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Física, Namorado e Profissão: um mix que deu certo

Oi! Este é o meu primeiro texto aqui no AeM. Talvez essa carinha defina a minha satisfação por isso:

:-D

A Física me levou aos aviões por uma lógica linda e será ótimo compartilhá-la com vocês. A postagem que se segue é uma homenagem a quem me fez amar aviões.

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Queria ser bióloga, oceanógrafa, cardiologista, piloto de F1 (rs…) e jornalista. Mas na hora de “exercer” a profissão nas brincadeiras de criança, não dava outra: professora!

Brincar de escolinha era posição garantida no TOP 5 da lista, andava coladinha com brincar de médico, haha! Lembro que a nossa escola de mentirinha servia lanche e tudo, uma variação de biscoito Cream Cracker com Ki-Suco de uva ou Pão Francês e água, rsrsrs… Os alunos (minha irmã e um vizinho) amavam!

Eu gostava mesmo dos caderninhos que confeccionávamos, feitos com as folhas do meu caderno de uso escolar e de um amigo. Claro que mamãe não gostava muito da fabricação dos notebooks, afinal, prejuízo pra ela que findava por comprar um caderno novo com bem mais frequência.

Ah, não posso esquecer das provas! Como eram feitas? Conseguíamos na secretaria da nossa escola uma folha usada de papel carbono, a colocávamos por cima de uma outra de ofício e pronto. O porquê? Não sei até hoje, mas o visual era legal (haha), não se tinha a escrita marcada pela esferográfica…

Quando ingressei no Ensino Médio, parei de brincar de escolinha. Agora era uma aluna preocupada em fazer um bom Médio e em prestar um bom vestibular, nada de papel carbono a essa altura, rs! Mal sabia eu que findaria repetindo a “brincadeira”, desta vez com meus colegas de classe. Período de prova era sucesso lá em casa!

Segundo ano havia chegado e ainda não tinha nada definido quanto ao que escolher no processo vocacionado da universidade que tentaria vestibular, até que conheci o temido Professor de Física. Enfatizo “Professor” e “Física” com inicial maiúscula para atestar a qualidade deste profissional e a importância desta disciplina na grade escolar. Muito bem, ele era um Professor exemplar, exigia pontualidade, assiduidade, bom comportamento e silêncio quase a nível de morto (quando necessário) de todos os seus alunos, sem exceção. Gostava de uma piada bem humorada e sabia direcioná-la. Com os “pegadores”, elas giravam em torno de mulher. Para os atletas, futebol. Evangélicos, católicos e afins, piadas do meio, rs. E por fim, gracinhas de Física aos que sentavam na fila da frente.

Ele também tinha isso de não permitir que nenhum aluno seu tirasse um “10” em um bimestre e, nunca, nunquinha alguém tirou. A data não colocada no cabeçalho da prova, aquele sinal de + esquecido no cálculo, erro de cunho gramatical em uma questão subjetiva, enfim, ele sempre achava alguma coisa!

Meu máximo na sua disciplina foi um 9,5, mas a maior nota foi deste meu amigo, o mesmo que brincava de ser professor comigo: um 9,7. Discutimos até hoje sobre isso, pois acho que ele deveria ao menos repartir comigo o cordão da medalha, né? A apaixonada por aerodinâmica era eu, ele só queria tirar o 10, hahaha. É verdade que Física sempre arrancou meu olhar e atenção, mas ele, O Professor, me fez amar a coisa de modo muito mais intenso. Por incentivo seu, comecei a ler, ouvir e assistir muita coisa referente a Física, sempre com enfoque em aerodinâmica.

Não muito tempo depois, acabei conhecendo quem viria ser o meu primeiro namorado: o Boeing 747-400. De boa família e winglets devidamente instalados, não tinha como não me apaixonar! É verdade que a versão cargueira do 747-8 quase colocou a perder nosso relacionamento de alguns anos, mas foi só um deslize, rsrs… O fato é que, desde então, tenho procurado e acompanhado muita informação envolvendo aviação e o amor só tem crescido. Aviação, por sua vez, reúne muito negócio bom, agregado a um padrão de qualidade excepcional.

My first boyfriend :D

My first boyfriend :D

Passei no vestibular, mas não para Física. A universidade perto de onde  morava não oferecia esse curso, infelizmente. Sou graduada em Letras e sinto prazer em lecionar. Nada me impede de ensinar Física nas minhas aulas de inglês, tampouco falar de Santos Dumont. :)

Meu professor querido morreu de uma forma muito trágica, entristeceu a todos que o conheciam e admiravam. Certamente, teria ficado muito feliz em saber do impacto que seu amor ao que fazia causou em mim e em alguns outros. No fundo, ele sabia disso, tinha de saber… Mestre que é mestre sabe quando cumpre a missão.

À memória de Fernando Manoel Vasques Leonez.

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Sobre o Autor

Potiguar, Professora. Ama Física, Avião e Música (necessariamente nessa ordem e em maiúsculo). Estudante de Manutenção Aeronáutica.
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