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Hackers “poderiam” tomar o controle de um avião pelo sistema de entretenimento?

Crédito: EPA

Crédito: EPA

Não!

Essa baboseira saiu novamente hoje no “The Telegraph“, com a mesma ladainha de sempre: A manchete diz que um hacker “poderia” tomar o controle do avião e o texto diz que ele “poderia” acessar o mapa de entretenimento (e mudar valores), luzes da cabine e até alguns anúncios automáticos. Ah, poderiam ter acesso a dados dos cartões de créditos também. Até aqui nenhuma menção a “tomar o controle do avião”.

Lá na metade da página tem esse parágrafo:

The extent of the damage the hack could inflict on a plane depends on how successfully the airline has isolated its systems. For example, the passenger entertainment shouldn’t be connected to the passenger owned devices or aircraft control. But sometimes it is.

Traduzo livremente: “A extensão do dano que o hacker poderia causar depende do quanto a empresa aérea isolou seus sistemas. Por exemplo, o sistema de entretenimento não deveria ser conectado aos devices dos passageiros ou ao sistema de controle da aeronave. Mas as vezes é.

Aqui foi usado uma técnica interessante de texto. O “mas as vezes é” refere-se aos devices dos passageiros, mas lendo tudo têm-se a impressão que o sistema de entretenimento as vezes é conectado ao controle da aeronave. E não é conectado!

Se não é conectado (apenas read only pra desenhar o mapa com os parâmetros) então como o cara vai tomar o controle do avião? Aí a matéria dá o link pro barbudo que “disse” que conseguiu fazer isso num 737NG, e eu ponho o link aqui explicando que ele mentiu. Leia, vale a pena. E claro, também linka o cara do Jeep, que vocês sabem né, carro e avião é igualzinho. #sqn.

Só pra vocês terem uma idéia de como é difícil alterar um código de controle em um avião, até nós da manutenção temos dificuldade em atualizar o software que o próprio fabricante envia, tamanha a segurança que o avião tem embutida para não aceitar código diferente. Além disso o avião precisa estar no chão, com trem embaixo e travado e velocidade menor que 15 km/h. Ah, e precisa mexer FISICAMENTE uma chave no cockpit, senão amigo, pode tentar o que quiser.

Enfim, fiz esse post só pra adiantar o festival de perguntas que virá assim que os portais brasileiros traduzirem o texto do Telegraph e os alarmes começarem a ser compartilhados no Facebook e Whatsapp.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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