer coisa.
Quando ficava nervoso, cuspia varias vezes e falava cada vez mais rápido, a ponto de nem entendermos o que ele falava.

Não gostava de ensinar nada aos “novinhos” e escondia muita coisa, o famoso “pano-preto”, nome que damos às pessoas que agem assim.

O Dito sempre trabalhou de madrugada, e quando estava calmo contava estórias da fazenda do seu cunhado. Nesta fazenda, o cunhado criava porcos, e o Dito disse varias vezes que os porcos eram tão bem alimentados e engordavam tanto que rachavam nas costas…

De manhã o cunhado dele passava uma colher nas costas do porco para pegar a gordura que saia da rachadura para cozinhar o feijão….

Bem, fora isso, a fazenda era separada da fazenda vizinha por um rio profundo, e um dia, enquanto o cunhado passava em revista pela sua propriedade, viu um de seus porcos lá do lado da fazenda do vizinho.

Sabendo que porcos não nadam, já ia se dirigindo para reclamar do roubo com o vizinho quando tropeçou em um buraco no chão.
Analisou o buraco e só então se deu conta de que o buraco era muito grande, quase um túnel que dava para passar um porco inteiro.
E então ele descobriu que o túnel havia sido feito pelo próprio porco, que começou a cavar para comer a raiz de uma mandioca, e foi comendo e cavando, comendo e cavando, e cavou por baixo do rio até chegar ao outro lado….

E tem também a historia da abóbora que não coube no caminhão, etc….

E ai de quem dissesse que ele estava mentindo…

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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