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Granizo x Aviões

Um Airbus da TAM entrou em um CB, de novo. Vários leitores escreveram com dúvidas de como isto pôde acontecer.

Bem, não vou especular sobre o que leva uma aeronave a entrar em uma nuvem carregada, pois pode ter havido uma falha de radar meteorológico, erros de julgamento, entre outros motivos, então vamos focar nas dúvidas e entender como pode um radome ficar destruído desta maneira.

Bem, em primeiro lugar é preciso entender que o radome dos aviões NÃO SÃO metálicos. Embora isso possa parecer óbvio, já que as ondas de radar refletiriam se fosse de metal, vi várias pessoas perguntando por que só o bico do avião havia se danificado.

O radome é feito de GFRP (Glass Fiber Reinforced Plastic Honeycomb Sandwich – ou, um sanduíche de fibra de vidro e plástico reforçado) e como é o ponto mais à frente do avião, é natural que se danifique primeiro, além dos bordos de ataque das asas e dos estabilizadores horizontais e vertical.

Os parabrisas também sofreram o impacto, mas como são muito bem construídos, aguentaram o tranco:

Parabrisas rachado

Parabrisas rachado

Algumas respostas a um compilado de dúvidas:

1) Este tipo de tempestade não é prevista e avaliada antes do voo?

R: Sim, condições meteorológicas são previstas. Mas não sabemos qual era o plano de voo, nem se houve alteração repentina (comum em tempestades tropicais). E como já dito antes, não sabemos outras variáveis.

2) Se sim, por que não adotar outra rota?

R: Ver resposta 1.

3) Ainda se sim, existe a possibilidade de diante deste fato os pilotos assumirem o risco e ir em frente e decolar para enfrentar esta tempestade?

R: Não. Não “se enfrenta” tempestade. Desvia-se.

4) Em 43 minutos de voo já não se está a mais de 10.000 metros de altura? A esta altura por que o avião ainda passou por esta tempestade?

R: 10 mil metros após 40 minutos pode ser que sim, pode ser que não, tudo depende de peso, cartas de saída, etc. Além do mais, não é possível confiar em informação da imprensa. Voltou depois de 43 minutos ou pousou 43 minutos depois de decolar? De qualquer maneira, os CBs podem atingir até 18,5 mil metros de altitude, logo, bem acima da altitude de cruzeiro de qualquer avião comercial.

5) Você já pegou uma destas?

R: Já peguei turbulência severa, mas nunca granizo.

E este episódio apenas serviu para mostrar que as camadas de segurança embutidas em qualquer projeto de aeronave comercial funcionam se não houver uma cascata de erros humanos. A estrutura se comportou da maneira que foi projetada, e mais uma vez o resultado foram passageiros desembarcando sem nenhum arranhão físico.

Link da notícia no UOL.

Link da notícia no G1.

E a gravação de voz de um incidente parecido que ocorreu há alguns anos.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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