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Extinguir o co-piloto? Isto é ridículo! Nem só de tecnologia vive a humanidade.

Abaixo colo trechos de uma matéria que saiu no UOL Notícias, cujo título é:

“Embraer estuda eliminar a função do co-piloto”

Caros demais, pesados demais e desnecessários: a fabricante de aviões brasileira Embraer tem os co-pilotos em baixa estima. Agora a empresa planeja substituí-los por computadores.

Os sistemas de controle de jatos de passageiros quase sempre são duplicados. Por exemplo, há três indicadores de velocidade e até cinco computadores de voo. Tudo é redundância: se um aparelho falha, outro entra em ação.

O mesmo é verdade para os pilotos. Para que uma comida estragada não deixe tanto o piloto quanto o co-piloto fora de ação ao mesmo tempo, há uma regra de ouro na cabine de comando: nunca escolham a mesma refeição.

Mas se as ideias dissidentes de meia dúzia de engenheiros se tornarem realidade, a redundância na cabine de controle pode se tornar algo do passado –e os co-pilotos podem desaparecer em 10 a 15 anos.

Quando o terceiro homem (chamado de FE, flight engineer) foi retirado do cockpit de aviões grandes com o lançamento do Boeing 767, houve muita disucssão a respeito da tecnologia substituindo o homem e tal, mas naquela época fazia sentido, pois as funções que o FE exercia poderiam ser automatizadas (como foram) e hoje até o Jumbo 747 e o super jumbo A380 voam com somente dois pilotos.

Acontece que o trabalho do FE era “lógico”. O trabalho dos pilotos é muito mais do que lógica, envolve tomadas de decisões que muitas vezes têm que ser feitas em consenso. A aviação é muito mais segura hoje em dia por causa do CRM, filosofia que leva a tomada de decisão melhores por discussão entre os tripulantes, filosofia que poderia ter evitado por exemplo o acidente do RG 254 com o comandante Cezar Garcez se a Varig tivesse o CRM implantado naquela época.

Eu acho que já temos tecnologia para decolar, navegar e pousar sem ninguém no cockpit. Mas será certo tirar o elo humano do transporte para cortar custos? E quando uma decisão precisar ser tomada porque um cachorro entrou na pista (ou uma capivara, como acontece em GRU esporadicamente), quem vai tomar a decisão?

Pouco depois de a Embraer fazer seu anúncio bombástico, o Thales Group, um dos principais fabricantes de instrumentos de aeronaves, anunciou que também estava estudando a ideia de uma cabine de um piloto. “É claro que é conveniente dizer: ‘Esqueça; nunca vai acontecer’. Mas olhando para frente no horizonte, temos propostas inteligentes nessa direção”, disse o diretor de inovação de aeronaves comerciais da empresa, Joseph Huysseune, à Flight International. A empresa francesa está conduzindo um projeto chamado “Cockpit 3.0”, que pretende automatizar os instrumentos do avião para permitir que um único piloto possa voar.

Para muitos críticos, isso parece excesso de confiança. Para eles, em um futuro previsível, o estado da tecnologia não garante o grau de confiabilidade necessário. “O avião teria que poder pousar sozinho, se o único piloto estivesse incapacitado”, diz Dieter Reisinger, diretor da Associação de Testes de Voo da Áustria, em Viena. O avião teria que encontrar seu caminho até o aeroporto sozinho ou os instrumentos teriam que ser operados remotamente do solo, “como um avião de brinquedo”, acrescenta Reisinger.

A Thales Group que também está estudando a idéia de cabine de apenas um piloto é por acaso a mesma empresa que fabricou e desenvolveu os famosos tubos de pitot do Air France 447…. ou seja, por melhor e mais avançada que seja a tecnologia, ela é sujeita a falhas, então como vamos tirar uma pessoa do cockpit em nome dessa mesma tecnologia?
Com quem o comandante vai conversar? E se a idéia é cortar custos mesmo, tira logo o comandante então, deixa só o co-piloto ué?

Sem falar que quando o dia de aviões não tripulados chegar, a Microsoft não vai mais vender Flight Simulator também!…só rindo mesmo….

O que vocês acham disso?

Fonte da notícia: Uol Notícias / Reporteres: Gerald Traufetter e Deborah Weinberg

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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