banner pneufree.com

Hub, o centro de logística de uma empresa aérea

United Hub

Um dos Hubs da United

HUB! Você sabe o que é um HUB?
Pois bem, não estou falando daquele aparelhinho onde entra um cabo ADSL e você pode conectar 4, 8, 12, 16, enfim vários computadores utilizando a mesma conexão! Aliás eu estou atrasado, afinal hoje temos wireless! Mas o HUB que estou falando é o HUB aeroportuário! Muita gente fala sobre HUBs, mas pouca gente entende do que se trata!

Antigamente, o HUB não era algo tão comum nas empresas e quando a palavra surgiu, confundiram com aeroporto onde a empresa mantinha a grande maioria de seus vôos! O HUB no entanto é algo mais grandioso, é uma engenharia complexa que determina o sucesso ou fracasso de uma empresa aérea.

Vamos imaginar o seguinte cenário: As 06:00 da manhã decola um vôo de Salvador da empresa ABC para Belo Horizonte, que pousará na capital mineira as 07:30. No entanto na faixa de 08:30 até 10:30 a empresa ABC mantém dezenas de vôos em Belo Horizonte, dezenas! Então o baiano que saiu de Salvador para BH, chega na capital mineira e tem pela ABC vôos partindo para Brasília, Vitória, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Cuiabá, Porto Velho, Manaus! Ou seja, um leque de oportunidades comerciais para a ABC oferecer, utilizando para tal um vôo de SSA para BHZ. Onde fica o HUB? Em BHZ! É a partir dali que a empresa fará todas as suas conexões.

Ah, bacana, entendi o que é um HUB! Mas quem é hub de quem pelo Brasil? Simples, vamos falar de Azul.
A Azul tem seu hub principal em Campinas/Viracopos, o camarada que sai em um vôo da Azul de Belo Horizonte para Campinas, ao chegar lá tem conexão praticamente para toda a malha da empresa. Já a TRIP tem seu hub principal em Belo Horizonte/Confins, dai é possível sair por exemplo de Uberlândia em um ATR72-500 e ao chegar em Confins e embarcar em um E-JET para Cuiabá, Goiânia, Marabá, Belém, São Luís e Manaus de forma imediata. As grandes empresas como TAM e GOL têm seus hubs basicamente em São Paulo. Outro hub interessante é o da Passaredo que proporciona em Ribeirão Preto uma gama de conexões. Ainda existem os hubs secundários, a Azul por exemplo fez de Belo Horizonte um hub secundário, assim como a TRIP tem em Guarulhos e Cuiabá possibilidades de conexões diversas, mas não tão abundantes quanto as presentes em VCP (Azul) e CNF (TRIP).

A fórmula do HUB fez crescer muitas empresas aéreas e posso afirmar que é uma verdadeira célula de sobrevivência destas. É só imaginar um desmonte de VCP ou CNF, para a Azul e TRIP e eu quero ver se o número de ambas não despenca verticalmente.
Uma que pratica HUB de forma visível é a AVIANCA BRASIL no Aeroporto de Brasília. Posso ir além, vamos ao passado, quando a malha que a saudosa VASP praticava em GRU, SSA, REC após 2000 era a sobrevivência da companhia, tanto que até os últimos dias apesar da redução drástica de vôos, foi o que a sustentou até o triste 27 de Janeiro de 2005.

Qual ponto negativo do hub? A concentração de muitas conexões e aeronaves em solo torna-se um desafio para qualquer equipe de aeroportos, manutenção e handling, pois elas devem ter como compromisso número 1 a pontualidade dos seus vôos, caso contrário o HUB torna-se uma fileira de dominós que cairá um sobre o outro, destruindo a malha da empresa em questão de minutos. Depois da pontualidade, ou melhor para manter a mesma, a sincronia e harmonia das equipes têm que ser imensas, com muita entrega, profissionalismo e dedicação. Ah e claro, o HUB, sofre com fatores externos como infraestrutura do aeroporto e condições de tempo. Imaginem um hub fechando por chuva ou mau tempo! Destrói a malha da empresa naquele dia.

Delta em fila para decolagem

Aviões da Delta em fila para decolagem em um Hub da empresa

Tags: ,

Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
banner livro
Topo