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Há 25 anos eu iniciei a minha carreira profissional na Varig

Sim, estou ficando velho! experiente!
Hoje faz exatos 25 anos que iniciei minha carreira com carteira assinada, na maior empresa de aviação da América Latina na época, a Varig.
Antes dela, havia feito escola técnica em manutenção de aeronaves por 4 anos, o que leva o contato com a aviação aos 29 anos o.O

Mas eu não sou tão velho… comecei precocemente…rs

É engraçado como algumas coisas a gente não esquece. Pergunte a qualquer funcionário que um dia trabalhou na Varig qual era a matrícula e ele vai te responder na ponta da língua, inclusive com o dígito.

A minha matrícula era 58458-7 (ahá, eu era mais antigo de casa que o Roberto Carvalho).

Outra coisa que não esqueço foi o primeiro dia como funcionário. Este dia se chamava “Integração à Empresa”, onde um funcionário mais antigo levava o grupo de “novinhos” para conhecer as dependências da empresa: restaurantes, engenharia, almoxarifado, RH e finalmente, os hangares de manutenção.

Eu tinha 19 anos recém completados, e apesar de ter me formado com 17, não consegui emprego aos 18 pois em época de serviço militar ninguém é louco de admitir um funcionário que pode ser obrigado a servir as forças armadas. Pois bem, aos 19, o maior avião que eu havia visto de perto era um Avro da FAB, que muito raramente pousava na Base Aérea de Santos onde eu fazia estágio durante o curso.

Ao sair das salas da engenharia naquele dia 17 de Fevereiro de 1986, do alto mezanino do Hangar 3 de Congonhas, vi pela primeira vez um Lockheed Electra, que estava em check C, era o PP-VLC.

O Nariz estava apontando em direção ao restaurante e em cima de sua asa esquerda estava um mecânico (que mais tarde fiquei sabendo que era conhecido como Bozó) com uma chave Philips do tipo “speed drive” que era maior que sua perna e ele abria um painel sobre a asa que dava acesso ao tanque de combustível.

Por segundos enquanto eu olhava a cena e o avião ao mesmo tempo, detalhes iam se fixando em minha memória: A chave philps gigantesca, o macacão azul marinho, a risada do Bozó, a asa cinza, o tamanho “enorme” do avião, as hélices pronunciadas, as plataformas em volta da fuselagem, a rosa dos ventos na cauda, o sol fora do hangar e lá dentro do pensamento um desejo: “eu quero fazer isso também

Hoje quando olho para trás, a Varig não existe mais, os Electras estão praticamente extintos e não sei o que foi feito dos hangares em Congonhas, mas aquele pensamento de que isso é o que eu queria fazer permanece.

Hoje, passado todo este tempo, e não foi fácil no início, eu sinto que tudo valeu muito a pena. Quando eu saí da Varig, no final de 1995, ela havia cumprindo um ciclo importantíssimo de aprendizado em minha carreira. Tudo que eu aprendi com base sólida, aprendi na Varig, a ponto de estar apto a voos maiores na carreira.

Já vou fazer 15 anos trabalhando em uma empresa internacional e cada vez eu sinto mais que fiz a escolha certa e batalhei por ela. De um moleque lá na baixada santista pra aluno técnico na Varig para um supervisor internacional de manutenção.
Uma batalha bem lutada. E outra está recém começando, uma empresa em mudança após uma mega-fusão.
Tem que gostar do que se faz.

E agora: Tim tim! Vou brindar com uma taça de vinho em família :)

“Quem corre por amor, não cansa”

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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