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Entenda o que é uma empresa aérea Low-Cost

empresas low cost

Durante a cobertura do acidente com o Airbus A320 da companhia alemã Germanwings, ouvi na TV uma jornalista falar: “As companhias de baixo custo economizam tudo inclusive manutenção“!

Ora bolas, quanta estupidez.

O que é uma empresa low-cost/low-fare?

Vou fazer um paralelo fora do segmento de aviação: Quem possui custo operacional e estrutura mais enxuta, uma padaria que só vende pão de sal (pão francês, cacetinho, conforme seja sua região) ou uma delicatessen que vende vários tipos de pães, tortas, etc? Certamente a primeira! Então voltemos ao transporte aéreo.

Companhias “legacy” (nome dado as empresas tradicionais como Lufthansa, Air France e KLM, enquanto a GOL, Ryanair, Southwest são chamadas Low-cost) possuem uma estrutura pesada, frotas com vários tipos de aviões, lojas de passagem, dezenas de executivos, funcionários, etc e as companhias low-cost não.

  • Elas têm uma frota geralmente padronizada em uma família (Boeing 737NG – leia-se 737-700/800 ou Airbus A32F – leia-se A319, A320, A321), logo tudo é padronizado dos equipamentos de solo até o treinamento dos pilotos, comissários, mecânicos, DOVs, entre outros.
  • Dispensa lojas pois prefere que utilizem seu site.
  • Não possuem serviço de bordo ou então cobram por ele.
  • Se a companhia “legacy” oferece 2 classes ou espaço maior entre poltronas, a low-cost adota uma posição diferente de classe única e assentos mais “apertados”. Cabendo mais gente ganha-se mais e reduz-se o custo operacional.
  • Fora do Brasil as low-cost preferem aeroportos menos movimentados e com custos inferiores, por exemplo no Brasil uma Ryanair iria preferir São José dos Campos, bem próximo a SP do que operar em GRU, CGH.
  • Oferecem salários menores, afinal em toda classe sindicalizada existe um piso-salarial, ali é o mais baixo e o empresário vai oferecer daquilo pra cima, as low-cost visam o piso.

Mas quando saímos deste cenário estrutural/comercial e entramos na homologação, certificar uma empresa sob as regras 121 (sejam elas RBAC, JAR, FAA, EASA) é a mesma coisa, vão exigir o mesmo para a “legacy” ou para a “low-cost” em termos de cumprimentos de regulamentações de manutenção, operações e afins. Vale lembrar outro ponto importante, LOW-COST é a tradução literal de BAIXO CUSTO, ou seja meu custo é inferior ao do concorrente, isso não significa que o meu produto vai ter valor inferior (que seria a LOW-FARE, tarifa baixa). Mas a quantidade de horas que o piloto pode voar no máximo por dia, semana, mês, ano numa low-cost ou numa legacy é a mesma. A quantidade de horas para o avião realizar uma inspeção periódica é a mesma e por aí vai.

“Ah, mas eu ouvi em um canal de TV que a Lufthansa está transferindo operações e aviões para a Germanwings pois está “mal das pernas

Não diria mal das pernas, mas se o concorrente é uma low-cost e eu posso colocar um filhote meu para concorrer com ele, por que não direcionar esforços para esta subsidiária mais barata? Voltemos aos anos 90 aqui no Brasil, a VARIG concorreu diretamente com a TAM ou preferiu a RIO-SUL (que tinha estrutura mais enxuta) para brigar com a TAM? Obviamente escalou a RIO-SUL e daí aquelas dezenas de 737-500 duelando com Fokker 100. Voltando ao tema da Lufthansa, curiosamente toda a frota é cuidada em um lugar só, seja da Lufthansa, seja da Germanwings ou da Swiss (que pertence ao grupo), tudo é direcionado à Lufthansa Technik, um dos melhores centros de manutenção do mundo.

E vamos pensar aqui, sem questões técnicas, apenas usando a razão: Eu tenho uma empresa, economizo em manutenção, ocorre um acidente fatal, o que ocorrerá? Baixa de ações, perda de dinheiro, danos imensuráveis à imagem, clientes vão me evitar pois eu não cuido deles. Será mesmo que empresas sérias, de grandes grupos economizam em manutenção, como alguns “especialistas” acham? Lógico que vou economizar em quem me fornecer o guardanapo mais barato, o computador do check-in mais barato, mas quando se trata de manutenção, lógico que existe o produto (seja a lata de óleo, seja a marca do pneu) mais barato e o mais caro, mas ambos são CERTIFICADOS por uma autoridade competente (FAA, JAR, EASA, ANAC, etc).

Conclusão

Não caiam no conto das informações e suposições erradas divulgadas por órgãos não especializados.

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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