banner livro

Foto espetacular do SR-71

Lockheed SR-71 Blackbird

Já estive pertinho dele em dois museus, no Smithsonian de Washington e no Wright Patterson AFB Museum de Dayton, Ohio, e posso falar? Não dá para não ficar de boca aberta.

O Blackbird é provavelmente o avião mais magnífico criado pelo homem (aliás, para ter entrado em operação em 1966 só pode ter tido ajuda de extra-terrestres…rs). Ele foi complexo de todas as maneiras que se pode ser, desde o projeto, construção e operação. Foi necessário usar titânio para que sua fuselagem resistisse as altíssimas temperaturas causadas pelo atrito com ar em velocidades acima de Mach 3 (três vezes a velocidade do som). Os estudos de termodinâmica envolvidos são um compêndio científico.

Um detalhe curioso é que ele foi construído com o propósito de espionar a União Soviética na época da Guerra Fria, e todo o titânio usado foi comprado exatamente da União Soviética, o maior fornecedor na época, que obviamente não sabia a destinação do produto pois ninguém usava titânio em aviação.

O seu combustível era especial (JP-7), denso e pouco volátil – era fácil apagar um fósforo aceso em um balde de JP-7 – e vazava muito como o avião no solo, já que seus tanques só vedavam quando o metal dilatava após se aquecer. O Blackbird só era abastecido completamente em voo, depois de dar uma voltinha rápida pra tudo se ajeitar.

Apenas 32 foram construídos e até hoje poucas pessoas no mundo sabem exatamente qual a velocidade e altitude que esse pássaro chegou, estimativas são de 3500 km/h e altitude de “somente”85 mil pés (os pilotos usavam roupas de astronautas). 12 foram perdidos em acidentes.

O recorde de velocidade em um percurso comercial foi obtido em 1974, de New york para Londres em 1 hora e 54 minutos, incluindo aí a desaceleração para reabastecimento em voo. Segundo o piloto de blackbirds Brian Shul, autor do livro Flying the World’s Fastest Jet, a velocidade máxima do SR-71 é desconhecida, porque se as manetes forem avançadas à potência máxima, a aeronave continua acelerando independente da velocidade que já estiver e nenhum piloto jamais manteve “pé embaixo” para evitar o perigo de acelerar até a aeronave se desintegrar em voo. Só para comparar, o recorde do Concorde na mesma rota foi 2 horas e 52 minutos. Os motores também eram especial, uma mistura de turbojet com ramjet para manter velocidades de cruzeiro acima de Mach 3.

O SR-71 foi aposentado em 1998, mas dois modelos ainda voaram na NASA até 2006 para pesquisa, e somente 150 pilotos foram qualificados a voar nele. Quem sabe um dia escrevo um post completo dedicado a esta maravilha.

No vídeo abaixo é possível ver o combustível vazando, até na decolagem.

Tags: , ,

Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
Topo