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Fokker 100, voe enquanto é tempo!

Foto de Alexandre Alves

Foto de Alexandre Alves

A Avianca Brasil vai retirar seus Fokker 100 (ops, MK28) da frota ainda este ano. Quase 10 anos na empresa, parece que foi ontem que o PR-OAK começou a voar ainda como OceanAir. A primeira providência da empresa foi alterar o nome do avião, pois a imagem crítica que a aeronave teve graças à imprensa potencializar alguns eventos na TAM levou a OceanAir a adotar a nomenclatura MK28, uma sacada de marketing para o nome original do avião Fokker 28 MK.0100.

Cockpit Fokker 100 - Foto de Alexandre Alves

Cockpit Fokker 100 – Foto de Alexandre Alves

Um avião simples, dócil, excelente tecnologia embarcada, silencioso. Ironicamente, apesar de ter trabalhado 2 anos com o avião, só o voei uma vez.

Então você que é entusiasta, voe. Voe enquanto é tempo, pois em minha opinião não creio que teremos um outro operador destas máquinas no país. Quase 80 aviões do tipo voaram no Brasil entre TAM, TABA, OceanAir e MAIS.

A modernização natural e a contenção de custos e por consequência a natural padronização de frotas estão nos encaminhando em breve para termos apenas família A320, 737 e E190 voando “a jato” no país. A OceanAir, ou melhor Avianca Brasil, operou os aviões PR-OAD, OAE, OAF, OAG, OAH, OAI, OAJ, OAK, OAL, OAM, OAQ, OAR, OAS, OAT, OAU e OAV. Após a reestruturação de 2008 o PR-OAH e PR-OAV foram para a Avianca Colômbia. Alias o PR-OAV nem voou na empresa. O PR-OAG manteve por muito tempo a configuração da American Airlines com 87 assentos, com direito a uma bela executiva. Alguns aviões já pararam de voar com PR-OAK, PR-OAT, PR-OAS.

Cabine de passageiros - Foto de Alexandre Alves

Cabine de passageiros – Foto de Alexandre Alves

A era do Fokker 100 no Brasil terminará quando pousar pela última vez em um vôo da OceanAir, uma história de 25 anos na Aviação Brasileira, voando desde Setembro de 1990 quando a TAM recebeu o PT-MRA e PT-MRC. De 1990 a 2015 foi um avião polêmico, ajudou a TAM a se erguer como empresa grande, protagonizou uma tragédia em 31 de Outubro de 1996 quando o TAM 402 caiu no Jabaquara, teve diversos incidentes, com direito a uma explosão de fuselagem (PT-WHK), um despaletamento que matou uma passageira (PT-MRN) e por fim chegou ao ápice com 2 acidentes com 40 minutos de intervalo, quando o PT-MRL pousou de barriga em Campinas e o PT-MQH pousou em um pasto, levando uma vaca a ser sacrificada.

A imagem do avião havia sido arranhada em definitivo.

Já na TABA, o único fato relevante conhecido foi um reboque mal feito e colisão com o teto do hangar e na OceanAir um pouso sem trem do nariz em Brasília.

Cabine de passageiros - Foto de Alexandre Alves

Cabine de passageiros – Foto de Alexandre Alves

Tirando o KK402 e os eventos do MRL/MQH, estamos falando de um avião em que seus operadores praticaram altas taxas de utilização, com quase 80 unidades operadas no país. 101 mortes em 3 eventos, apenas para comparação o Boeing 727-200 em um único evento custou 137 vidas. Enfim, polêmico é um título que lhe cai bem, a imprensa demonizou o avião e por sua vez o avião “esverdeou” o cofre de seus operadores.

Deixará saudades o F100 e seus RR TAY650 gritando a cada decolagem.

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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