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Entrada em Órbitas (Fixos) – Parte 3

Órbitas

Órbitas é um método de atrasar aeronaves em vôo, este atraso ajuda o controlador de vôo a manter uma separação adequada entre as aeronaves e permite a ele organizar o fluxo do trafego aéreo. Quando o volume de trafego aumenta demasiadamente, ou em caso de falha no radar, a necessidade de realização de órbitas aumenta.

Em áreas aonde não existe cobertura radar, as órbitas são usadas rotineiramente para ajudar os controladores a manejar corretamente o trafego aéreo nestas regiões. Órbitas também são usadas quando se atinge o limite de autorização de trafego aéreo ou podem ser utilizadas em um procedimento de aproximação perdida.

Pode acontecer também de órbitas serem requisitadas pelo próprio piloto da aeronave, quando, por exemplo, ele necessitar subir para atingir uma altitude passada pelo controlador, ou quando a meteorologia no aeroporto de destino não permitir um pouso seguro, porem as condições tendem a melhorar nos próximos minutos e estes minutos podem fazer a diferença entre prosseguir para a alternativa ou realizar um pouso com sucesso no aeroporto de destino.

Portanto é importante que o piloto saiba o que é esperado dele e como ele deve proceder para executar esta manobra clássica do vôo por instrumentos.

Órbita Padrão

Órbitas, olhando de cima, são como um circuito oval de corrida. As órbitas padrão são aquelas em que as curvas são feitas para a direita, ao contrario das órbitas não-padrão cujas curvas são feitas para a esquerda. Abaixo de 14.000 pés MSL as órbitas nada mais são do que duas curvas (com razão de giro padrão de 3 graus/segundo) de 180 graus separadas por um segmento reto (perna) de duração de 1 minuto, fazendo com a órbita tenha uma duração de aproximadamente 4 minutos. Acima de 14.000 pés MSL as retas são voadas por 1 minuto e 30 segundo, fazendo com que a órbita dure aproximadamente, 5 minutos.

Órbita Padrão

Órbita Padrão

Para simplificar, e ajudar no entendimento, vamos considerar que todas as órbitas são abaixo de 14.000 pés. As órbitas variam de tamanho conforme muda a velocidade, ou seja, quanto mais rápido se voa, maior será a órbita, e quanto mais lento se voa, menor será a órbita, porem, todas elas terão aproximadamente a mesma duração.

Toda órbita possui um fixo, uma direção deste fixo e uma linha de posição (QDM de um NDB ou uma radial de um VOR) que é aonde aeronave voa uma das pernas da órbita. Estes elementos, associados com a direção da curva, definem uma órbita.

A órbita começa e termina quando se passa pelo fixo (holding fix). O fixo pode ser uma intersecção, um auxilio radio ou uma distancia DME de um auxilio radio. A perna de aproximação (Inbound Leg) de uma órbita é aquela em que a aeronave voa em direção ao fixo no curso da órbita.

Tempo na perna de aproximação e na perna de afastamento.

O grande desafio de realização de órbitas é fazer com que a perna de aproximação dure 1 minuto. Como é difícil prever os efeitos do vento, utilize a primeira órbita para encontrar descobrir as correções necessárias para a realização das próximas órbitas.

Comece a cronometrar o tempo da perna de afastamento (Outbound Leg) quando a aeronave estiver no traves (90 graus) do fixo. Se não for possível identificar o traves do fixo, o piloto pode começar a marcar o tempo assim que ele terminar a curva para a perna de afastamento.

Assim que o piloto terminar a curva para interceptar a perna de aproximação da órbita ele deve começar a marcar o tempo e conferir que efeito o vento esta exercendo sobre a órbita, e realize as correções necessárias para obter o tempo de 1 minuto na perna de aproximação.

Entradas em Órbita

Existem 3 formas de entradas em órbita; Direta, Deslocada e Paralela. Elas foram criadas para que o piloto possa entrar em órbita, independente de onde estiver se aproximando, efetuando um mínimo de manobras. O tipo de entrada vai depender da proa magnética da aeronave relativa a órbita que o piloto pretende realizar a órbita (segue imagem abaixo).

• Entrada Direta (Direct Entry) – A entrada direta eh a mais simples das entradas em órbita. Após a passagem do fixo o piloto simplesmente curva para a proa da perna de afastamento.

Orbita Direta

Entrada Direta

• Entrada Deslocada (Teardrop Entry) – Após a passagem do fixo o piloto voa com uma proa cerca de 30 graus em relação ao curso da perna de aproximação (no caso abaixo ele voara na proa 060) por 1 minuto e depois curvara para interceptar a perna de aproximação da órbita e re-interceptar o fixo.

Entrada Deslocada

Entrada Deslocada

• Entrada Paralela (Parallel Entry) – Após a passagem sobre o fixo o piloto deve curvar a aeronave para a mesma proa da perna de afastamento, fazendo com que ela voe paralelamente a perna de aproximação por 1 minutos. Após 1 minuto o piloto inicia uma curva para cima da órbita para retornar para interceptar o curso da perna de aproximação e prosseguir de volta para o fixo.

Entrada Paralela

Entrada Paralela

Fontes:

Guided Flight Discovery – Instrument/Commercial
Jeppesen

FAR/AIM 2005
ASA

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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