Camiseta Electra

Entenda sobre ângulo de ataque, pitch, incidência #AF447

Para diminuir as duvidas de algumas pessoas em relação ao ângulos mencionados na nota preliminar da BEA sobre o acidente com o Airbus A330 da Air France no voo AF447, vejam abaixo a representação gráfica destes ângulos.

Com estes desenhos é possível entender como pode o ângulo de ataque ter sido medido em até 40º se a atitude do avião (nariz em cima) nunca passou de 16º.

Desenhos feitos pelo Marlon Dutra, e ainda bem que ele fez porque eu tava querendo explicar mas não tive tempo de parar pra desenhar. Valeu Marlon.

Começando com ângulo de incidência. Este é o ângulo formado entre a corda média da asa e o eixo longitudinal do avião. Este ângulo é imutável, é decidido em projeto durante a fase de construção da aeronave.

Atitude ou Pitch: Este é o ângulo formado entre o horizonte e o eixo longitudinal do avião. Durante a decolagem, o seu pitch será grosseiramente zero, a partir do momento que o comandante comandar o nariz para subir, o pitch vai aumentar entre 7º e 16º dependendo da aeronave e da situação.

Ângulo de ataque, este é o que causa confusão nas pessoas. O ângulo de ataque é o ângulo formado entre a corda média da asa e a trajetória da aeronave (conhecido como vento relativo). Em tese, quanto maior o ângulo de ataque, maior a sustentação. De fato, e ironicamente, a maior sustentação possível de se obter numa aeronave é exatamente no ponto crítico imediatamente antes do STALL.

Ângulo de ataque com avião subindo: Voltando à decolagem, quando o piloto comanda o avião para subir, o pitch aumenta e o ângulo de ataque também, que é o que gera sustentação. Mas o ângulo de ataque é sempre em relação à trajetória de voo, diferente do pitch, que é em relação ao horizonte.

Ângulo de ataque em STALL: Nesta figura é possível entender que mesmo o nariz do AF447 estando apontado para cima entre 12 e 16º, o seu ângulo de ataque chegou a até 40º, pois a trajetória da aeronave era descendente.

Espero que fique um pouco mais fácil de entender as descrições dos relatórios agora.

p.s. Estou fazendo algumas melhorias no blog, a maioria invisíveis mas que vão influenciar na velocidade de acesso e outras já em funcionamento como a caixa de pesquisa lá em cima, que agora usa a pesquisa do google dentro do site. Para achar tudo que já escrevi sobre o AF447, basta digitar isto na caixa de pesquisa e o google faz a mágica dele. Em breve falo de outros benefícios que estão por vir.

Tags: , , , ,

Sobre o Autor

Um técnico com bom senso :) 28 anos de aviação comercial, de Lockheed Electra a Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários. O Aviões e Músicas possui moderadores de comentários e se reserva o direito de apagar quaisquer comentários que sejam ofensivos ou que não contribuam para uma discussão saudável. Pontos de vista divergentes são muito bem aceitos e incentivados, desde que se mantenha o mínimo de civilidade. Este é um espaço para discutirmos aviação :)
  • http://www.facebook.com/people/Victor-Medici-De-Felice/100000470188460 Victor Medici De Felice

    Muito bom prof° Lito !
    Abraços !

  • Anônimo

    Excelente. Mas fiquei confuso com a questão do termo “incidência”. Nos
    livros que já li sobre o Concorde, incidência é a mesma coisa que ângulo de ataque.

    • http://www.facebook.com/gpilati Gustavo Pilati

      Estranho, pois sempre aprendi como sendo o ângulo, definido em projeto, entre a corda média da asa e o eixo longitudinal da aeronave.

      Existia um ângulo assim no concorde ou a asa era paralela ao eixo do aviao?

      • Anônimo

        Nos livros fala em Incidência. Da wikipedia, verbete de ângulo de incidência linkado acima:
        “Note that some ambiguity
        in this terminology exists, as some engineering texts that focus solely
        on the study of airfoils and their medium may use either term when
        referring to angle of attack. The use of the term “angle of incidence”
        to refer to the angle of attack occurs chiefly in British usage.[2]“

        • http://www.facebook.com/gpilati Gustavo Pilati

          Lendo a tradução do relatório do BEA pro portugues, eles inclusive traduzem “angle of attack” pra “ângulo de incidência”

          • http://www.avioesemusicas.com Lito

            A tradução para o português do relatório possui vários erros. @lvcivs:disqus o termo ângulo de incidência NÃO é o mesmo que ângulo de ataque (excecão as asas rotativas). A ambiguidade ocorre, como diz a wikipedia, em alguns textos de negenharoa que tratam SOMENTE (solely) do estudo de aerofólios e não nas aeronaves. Se os livros do concorde que você leu eram britânicos, isso explica a ambiguidade, já que os britânicos são os únicos que usam o termo incidência para ângulo de ataque (mas eles usam também TORCH para Flashlight, possuem monarquia e dirigem do lado errado da rua, logo….

    • Marlon Dutra

      De fato muita gente confunde isso até mesmo em inglês. Já vi vários casos de pessoas falando em “angle of incidence” querendo dizer “angle of attack”.

      http://en.wikipedia.org/wiki/Incidence_angle

      http://en.wikipedia.org/wiki/Attack_angle

    • http://www.facebook.com/people/Hallan-Martins/100001465634276 Hallan Martins

      No caso dos helicópteros, ângulo de incidência e de ataque são a mesma coisa.

      • http://www.avioesemusicas.com Lito

        Sim, as asas rotativas são a exceção à regra, já que o ângulo de ataque é
        obtido alterando-se mecanicamente o ângulo de incidência através de links.
        Aliás helicóptero é exceção pra quase tudo hehehe
        Em 01/06/2011 14:09, “Disqus”
        escreveu:

  • itamargoncalves

    Olá Muito Bom Dia Lito. Como é bom conhecer gente que entende do assunto.
    Confesso que sou entusiasta, mas também me considero leigo no assunto.Questões sobre o voo AF447:1 – Seria possível no nível de cruzeiro praticado pelo AF447 que o avião, devido a tempestade, houvesse ingressado em área de baixa pressão, a ponto de não não haver diferença entre as pressões dinâmica e estática transmitindo a idéia (impressão) aos pitots que a aeronave não estivesse voado, ou praticamente parada, iludindo os computadores?2 – Seria possível também no nível de vôo de cruzeiro que o avião houvesse enfrentado windshear ou microburst no mesmo sentido do vôo o que desencadearia o incremento da altitude, e a perda da velocidade relativa.Parabéns e Muito Obrigado,Itamar.

    • http://www.avioesemusicas.com Lito

      @google-3a80d6e9734220c8972954d8034e61f6:disqus 1- Não acho que esse fenômeno seja possível, mas se fosse a aeronave perderia sustentação instantaneamente e não teria havido a subida íngreme.  2- Não, windshear e microburts são fenômenos que ocorrem próximo ao solo e o incremento da altitude foi através de comando, o FDR gravou comando no sidestick no sentido de subir, então não foi um fenômeno atmosférico. Um abraço.

  • Geraldo Ramalho

    Eh tah bombando , esbanjando conhecimento tecnico……
    Valeu
    Big

  • Marcaldf

    Que site legal, ensina tudo de aviação. Valeu.

  • Sílvio Lôbo

    Excelente! – silviolobo.com.br

  • Pingback: Por que um avião não pode pousar com o mesmo peso que ele decola? #perguntas « Aviões e Músicas

  • Seninha

    Ola Lito, tudo bem.  Me tira uma duvida. Quando voce fala em “corda media”, ela é a media ou a metade do perfil da asa, sendo assim em um perfil assimetrico ela é uma curva. Ela so seria reta se o perfil da asa fosse simetrico. A definicao de angulos nao seria com a “Corda” apenas e nao com a “Corda Media”? Pois a corda é o eixo imaginario que liga o bordo de ataque ao bordo de fuga…

  • Pingback: O que dizer sobre o acidente com o 747-400 da National Air Cargo?

  • Pingback: O baixo número de vítimas no acidente com o Boeing 777 da Asiana é um tributo à engenharia

  • Pingback: Como assim cancelaram o voo por causa do calor? Pode isso?

banner aem
Topo