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Embraer E-175 na Trip #história

NOTA: Devido mudanças no planejamento estratégico da companhia apenas as unidades PJD, PJG, PJH, PJI saíram da frota, os demais permanecem.

Foto é © TRIP Linhas Aéreas

Foto é © TRIP Linhas Aéreas

Fundada em 24 de Março de 1998 oriunda da VIAÇÃO CAPRIOLI de Campinas, a TRIP iniciou suas operações com um par de EMBRAER 120 (PP-PTA e PP-PTB) que foram usados exaustivamente desbravando o país, vindo a se reforçar em 19 de Dezembro de 1999 com o “imortal” ATR42-300 PP-PTC. A empresa cresceu, vendeu o PP-PTB (que foi na verdade o primeiro avião da companhia), adicionou diversos ATR42 e ATR72 na frota, teve o gostinho do avião zero km com os ATR72-500 (PP-PTL em diante) mas precisava de uma ferramenta mais veloz e dinâmica e começou a estudar jatos, e a escolha se deu pelos ERJ170-200LR fabricados pela Embraer. O anúncio da aquisição foi feito no meio de 2008 em uma época de crescimento na companhia (compra e incorporação da TOTAL, nova logomarca, nova pintura).

A empresa se preparou contratando mecânicos (fui contratado nesta época) para curso na fábrica, pilotos com experiência prévia em jatos (VASP, TRANSBRASIL, logo apelidados de Cowboys do Espaço, por causa do filme), comissárias, DOV e afins, era a transição do turbohélice para o jato e isso precisava ser muito bem feito. Quando estive em São José dos Campos para o curso da aeronave, tive o prazer de ver o PP-PJA brilhando de novo, o PP-PJB era só uma fuselagem sem asas ainda e o PP-PJC apenas alguns anéis da fuselagem. As rotas eram estudadas e mantidas em segredo de estado, mas era óbvio que atuaria como um abastecedor ponto-a-ponto levando passageiros a algum ponto de conexão onde os ATR fariam as pernas e os E-JET o tronco, basicamente uma aranha no mapa de rotas.

Em 11 de Fevereiro de 2009 voou o PP-PJA (como PT-SNF, matricula temporária da EMBRAER), foi o avião de ensaio de fotos e afins, entregue à empresa em 08 de Junho de 2009 ao lado do PP-PJ. Ambos decolaram de SJK para VCP, porem coube ao PP-PJA ir até o Campos dos Amarais e dar um rasante, afinal lá era grande parte dos escritórios da empresa e na Avenida Brasil, na antiga matriz da companhia. Mas uma grande festa aconteceu com o PP-PJC de cenário de fundo, como cerimônia de entrega. Os aviões iniciaram as rotas conforme cenário abaixo com os três aviões voando:

Rio – Curitiba – Rio – São José do Rio Preto – Campo Grande – Corumbá e retorno
Rio – Confins – Goiânia – Cuiabá – Ji-Paraná e retorno
Campinas – Curitiba – Londrina – Cuiabá e retorno

Era uma utilização baixíssima para um avião de alto custo, porém esta malha acima, explorada a partir de 29 de Junho de 2009, foi logo reformulada para que o avião atingisse mais destinos e ampliasse o leque de opções dentro da malha da empresa, até porque para reforçar a frota chegou o veterano PP-PJD, avião que já havia voado em outras empresas e ampliaria os serviços na TRIP, operando por alguns meses com 78 assentos ao invés dos 86 habituais da frota, além do famoso “PAJÉ”, apelido dado ao PP-PJE, cuja operação inicial foi na Amazônia. Assim, com 5 jatos, a TRIP havia recebido 4 dos 5 encomendados e arrendado um adcional. A malha no verão de 2010 era a seguinte:

Campinas – Curitiba – Rio – Vitória – Porto Seguro e retorno
Vitória – Confins – Goiânia – Cuiabá – JiParaná e retorno
Rio – Curitiba – Londrina – Cuiabá e retorno
Manaus – Porto Velho – Cuiabá – Guarulhos e retorno
Rio – Confins – Maceió – Recife – Fernando de Noronha

Os aviões davam corpo à companhia. Em Maio de 2010 seria recebido o PP-PJF, último avião da encomenda original e mais uma linha criada: Porto Alegre – Belo Horizonte – Carajás – Belém – São Luís. Ao final de 2010 a companhia decidiu expandir mais ainda criando algumas pontes aéreas como Rio – Vitória e para isso trouxe mais aviões, desta vez de segunda mão. Da Paramount Airways da India vieram então o PP-PJG, PP-PJH e PP-PJI. Depois disso a companhia optou por uma expansão maior em assentos e optou pelo modelo EMBRAER 190, dos quais foram recebidos da BABOO da Suiça o PP-PJJ, PP-PJK, PP-PJL e encomendados e recebidos direto do fabricante o PP-PJM, PP-PJN, PP-PJO, PP-PJP, PP-PJQ, PP-PJR, PP-PJT, PP-PJU e PP-PJV. Outras unidades seriam recebidas, porem com a fusão com a Azul, se converteram em aviões para a Azul já como EMBRAER 195. Alias coube a TRIP para expandir a malha receber alguns EMBRAER 195 da Azul com um sticker indicando “Operado por TRIP Linhas Aéreas”.

Os Embraer 175 se tornaram maciços na malha, passaram a operar mais rotas como um vôo tradicional de ATR (Campinas – Curitiba – Maringá – Rondonópolis – Cuiabá – Alta Floresta / Alta Floresta – Sinop – Cuiabá – Foz do Iguaçú – Porto Alegre) entre tantos outros destinos. Onde o EMBRAER 175 não se mostrava mais suficiente para demanda foi introduzido o EMBRAER 190. O Embraer 175 transporta 86 passageiros, tripulado por 2 comissárias e 2 pilotos, um avião confortavel, silencioso e tranquilo de voar e trabalhar, deixará saudades em todos aqueles com DNA TRIP que após anos trabalhando com os ATR tiveram o sabor especial de um avião zero Km. Veloz, rápido, voando alto, o EMBRAER 175 colocou a TRIP definitivamente no mapa das grandes empresas Brasileiras, dando corpo a uma companhia com espírito de bandeirante, desbravando o interior… jamais foi chamado pelo seu nome operacional, sempre como JATO ou EMBRAER, nunca EMBRAER 175… tal como foi o A300 na VASP, chamado sempre de AIRBUS.

Em um processo natural de massificação dos EMBRAER 190 na frota (110 assentos) foi iniciado um planejamento da devolução de alguns aviões, onde o PP-PJD encabeçava a lista, mas neste meio aconteceu a fusão da companhia com a Azul e aí o Embraer 175 entrou em sua totalidade para um PHASE-OUT na frota, o primeiro a deixar a empresa foi o PP-PJD, seguido do PP-PJI, PP-PJA, PP-PJG, PP-PJB, restando na frota o PJC, PJE, PJF, PJH, que serão paulatinamente retirados até a sua extinção prevista para o meio deste ano de 2013, encerrando assim a passagem deste avião na TRIP e por enquanto na aviação comercial Brasileira.

Foto é © TRIP Linhas Aéreas

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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