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Esta história dos Sharklets do Airbus A320 está muito mal contada

Primeiro vamos entender o que é esse tal de sharklet:

A foto a esquerda mostra o novíssimo Sharklet que está em voos de teste nos A320 e que vai ser vendido como opcional para os antigos A320 e sairá de fabrica no A320neo. A foto a direita mostra o blended winglet dos Boeing 737. Tirando o nome, não tem muita diferença entre um e outro não é? Pois é, agora vamos a história estranha…

A Aviation Partners (API), empresa americana, foi quem desenvolveu e patenteou a tecnologia de “blended winglets” e está tentando derrubar uma liminar impetrada pela Airbus que procura esclarecer que a propriedade intelectual da API não foi utilizada na construção das sharklets do A320.

Esta liminar da Airbus, caso não seja derrubada pela corte, poderia anular qualquer ação da API caso esta venha a descobrir que sua propriedade intelectual foi usada no projeto das sharklets.

Agora vejam: a Airbus e API trabalharam juntas desde 2006, quando a API procurou a Airbus para saber se a fabricante estaria interessada em reformar os Airbus A320 para usar as blended winglets já disponíveis para o Boeing 737.

A Airbus notificou enfaticamente a API que sua tecnologia de blended winglets não poderia ser usada em aeronaves que estivessem em montagem na fábrica (in-production) nem modificações poderiam ser feitas em aeronaves velhas.

Depois de análises aerodinâmicas e estruturais, a API e a Airbus concordaram em fazer testes em voo com uma blended winglet e em 2009 um Airbus A320 (MSN1) foi avaliado depois das modificações.

Com o resultado dos testes em mãos, não houve acordo entre as duas empresas e a Airbus disse que os testes provaram que o minimo de ganho requerido para o projeto não havia sido alcançado pelas modificações feitas pela API.

A API então modificou um A320 da JetBlue nos Estados Unidos e de acordo com os documentos disponíveis na corte do Texas, o CEO da API Joe Clark detalha que a redução de arrasto foram muito maiores do que a Airbus pregou durante os testes e são maiores até do que os resultados anunciados recentemente pela Airbus nos testes com as sharklets.

Quando os testes com a JetBlue terminaram, a Airbus reconheceu que as blended winglets levaram o A320 a um nivel superior de performance (a economia de combustível é da ordem de 3.5% com as sharklets em voos longos de acordo com a Airbus).

A API disse que a Airbus entrou com um pedido de patente para seu projeto de sharklet (que apareceu pela primeira vez em Novembro de 2009 no Dubai air show) sem informar publicamente a API.

Airbus e API elaboraram um “memorando de entendimento” em Julho de 2011, em que a intenção era formar uma “joint venture” para comercializar a tecnologia de blended winglet para a família dos A320. Também estava incluído no memorando o reforço da asa pelos engenheiros que facilitaria o projeto de reformar velhos A320 para o uso de winglets.

Clark reclama que depois deste trabalho todo, a Airbus desenvolveu seu próprio projeto de sharklet, e que os engenheiros da Airbus que trabalharam em conjunto com a API no desenvolvimento anterior criaram suas próprias patentes.

No ano passado, Clark disse que a Airbus enviou dados e informações para a API sobre o projeto das sharklets e que estes possuíam “uma semelhança acima do normal” com a patente da API de tecnologia de blended winglets.

Depois de terminarem seu envolvimento sem nenhum plano de desenvolvimento de blended winglet, a Airbus entrou com uma liminar na corte do Texas em Dezembro ultimo, se precavendo para explicar que suas sharklets não infringiam nenhuma patente das blended winglets da API.

Fala a verdade… é ou não é uma estória muito estranha…. eu já havia escrito em 2009 sobre ter achado curioso a API estar trabalhando junto no projeto e a Airbus não ter usado o termo blended winglet.

A noticia de hoje veio via Flightblogger

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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