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Emirates EK-521, incêndio após o pouso anormal.

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Um Boeing 777-300 da Emirates, matrícula A6-EMW, com 282 passageiros e 18 tripulantes incendiou-se após o pouso (com o trem de pouso recolhido) no aeroporto de Dubai. Não houve vítimas, nem mesmo pessoas machucadas.

O site Avherald reporta que na aproximação final para a pista 12L às 12:41 hora local, a tripulação tentou arremeter à baixa altura e depois de recolher o trem de pouso a aeronave não subiu e tocou a pista de barriga, indo parar no seu final. Todos evacuaram em segurança antes do início do fogo, mas a aeronave queimou completamente (é possível ver nas imagens que a asa direita está sem o pylon e o motor (que está de cabeça para baixo), indicando que o impacto foi grande).

É importante ressaltar que isso NÃO FOI um pouso de barriga. Pousos de barriga são pousos controlados quando há uma falha no trem de pouso, e não causam incêndio.

De acordo com gravações do controle de tráfego aéreo, a aproximação foi normal – a torre relembra a tripulação para verificar “trem baixado” (isso é procedimento operacional na maioria dos aeroportos).

Vamos tratar dos fatos primeiro, depois eu comento algumas especulações.

  1. Trezentas pessoas sem nenhum arranhão depois de um acontecimento grave como esse indica que sim, a sobrevivência nas ocorrências aéreas está cada vez maior.
  2. Isso não é milagre. Como eu escrevi aqui neste post, a engenharia moderna melhorou muito a estrutura das aeronaves.
  3. Todo avião é homologado para evacuar todos os seus ocupantes em 90 segundos, considerando que metade das portas irão falhar. Esse conservadorismo faz com que o tempo diminua muito quando todas as portas funcionam, como foi o caso de hoje. Novamente não foi milagre.
  4. Manter o seu cinto de segurança afivelado faz milagres., assim como deixar sua bagagem de mão para trás em uma evacuação.

Os comentaristas das interwebs já começaram a escrever diversas bobagens, que sempre são faladas antes que o relatório do que possa ter acontecido venha a tona.

Entre as bobagens, destaco três:

  1. A tripulação esqueceu de baixar o trem. Ora amiguinhos, em um avião como o 777, há tantos alarmes e vozes soando na cabine se o esquecimento acontecesse, que isso está fora de cogitação. Para entender sobre esses alarmes, vejam o vídeo abaixo.
  2. A Torre de controle pediu para verificarem o trem de pouso baixado e travado, sinal de que eles esqueceram. Repetindo: isso é procedimento normal em diversos aeroportos. Em Guarulhos por exemplo, quando o piloto reporta no Outer Marker, não é incomum a torre solicitar que os pilotos verifiquem o trem “embaixo e travado”.
  3. Como pode os pilotos terem recolhido o trem sem ter “positive rate of climb”. Esse é o típico comentário de quem julga as ações de pessoas treinadas, que chegaram ao comando de um Boeing 777. Ora amigos, e quem disse que não houve a razão positiva de subida? E se ocorreu algum fator meteorológico? E se aconteceu algum fator extra após o recolhimento?

O pior mesmo é ler coisas assim, os fatos totalmente distorcidos da realidade. Toda a informação presente na manchete está errada.

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Resumindo: Mantenham a calma. Até termos um relatório preliminar é impossível saber o que aconteceu no voo, exceto que houve um acidente grave e não houve vítimas fatais (há informações desencontradas que um bombeiro teria morrido).

Para a sorte desses passageiros, eles não estavam em um ônibus a 300 k/h na rodovia.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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